Como era a Série B na única vez em que Luiz Felipe Scolari disputou o torneio como técnico

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Catorze de abril de 1991. Esta é a data do último jogo de Luiz Felipe Scolari como técnico na Série B do Campeonato Brasileiro. Dezenove anos depois, um dos treinadores mais vitoriosos do país está de volta à segunda divisão para tentar repetir feitos como o do também campeão da Copa do Mundo Didier Deschamps. O treinador francês catapultou a Juventus de volta à elite na temporada 2006/2007 do Campeonato Italiano. “Big Phil” pode se inspirar também na façanha de Marcelo Bielsa. Aos 65 anos, o argentino brindou o Leeds United com o título da segunda divisão inglesa e devolveu o tradicional clube à Premier League encerrando 16 anos de espera.

Não há como negar que, por trás da decisão do corajoso gaúcho de Passo Fundo, há mais do que romantismo ou sentimento de obra inacabada. O sim do senhor de 71 anos também tem a ver com excelente oferta financeira, saudade dos desafios e um pouquinho de dívida com o quase centenário clube celeste. Afinal, em 2001, Felipão deixou Belo Horizonte, pegou avião e foi apresentado aqui em Brasília como novo técnico da Seleção pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em uma casa no Lago Sul, bairro nobre do Distrito Federal, e deu início à saga do pentacampeonato verde-amarelo na Copa do Japão e Coreia do Sul  em 2002.

Devolver o Cruzeiro à elite a essa altura do campeonato da Série B é, talvez, a missão mais difícil da carreira de Felipão. Mais complicada até do que comandar o Criciúma na segunda divisão de 1991. Foi osso. Naquela época, a competição tinha 64 clubes divididos em oito grupos com oito times cada. Apenas os dois melhores avançavam às oitavas de final. O clube catarinense ficou em quinto lugar no Grupo 8. Coritiba e Paraná passaram de fase. No fim das contas, o Paysandu ganhou o título da Série B e o Guarani foi vice-campeão.

  • A Série B tinha 64 clubes divididos em 8 grupos com 8 times cada
  • O Criciúma estava no Grupo 8 e terminou terminou em quinto lugar.
  • A chave tinha: Coritiba, Paraná, Joinville, Figueirense, Criciúma, Caxias, Juventude e Blumenau
  • Os dois melhores de cada chave avançavam às oitavas de final. No de Felipão, Coritiba e Paraná
  • Felipão assumiu o Criciúma durante a Série B. Em 9 jogos, venceu 2, empatou 2 e perdeu 5
  • Paysandu (campeão) e Guarani (vice) subiram para a Série A
  • Não houve rebaixamento
  • O Criciúma fracassou na Série B, mas foi campeão invicto da Copa do Brasil

Antes de a bola rolar para o duelo com o Juventude nesta sexta, a distância do Cruzeiro para o América-MG, quarto colocado na Série B, é de 14 pontos. Parece impossível levar a Raposa ao G-4, mas Felipão é oito ou oitenta. Há 19 anos, em 14 de abril de 1991, estava condenado a ser demitido depois de o Criciúma perder por 2 x 1 para o Juventude na última rodada da Série B. Mas o homem tem sorte. No dia seguinte, a CBF anunciou que o Criciúma jogaria a partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil contra o Goiás, em Goiânia, quatro dias depois da despedida melancólica da Série B. Logo, não havia tempo para a diretoria fazer mudanças.

Convencida por jogadores como Vanderlei, Sarandí e o capitão Itá, a diretoria optou por manter Felipão no cargo. Sábia decisão. O técnico havia assumido o Criciúma com o bonde andando. Fez nove jogos, com duas vitórias, dois empates e cinco derrotas. Em contrapartida, a campanha na Copa do Brasil era extraordinária. Eliminou o Goiás por 3 x 0 no placar agregado, desbancou o Remo nas semifinais e conquistou o título contra o Grêmio na decisão. O Criciúma entrava para a história como o primeiro time da Série B campeão da Copa do Brasil. Em nove jogos, venceu seis e empatou três, ou seja, conquista inédita e invicta.

Se quiser subir neste ano ainda, o Cruzeiro necessita urgentemente de sequência de vitórias. Ele pode se inspirar, por exemplo, nos 13 jogos de invencibilidade à frente do Palmeiras no ano passado, com 11 vitórias e dois empates. Se incutir esse exemplo na mente dos comandados, o Cruzeiro poderá voltar a sonhar com uma das quatro vagas para a primeira divisão. Palco da lembrança mais dura da carreira de Felipão, o Mineirão pode virar palanque do maior feito.

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Marcos Paulo Lima

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