Caso Fábio testa modelo da SAF: Cruzeiro está entre o peso do ídolo na história e na folha

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A indefinição sobre a sequência de Fábio no Cruzeiro arrisca acelerar o fim de uma era de goleiros-ídolos em clubes tradicionais do futebol brasileiro. Depois das aposentadorias de Rogério Ceni no São Paulo e de Jefferson no Botafogo, restam dois profissionais da velha guarda mantidos como referências de seus times: o próprio Fábio no Cruzeiro e Cássio no Corinthians.

A segunda passagem de Fábio pelo Cruzeiro está prestes a completar 23 anos em 2022. São 976 partidas com a camisa celeste e uma impressionante coleção de títulos como titular: duas Copas do Brasil (2017 e 2018), dois Brasileiros (2013 e 2014), sete Mineiros (2006, 2008, 2009, 2011, 2014, 2018 e 2019) e prêmios individuais de melhor goleiro da Série A, em 2010 e 2013.

Os serviços prestados por Fábio ao clube mineiro — inclusive a permanência neste terceiro ano do time na Série B —, encerram por si só a discussão sobre a permanência do ídolo na Toca da Raposa, mas há um porém: o Cruzeiro virou Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Neste modelo, o papel do ídolo passa a ser analisado friamente. Em tese, prevalece a viabilidade do negócio.

Acionista majoritário do Cruzeiro, Ronaldo não foi ídolo de um clube por tanto tempo como Fábio. O goleiro só vestiu as camisas do União Bandeirante-PR, Athletico-PR, Vasco e Cruzeiro. O Fenômeno defendeu Cruzeiro, PSV Eindhoven, Barcelona, Real Madrid, Internazionale, Milan e Corinthians. Como se vê, virou a casaca algumas vezes. As relações com todos esses times não foram tão longas, ou seja, no padrão Fábio de fidelidade. Isso permite a Ronaldo um certo distanciamento da paixão na tomada de decisão. Resumindo: ele e seu staff analisam a situação com menos emoção e mais razão.

Fábio renovou contrato, em novembro, por mais uma temporada, O acordo foi selado antes de o Cruzeiro virar SAF. Os vencimentos acertados com o presidente Sérgio Santos Rodrigues são considerados elevados pela nova gestão. Consequentemente, um entrave para que o teto estipulado para a folha de pagamento seja cumprido. Além do salário, há uma dívida milionária do clube com o goleiro. Vale lembrar que, ao assumir 90% das ações do clube, Ronaldo também se compromete a abater dívidas do Cruzeiro. Pelo menos é o que prega a regra da SAF. O rombo do clube é estimado em R$ 1 bilhão.

Para a apaixonada torcida, Fábio tem que ficar. Para  o bolso racional de Ronaldo, só se o jogador se enquadrar aos novos tempos da SAF. Do contrário, mais uma fidelidade antiga de um goleiro a um clube chegará ao fim. O São Paulo não encontrou, até hoje, um sucessor à altura de Rogério Ceni. Jefferson deixou saudade nas traves do Botafogo. Cássio vive na corda bamba nas últimas temporadas do Corinthians. O dia do juízo final aparenta ter chegado para Fábio, que impõe o primeiro grande teste ao Cruzeiro SAF: comprar briga com a torcida ou dar um jeitinho brasileiro e abrir uma exceção?

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Marcos Paulo Lima

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