Brasil não sofre gol há três jogos pela 1ª vez no ciclo para a Copa de 2026

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“Eu sou italiano. Eu sou italiano”, respondeu Carlo Ancelotti na sala de conferências da Neo Química Arena na Data Fifa de julho, ao ser questionado por mim sobre a satisfação de estrear no Brasil sem sofrer gol contra o Equador, em Quito, e o Paraguai, em São Paulo.

Carlo Ancelotti foi além na vitória por 3 x 0 contra o Chile. A Seleção está há três jogos sem ser vazada pela primeira vez no ciclo para a Copa do Mundo de 2026. O interino Ramon Menezes não conseguiu. Fernando Diniz e Dorival Júnior também não.

A última sequência tripla do Brasil sem sofrer gol faz três anos. Foi sob o comando de Tite, justamente na reta final das Eliminatórias para a Copa de 2022. A Seleção goleou Paraguai, Chile e Bolívia pelos mesmos resultados: 4 x 0. A invencibilidade caiu na partida seguinte, um amistoso contra a Coreia do Sul com a vitória verde-amarela por 5 x 1.

De novembro de 2020 a junho de 2021, o Brasil ficou seis jogos sem sofrer gol. Tite desafia o amigo Carletto a repetir a série. Não será fácil. O próximo compromisso é contra a Bolívia na altitude de 4.100 m de El Alto. Nas Eliminatórias anteriores, o Brasil foi até La Paz e goleou o adversário por 4 x 0 na última rodada a 3.600 m acima do nível do mar, no Hernando Siles.

O Brasil arriscou sofrer gol diante do frágil Chile, no Maracanã, mas o goleiro Alisson evitou. Ele saiu zerado do Maracanã porque o Brasil se impôs do início ao fim, e essa é a melhor notícia de mais um passo na evolução rumo à Copa do Mundo de 2026.

O Brasil teve 64% de posse de bola sem desfrutar de um meio de campo controlador do jogo. Casemiro e Bruno Guimarães não têm essa característica, mas quarteto ofensivo formado por Estêvão, Raphinha, João Pedro e Gabriel Martinelli deu conta de retê-la.

Estêvão e Luiz Henrique são as grandes notícias da vitória contra o Chile. Em 2022, o Brasil tinha apenas Raphinha e Antony para a ponta-direita. Agora, temos no mínimo cinco se acrescentarmos Savinho a essa disputa. Uma senhora dor de cabeça para Carlo Ancelotti. Estêvão fez o dele. Luiz Henrique deu praticamente duas assistências. Não fez o dele porque Bruno Guimarães aproveita o rebote do travessão.

Última sequência de 3 jogos sem sofrer gol

  • 01/02/2022 – Brasil 4 x 0 Paraguai (Eliminatórias)
  • 24/03/2022 – Brasil 4 x 0 Chile (Eliminatórias)
  • 29/03/2022 – Bolívia 0 x 4 Brasil (Eliminatórias)

Há fartura também na esquerda com Vinicius Junior e Gabriel Martinelli. Rodrygo é versátil, tem capacidade para atuar em todas as funções do ataque, mas também prefere atuar aberto na esquerda. Ancelotti ainda deve testar Samuel Lino justamente naquele setor.

A fartura de pontas contrasta com a carência de centroavantes decisivos. Richarlison não balançou a rede contra o Equador. Matheus Cunha deu assistência diante do Paraguai, João Pedro não teve uma finalização limpa nos pés e atuou mais como pivô do que nove raiz. Artilheiro isolado do Brasileirão, Kaio Jorge teve pouco tempo para mostrar serviço.

Lucas Paquetá, sim, colocou imenso ponto de interrogação na cabeça de Carlo Ancelotti não somente devido ao gol no cruzamento de Luiz Henrique, mas pela movimentação. Que tal prescindir de um dos quatro atacantes para fortalecer o meio de campo com Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá?

Quando o Brasil foi eliminado pela Croácia, o abalado Tite evitou manifestar-se sobre o legado do ciclo para a Copa do Catar. Limitou-se a dizer que “o tempo responderia”. Quatro anos depois, o Brasil pode ter novamente o meio de campo formado por Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá. Agora, com o tempero do amigo Carlo Ancelotti.

Há uma entressafra nas laterais. Sou exigente com esse setor. Wesley e Douglas Santos atuaram bem, é verdade, mas não cravo ambos como titulares. Esse é um drama a ser resolvido nos últimos capítulos dessa novela interminável que virou o ciclo para 2026.

A melhor de todas as notícias é a seguinte: Carlo Ancelotti tem pelo menos três modelos de jogo na cabeça e tenta consolidá-los a toque de caixa. Usou o 4-4-2 contra o Equador, recorreu ao 4-2-4 diante do Paraguai e do Chile e mostrou variações no decorrer da partida como o 3-2-5. Acho que o italiano deveria acrescentar uma configuração ao repertório, mas é tema para outra análise.

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Brasil Bruno Guimarães Carlo Ancelotti Chile Estêvão Lucas Paquetá Seleção

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