Como a Inglaterra, semifinalista da Euro, explica a evolução do futebol feminino na terra da rainha

Compartilhe

Elas querem tentar pela terceira vez o que eles ainda não conseguiram. Anfitriã da Eurocopa Feminina, a Inglaterra duelará nesta terça-feira com a Suécia por uma vaga na finalíssima, em Wembley, contra França ou Alemanha. No ano passado, os homens amargaram o vice em casa diante da Itália no torneio continental. As súditas da rainha Elizabeth decidiram o título em 1984 e em 2009, mas foram superadas pelas suecas e as alemãs, respectivamente.

Além do Estádio Bramall Lane lotado e pilhado, em Sheffield, um dos trunfos da Inglaterra é uma campanha irrepreensível. São quatro vitórias, 16 gols marcados e somente um sofrido. O poder de reação da seleção também impressiona. O time desbancou a Espanha de virada nas quartas de final por 2 x 1 na prorrogação.

A Inglaterra investiu pesado no sonho de ganhar a Eurocopa pela primeira vez. Arrancou da Holanda a excelente  treinadora Sarina Wiegman, campeão da edição de 2017 a frente da Laranja Mecânica. A capacidade de mobilização da técnica para levar o país dela ao título inédito em casa foi determinante para a escolha da dona da prancheta.

A possibilidade de alcançar a final pela terceira vez e conquistar o título inédito em casa pode ter um significado especial para a Inglaterra. Há 101 anos, a FA — CBF deles — proibiu a prática do futebol feminino. A edição de 2005 da Euro é um reflexo da resistência. Aquela edição disputada na Inglaterra teve como maior público 29.092 pagantes. A fina, sem as anfitriãs, recebeu 21.105 torcedores. A média em jogos sem as do as da casa em campo foi de 2.528. Dezessete anos depois, a Euro Feminina dá provas de popularidade. Uma delas é a comercialização de todos os bilhetes para a finalíssima. Wembley estará lotado independentemente da presença da Inglaterra na batalha pela taça.

A Inglaterra se exibiu na estreia para 70 mil fãs na vitória por 1 x 0 contra a Áustria, em Old Trafford, o Teatro dos Sonhos do Manchester United. A decisão tem 90 mil bilhetes esgotados. A Suécia foi a responsável por um dos vices das britânicas na versão de 1984, sem a chancela da UEFA. Logo, há um sabor de revanche no duelo de hoje.

O adversário de Inglaterra ou Suécia será conhecido amanhã no confronto entre as duas seleções que mais finalizam na Eurocopa. A França tem 93 tentativas contra 82 da Alemanha, octacampeão continental. Como o Brasil disputa a Copa América, pouco importa quem disputará a final do outro lado do Oceano Atlântico. A maior comemoração é outra: o respeito ao futebol feminino no país que um dia impediu as mulheres de praticá-lo. Deus salve as súditas da rainha logo mais, em Sheffield.

Siga no Twitter: @marcospaulolima

Siga no Instagram: @marcospaulolimadf

Marcos Paulo Lima

Posts recentes

  • Esporte

Personagens do dia 15: Gonzalo Plata e Sebastian Beccacece

  O Equador produziu uma das grandes histórias da terceira rodada da Copa do Mundo.…

1 dia atrás
  • Esporte

Personagem do dia 14: o ferrolho italiano a serviço de Vini Jr.

A melhor notícia da vitória do Brasil por 3 x 0 contra a Escócia e…

2 dias atrás
  • Esporte

Podcast | Fast Foot #3: Escócia x Brasil, passa em 1º ou 2º lugar?

Miami — Portas em automático. Partimos de madrugada rumo à Flórida, mas no caminho deu…

3 dias atrás
  • Esporte

De Tostão a Rayan: Brasil tem titular de 19 anos na Copa após 60 anos

  Carlo Ancelotti tem uma característica que o diferencia de alguns técnicos recentes da Seleção…

3 dias atrás
  • Esporte

Personagem do dia 13: Steve Clarke, o “discípulo” escocês de Felipão

Quando a Escócia entrar em campo contra o Brasil, às 19h, no Hard Rock Stadium,…

3 dias atrás
  • Esporte

Personagens do dia 12: Messi, Mbappé e a final que não terminou

  Filadélfia — A impressão depois de duas rodadas da fase de grupos da Copa…

4 dias atrás