Como a experiência de Jair Ventura com Sassá pode ajudá-lo a lidar com Gabigol no Santos

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A experiência no relacionamento com Sassá no Botafogo pode ser um trunfo do técnico Jair Ventura para lidar com Gabriel Barbosa no Santos. O principal reforço do time paulista para a temporada de 2018 tem fama de marrento, temperamental, avesso a substituições e muito menos a esquentar o banco de reservas. Foi assim no Santos, na Internazionale, no Benfica e na conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. O sucesso na gestão do vestiário — expressão da moda no futebol brasileiro — passa necessariamente pelo tratamento que será dado pelo comandante a Gabigol.

Jair Ventura conhecia Sassá desde as divisões de base. O centroavante tem um cantinho no coração do técnico por ter sido o responsável pelo primeiro título do treinador na carreira de técnico. Porém, o relacionamento ficou desgastado no time profissional, a ponto de o comandante colocar o jogador em seu devido lugar durante uma entrevista coletiva.

“Antes de qualquer jogador, nós temos um grupo. Todos são mais importantes que um atleta. E antes de um grupo, temos uma instituição que é gigante. Temos que respeitar isso”, avisou Jair Ventura sobre o agastamento de Sassá, após uma série de indisciplinas do xodó.

Sassá passou a ser um problema no vestiário. Afastado e reincorporado ao elenco mais de uma vez, não soube aproveitar a paciência de Jó do treinador e foi negociado com o Cruzeiro. Jair Ventura admitiu cansaço. “Como educador e como gestor, eu fiz de tudo. Ele me deu meu primeiro título como treinador, em 2012. Eu acompanhei toda a trajetória dele, é um garoto de coração maravilhoso. Ele sabe o que aconteceu, onde ele errou”, explicou.

Filho de craque, e ex-jogador, Jair Ventura detectou, em tão pouco tempo na carreira de técnico profissional, um dos maiores problemas da gestão no futebol pós-moderno. “Acontece muita influência externa. Você educa, mas, quando acaba o treino, tem empresário, assessor, amigos, que não te falam a verdade. É difícil escutar a verdade, a verdade machuca, são poucas as pessoas que falam a verdade. De repente, o jogador está fazendo algo que não está certo e quem toma conta da vida do jogador diz que está certo (…)  Eles são muito jovens. Eu já tive a idade deles. É complicado, com 21, 22 anos, o tanto de dinheiro, a fama que vem da noite para o dia. Aparece amigo de tudo quanto é lugar para falar com você”.

Gabriel Barbosa tem uma carreira tão ou mais problemática do que a de Sassá. A começar pelo apelido de Gabigol. Praticamente uma obrigação de ser artilheiro de tudo. Surgiu entre os meninos da Vila como o novo Neymar. Curiosamente, também é cliente de Wagner Ribeiro, o mesmo empresário do astro do Paris Saint-Germain.

Gabriel Barbosa era uma das principais apostas do técnico Rogério Micale na Seleção olímpica. Entretanto, foi ofuscado por Neymar, Gabriel Jesus e Luan na iinédita conquista da medalha de ouro. Depois daquele título, a carreira dos parças mostrou evolução. A de Gabigol, não.

Neymar foi eleito terceiro melhor do mundo em 2017. Luan receberá o prêmio de Rei da América depois de levar o Grêmio ao tricampeonato da Libertadores. Gabriel Jesus é um dos xodós de Pep Guardiola na extraordinária temporada do Manchester City. Gabriel Barbosa foi negociado com a Internazionale, em 2016, por € 91 milhões (R$ 97,5 milhões). É a oitava venda mais cara do futebol brasileiro, atrás do recordista Neymar na transferência do Santos para o Barcelona, Vinicius Júnior, Lucas Moura, Gabriel Jesus, Oscar, Denílson e Bernard.

Santos e Internazionale, da Itália, acertaram o empréstimo de Gabriel Barbosa ao Santos por 12 meses. O jogador estava no Benfica, de Portugal. O clube italiano receberá € 1,7 milhão (R$ 5,9 milhões) pela negociação. O alvinegro praiano desembolsará o salário mensal de € 140 mil euros (R$ 551,6 mil).

» SAIBA POR ONDE ANDAM OS CAMPEÕES OLÍMPICOS

Oito estão em atividade no futebol brasileiro

Wéverton (goleiro) – Palmeiras

Uilson (goleiro) – Atlético-MG

William (lateral-direito) – Internacional

Zeca (lateral-direito) – sem clube, em litígio com o Santos

Douglas Santos (lateral-esquerdo) – Hamburgo

Marquinhos (zagueiro) – Paris Saint-Germain

Rodrigo Caio (zagueiro) – São Paulo

Luan Garcia (zagueiro) – Palmeiras

Rodrigo Dourado (volante) – Internacional

Walace (volante) – Hamburgo

Thiago Maia (volante) – Lille

Felipe Anderson (meia) – Lazio

Rafinha (meia) – Internazionale

Luan (atacante) – Grêmio

Gabriel Barbosa (atacante) – Santos

Neymar (atacante) – Paris Saint-Germain

Gabriel Jesus (atacante) – Manchester City

Luan (atacante) – Grêmio

Marcos Paulo Lima

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