Com a saída de Pia, Ednaldo conclui “faxina” das eras Del Nero e Caboclo

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O fim da Era Pia Sundhage é simbólico nos bastidores do jogo de xadrez político da CBF. Eleito presidente em março do ano passado, Ednaldo Rodrigues cortou o último elo dos departamentos de seleções com escolhas feitas nas gestões dos antecessores.

Refresquemos a memória. Tite assumiu os homens em 2016 a convite do então presidente Marco Polo Del Nero. Ganhou até um beijo do dirigente ao tomar posse. A sueca assumiu as mulheres depois da Copa do Mundo de 2019. Aceitou convite de Rogério Caboclo, o sucesso de Del Nero. A CBF também funciona como pracinha de prefeitura. Quem assume o poder deseja marcar o novo tempo mudando a cor do banquinho, inaugurando parquinho…

Ednaldo Rodrigues não seria diferente. Quem o conhece conta que ele se sentia incomodado com algumas decisões, mas se fingiu de pleno. Foi até paciente ao aceitar o papel de comandante em chefe da delegação no Oriente Médio. Tolerou o trabalho de Tite até o fim sem mexer na comissão técnica. Agiu praticamente da mesma forma com Pia. Engoliu as heranças de Del Nero e Caboclo. Esticou a corda até o limite. Viu o Brasil fracassar nas quartas de final no Catar; e na fase de grupos na Austrália e na Nova Zelândia.

Tite havia encaminhado a saída do cargo independemente do resultado do Brasil na Copa. Pia, não. A técnica sueca tinha mais um ano de contrato assinado com Caboclo. Ednaldo deu corda e ela se enforcou ao entregar a pior campanha do Brasil na Copa desde 1995.

A bola caiu no colo de Ednaldo Rodrigues para consolidar a faxina iniciada em todos os departamentos da CBF. Faltavam justamente as seleções. Substituiu Tite pelo interino Fernando Diniz. Espera sentado pelo italiano Carlo Ancelotti até o meio do ano que vem. Pia Sundhage provavelmente será sucedida por Arthur Elias. O profissional do Corinthians é praticamente unanimidade dentro e fora da CBF. Nome diferente dele seria uma surpresa.

O paulista de 42 anos acumula quatro títulos do Campeonato Brasileiro pelo Corinthians em 2018, 2020, 2021 e 2022. A final está encaminhada em 2023 depois da vitória contra o Santos na partida de ida das semifinais. Provavelmente decidirá o título contra Ferroviária ou São Paulo. O treinador é bicampeão da Libertadores. Pode ser tri neste ano.

O currículo ainda ostenta dois títulos do Campeonato Paulista, dois da Supercopa do Brasil e uma Copa Paulista. O sucesso não é recente. Em 2013, levou o Centro Olímpico ao título nacional. Na sequência, ganhou Copa do Brasil e Libertadores na parceria entre Audax e Corinthians. A demissão de Jonas Urias deixou Arthur Elias mais favorito.

Ednaldo Rodrigues tem opções alternativas como Rosana Augusto (Red Bull Bragantino), Tatiele Silveira (Colo-Colo) ou Emily Lima (Peru) — esta com passagem pelo cargo no período de 2016 a 2017. Independentemente da decisão, há um certeza: ao contrário da decisão tomada na Seleção masculina, Ednaldo Rodrigues quer técnico ou técnica brasileira na sucessão de Pia. O martelo está batido. Pelo menos em relação à cor da bandeira.

Arthur Elias é o favorito. Com possibilidade até de acumular Corinthians e Seleção até o fim do ano. Afinal, as Brabas ainda disputarão o Campeonato Paulista e a Libertadores. Se Fernando Diniz pode, o favorito à sucessão de Pia também. É o que indicam fontes da CBF.

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Marcos Paulo Lima

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