Tite festejou o título da Copa do Brasil 2001 usando linha de três zagueiros. Foto: Reprodução/Placar
O Grêmio campeão da Copa do Brasil 2001 é uma das obras-primas de Adenor Leonardo Bachi, o Tite. O sistema tático utilizado naquela campanha, principalmente na histórica vitória por 3 x 1 sobre o Corinthians, de Vanderlei Luxemburgo, no Morumbi, deveria servir de inspiração para esses tempos difíceis sem Neymar, Daniel Alves, Marcelo, Filipe Luís… nos amistosos pré-Copa América.
Há uma crise nas duas laterais, como escrevi aqui no blog, no dia da convocação para dos duelos contra o Panamá e a República Tcheca. Temos opções em péssima fase, lesionados e até atuando fora de posição. Por que não testar a defesa com linha de três zagueiros a fim de extrair ao máximo o potencial dos alas que restaram após os cortes de Daniel Alves e de Filipe Luís? Tite domina a estratégia. Chegou a testá-la na Seleção ao menos uma vez, contra a Austrália, mas arquivou uma ideia bastante utilizada no futebol europeu.
No início do século, Tite passou dificuldades no Grêmio. Quando assumiu o cargo, Ronaldinho Gaúcho havia deixado o clube e embarcado rumo ao Paris-Saint-Germain — time atual de Neymar. Havia escassez de talento. Ele iniciou o trabalho no sistema 4-4-2. Apostava em dois volantes odiados pela torcida — Anderson Polga e Eduardo Costa. Contava com os ofensivos laterais Anderson Lima, Roger e Rubens Cardoso no grupo. Havia o incansável e versátil Tinga e o articulador Zinho. O ataque oferecia alternativas velozes como Marcelinho Paraíba e Luiz Mário, que atraíam os alas para as tabelas e as diagonais. Ambos davam mais mobilidade ao ataque do que o brasiliense Warley e Cláudio Pitbull.
Tite percebeu que poderia transformar o Grêmio. Sair do lugar comum e surpreender os adversários com mudanças de peças no tabuleiro. O detestado Anderson Polga passou a compor a linha de três ao lado de Marinho. Despistava bem. Em vez de ser apenas o beque da sobra na linha de três zagueiros como costuma ser o 3-5-2 em gramados tupiniquins, deslocava-se para a função de volante para cobrir os alas. Roger era lateral, porém, tinha facilidade para compor a linha de três zagueiros e virou outro trunfo de Tite. Quando Polga atuava na cabeça de área, Roger formava defesa com Mauro Galvão e Marinho. Foi assim, por exemplo, naquela final da Copa do Brasil 2001.
Reinventado do 4-4-2 para o 3-5-2, o Grêmio se impôs na decisão contra o fortíssimo Corinthians. Simplesmente não deixou o time de Vanderlei Luxemburgo jogar na partida de volta da final da Copa do Brasil. Aquele 17 de junho de 2001 mudou novamente a carreira de Tite de patamar. Um ano antes, à frente do Caxias, ele havia derrotado o Grêmio, que contava com Ronaldinho, na final do Campeonato Gaúcho.
O técnico usou modelo parecido na Seleção apenas uma vez na goleada por 4 x 0 sobre a Austrália, em Melbourne. O time começou o amistoso com três zagueiros: Thiago Silva, Rodrigo Caio e David Luiz numa função parecida com de Anderson Polga no Grêmio de 2001. O modelo não foi levado adiante nas Eliminatórias e muito menos na Copa da Rússia.
A Seleção convocada para os amistosos contra Panamá e República Tcheca oferece a Tite muita versatilidade. Daí a possibilidade de testar a defesa com linha de três — inclusive com laterais improvisados na zaga, como Tite fez com Roger no Grêmio; e Pep Guardiola com Abidal no Barcelona e Alaba no Bayern Munique.
Tite tem pelo menos dois zagueiros que sabem atuar como volantes: Marquinhos e Thiago Silva. Esse é o primeiro ponto favorável ao teste do 3-5-2 ou 3-4-3. Conta com três laterais que atuam ou já atuaram como zagueiros, inclusive compondo a linha de três. Danilo volta e meia faz isso no Manchester City, de Pep Guardiola. Éder Militão é polivalente no Porto. Fabinho jogou como lateral, volante e até zagueiro nesta temporada do Liverpool. Do meio de campo para a frente, Tite tem os incansáveis Alan e Lucas Paquetá e atacante velozes capazes de remontar aquele Grêmio de 2001: Richarlison, Roberto Firmino, David Neres, Gabriel Jesus.
Tite mostrou no título da Copa do Brasil 2001 que domina o assunto. Tem farto e versátil material nas mãos. A linha de três não saiu da moda. Ele só não pode ter receio de testar a variação em amistosos tão tranquilos como os desta data Fifa, a última antes da Copa América. Muito menos ficar refém do 4-2-3-1, 4-1-4-1, 4-3-3. O repertório precisa crescer na Copa América e nas Eliminatórias até o Mundial do Catar, em 2022.
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