Zé Ricardo: oito meses de trabalho no Botafogo. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Os cartolas votaram em massa contra a proposta da CBF de estabelecer cota para a troca de técnicos no Campeonato Brasileiro. Perfeito. Entendo que cada clube tem mesmo o direito de tocar a administração como quiser, de acordo com os resultados, a produtividade do colaborador. Acho até que a tolerância com os treinadores tem sido um tiquinho maior que zero.
Para você ter uma ideia da guilhotina que é o futebol brasileiro, as cinco principais ligas nacionais da Europa caminham para o fim da temporada. Fiz um levantamento: até agora, são seis trocas de técnico no Inglês, seis no Alemão, oito no Francês, 11 no Espanhol e 12 no Italiano.
Por aqui, faltam duas semanas para a largada da Série A. Dos 20 times, quatro mudaram de técnico antes mesmo do início da principal competição nacional da temporada: Atlético-MG, Botafogo, Bahia e São Paulo. Há quem defenda a tese de que os estaduais só servem para derrubar os “professores”. Curiosamente, nenhum dos quatro demitidos — Levir Culpi, Zé Ricardo, Enderson Moreira e André Jardine — perdeu o emprego por causa dos contestados torneios.
André Jardine deixou o comando do São Paulo porque não atingiu a meta de classificar o São Paulo para a fase de grupos da Libertadores. O time escalado por ele foi incapaz de superar o Talleres, da Argentina. Na etapa seguinte, o carrasco tricolor não passou pelo Palestino, do Chile. André Jardine saiu, Vágner Mancini fez a transição e Cuca assumiu fazendo milagre: a equipe do Morumbi eliminou o Palmeiras e está na final do Campeonato Paulista.
Trocas de técnico nas 5 principais ligas da Europa em 2018/2019
- Italiano: 12
- Espanhol: 11
- Francês: 8
- Alemão: 6
- Inglês: 6
Enderson Moreira não foi demitido por causa do Estadual. A diretoria foi até tolerante com ele. Manteve o técnico depois da eliminação na Copa Sul-Americana, mas não aceitou a queda precoce na Copa do Nordeste. Resultado: o treinador deu lugar a Roger Machado — finalista do Campeonato Baiano contra o Bahia de Feira de Santana.
A gota d’água para Levir Culpi e Zé Ricardo não foi o Estadual. O Atlético-MG é finalista contra o Cruzeiro. No entanto, a péssima campanha do Galo na Libertadores — culminando com a goleada por 4 x 1 contra o Cerro Porteño — indicou a porta da rua ao treinador.
A diretoria do Botafogo também teve uma dose a mais de paciência com Zé Ricardo. Sob o comando dele, o Glorioso escapou do rebaixamento ano passado, mas neste ano o trabalho desandou. A cúpula alvinegra fez vistas grossas para o fracasso na luta pelo bicampeonato carioca, ficou satisfeita com a classificação na Copa Sul-Americana, mas reprovou a queda precoce na Copa do Brasil. Afinal, um time endividado está fora do torneio que oferece a maior premiação da temporada. Impossível não compreender a decisão.
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