Botafogo sofre com a falta de variação tática sob o comando de Anselmi

Compartilhe

O Botafogo acumula seis derrotas consecutivas na temporada. Perdeu duas vezes para o Fluminense e uma para Vasco, Grêmio, Flamengo e Nacional nesta quarta-feira na altitude de 4.000m de Potosí, na Bolívia, em partidas de três competições diferentes: Carioca, Brasileirão e Pré-Libertadores. Não, isso não pode ser considerado normal.

A sequência é causada por um motivo: a falta de flexibilidade do técnico Martin Anselmi. O argentino é bom técnico. Se não fosse, não teria no currículo os títulos da Copa Sul-Americana, Recopa Sul-Americana, Copa Equador e Supercopa do Equador. A questão é o apego ao mesmo sistema de jogo no Unión La Calera, Independiente del Valle, Cruz Azul, Porto e agora no Botafogo.  Ele tem uma fidelidade canina a defesas com linha de três.

Ironicamente, Martin Anselmi iniciou a passagem pelo Botafogo escalando o time com uma linha de quatro: Vitinho, Mateo Ponte improvisado na zaga ao lado de Barboza e Alex Telles na lateral esquerda na vitória por 1 x 0 contra o Volta Redonda na estreia no Carioca. Foi só.

Depois disso, abraçou a linha de três, não largou e nem indica mudança. A altitude levou Martin Anselmi a fortalecer a linha defensiva e transformá-la praticamente em cinco defensores na tentativa de controlar o Nacional de Potosí. O time boliviano balançou a rede.

A falta de variação tática e os recorrentes improvisos na defesa ao utilizar zagueiros que nem sempre são especialistas é uma demanda para Martin Anselmi resolver. A falta de pontaria nas finalizações, não! O Botafogo poderia ter voltado da Bolívia no mínimo com empate.

Matheus Martins desperdiçou a melhor oportunidade do Botafogo no primeiro tempo. Na etapa final, foi a vez de Álvaro Montoro falhar praticamente embaixo da trave. Alex Telles tentou resolver em uma cobrança de falta e quase conseguiu igualar o placar.

O resultado contra o Nacional de Potosí estava dentro do previsto. A sequência de seis derrotas consecutivas, não. Bruno Lage, por exemplo, caiu em 2023 depois de uma série de cinco partidas sem vencer. Renato Paiva e Tiago Nunes caíram por muito menos porque o trabalho simplesmente não mostrava evolução.

Como o dono da SAF John Textor está focado em outros assuntos, Martin Anselmi ganha tempo para colocar a casa em ordem. As respostas precisam ser imediatas contra o Boavista na Taça Rio e na volta contra o Nacional de Potosí no Estádio Nilton Santos.

Leia também:

Saída de Coutinho do Vasco expõe relação tóxica entre ídolos e torcidas

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

Publicado por
Marcos Paulo Lima
Tags: Análise tática Botafogo Brasileirão 2026 Carioca crise no Botafogo John Textor linha de três Martin Anselmi Nacional de Potosí Pré-Libertadores

Posts recentes

  • Esporte

Copa volta a ter quatro campeões nas semifinais depois de 36 anos

New Jersey — Virou Copa dos Campeões. Pela primeira vez, em 36 anos, as semifinais…

2 dias atrás
  • Esporte

Personagem do Dia 31: Hey, Jude! Bellingham é o mantra da Inglaterra

New Jersey — Paul McCartney escreveu Hey Jude em 1968 para consolar um menino. Julian…

2 dias atrás
  • Esporte

Personagens do Dia 30: Courtois, Lammens e o crepúsculo da geração belga

A Copa do Mundo condensou 15 anos da história da Bélgica em uma única substituição.…

3 dias atrás
  • Esporte

Blindagem do ranking da Fifa funciona e encaminha semis de peso

Nova Jersey — Quantas vezes você ouviu dizer que o ranking da Fifa não serve…

3 dias atrás
  • Esporte

Personagem do Dia 29: Mbappé e os 0,12% na história das Copas do Mundo

Boston — Sete mil duzentos e noventa e cinco jogadores disputaram pelo menos um jogo…

4 dias atrás
  • Esporte

Podcast | Fast Foot #7: A queda do Brasil e o início das quartas na Copa

O sétimo episódio Podcast “Fast Foot” do blog Drible de Corpo na Copa do Mundo…

5 dias atrás