Carioca não é o melhor Estadual do país, mas campeões do Rio se renovam

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Tite iniciou o ano derrapando ao batizar o Campeonato Carioca de melhor Estadual. Depois de viralizar negativamente, o técnico do Flamengo revisou a declaração e refez a tese. Há um detalhe curioso na comparação entre os quatro principais torneios domésticos do país. O Grêmio é hepta no Gaúcho. O Palmeiras, penta no Paulista. O Atlético-MG também empilhou o quinto título consecutivo no Mineiro. A sala de troféus do Rio não tem mesmice. Não é samba de uma nota só.

O Flamengo quebrou a sequência do arquirrival Fluminense. Enquanto no Rio Grande do Sul, em São Paulo e em Minas Gerais não há quem bata de frente com Grêmio, Palmeiras e Atlético-MG, o tricolor das Laranjeiras incomoda, sim, o arquirrival. O time rubro-negro não é hexa do Campeonato Carioca desde 2019 porque havia o Fluminense no caminho nas decisões de 2022 e de 2023. Invicto e com apenas um gol sofrido, o Flamengo vetou o tri ao eliminar a trupe de Fernando Diniz nas semifinais e derrotar o Nova Iguaçu por 4 x 0 no placar agregado da decisão: 3 x 0 na ida e 1 x 0 na volta. Os dois jogos, no Maracanã.

A conquista do Flamengo é incontestável. As atuações contra o Nova Iguaçu não foram tão convincentes. O adversário não é fraco. Carlos Vitor fez excelente trabalho à frente do time da Baixada. Mereceu receber de Tite a medalha de campeão carioca e dividir com o colega espaço na foto de campeão ao lado da taça. Eliminar o Vasco em dois jogos foi grande feito. Superar o time mais caro do Brasil e da América do Sul foi missão impossível.

O nível técnico do Flamengo seria outro na final em uma hipotética decisão contra o Botafogo, o Fluminense ou o Vasco. O time fez o suficiente para evitar a zebra. Resolveu a decisão no primeiro jogo, foi pragmático no segundo e economizou energia para as duas partidas importantes desta semana: o Palestino, no Maracanã, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores; e o Atlético-GO, no Serra Dourada, na estreia no Brasileirão.

O peso do adversário na final do Carioca tornou o time displicente em alguns lances, desconectado nos passes, sem capricho em algumas finalizações. Mais de 60 mil torcedores foram ao Maracanã convictos da conquista do 38º título estadual, mas queriam ver gol. Só viram ao ensurdecer o técnico Tite aos gritos de “Bruno Henrique”.

Everton Cebolinha colocou duas bolas na trave. Saiu justamente para a entrada de Bruno Henrique. O xodó da torcida não desapontou a “nação” e muito menos Tite. Que lançamento do zagueiro Léo Pereira para o lateral-esquerdo Ayrton Lucas. Que assistência dele para o atacante. E que finalização de Bruno Henrique no gol do título. Era tudo o que a torcida desejava para encerrar o domingo de festa no Maracanã.

Daqui em diante, o sarrafo vai subir. Por sinal, aumentou na estreia contra o MIllonarios da Colômbia na primeira rodada da Libertadores. O Flamengo não ficará tantos jogos sem sofrer gol no Campeonato Brasileiro. Os jogos serão duríssimos, a conta do primeiro contra o Atlético-GO. Campeã goiana, a equipe de Jair Ventura oferecerá muita resistência.

Lamento um desperdício. Tite deveria ter testado o Flamengo com três zagueiros durante o Campeonato Carioca. Quem conta com Fabrício Bruno, Léo Pereira, David Luiz e Léo Ortiz não pode prescindir dessa possibilidade. Dois dos melhores time do Tite jogavam com linha de três: o Grêmio campeão da Copa do Brasil em 2001 e o São Caetano, terceiro colocado no Campeonato Brasileiro de 2003, o primeiro da era dos pontos corridos.

O Millonarios e o Nova Iguaçu neutralizaram pontos fortes nos últimos dois jogos. Portanto, é preciso ter repertório. Capacidade de reinvenção dentro dos micro jogos, como diz Tite. A repetição do time-base é ótima, porém alguns movimentos começam a ficar manjados.

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Marcos Paulo Lima

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