Matheus Martins perdeu a melhor chance do Botafogo na derrota para o Nacional. Foto: Vitor Silva/Botafogo
O Botafogo acumula seis derrotas consecutivas na temporada. Perdeu duas vezes para o Fluminense e uma para Vasco, Grêmio, Flamengo e Nacional nesta quarta-feira na altitude de 4.000m de Potosí, na Bolívia, em partidas de três competições diferentes: Carioca, Brasileirão e Pré-Libertadores. Não, isso não pode ser considerado normal.
A sequência é causada por um motivo: a falta de flexibilidade do técnico Martin Anselmi. O argentino é bom técnico. Se não fosse, não teria no currículo os títulos da Copa Sul-Americana, Recopa Sul-Americana, Copa Equador e Supercopa do Equador. A questão é o apego ao mesmo sistema de jogo no Unión La Calera, Independiente del Valle, Cruz Azul, Porto e agora no Botafogo. Ele tem uma fidelidade canina a defesas com linha de três.
Ironicamente, Martin Anselmi iniciou a passagem pelo Botafogo escalando o time com uma linha de quatro: Vitinho, Mateo Ponte improvisado na zaga ao lado de Barboza e Alex Telles na lateral esquerda na vitória por 1 x 0 contra o Volta Redonda na estreia no Carioca. Foi só.
Depois disso, abraçou a linha de três, não largou e nem indica mudança. A altitude levou Martin Anselmi a fortalecer a linha defensiva e transformá-la praticamente em cinco defensores na tentativa de controlar o Nacional de Potosí. O time boliviano balançou a rede.
A falta de variação tática e os recorrentes improvisos na defesa ao utilizar zagueiros que nem sempre são especialistas é uma demanda para Martin Anselmi resolver. A falta de pontaria nas finalizações, não! O Botafogo poderia ter voltado da Bolívia no mínimo com empate.
Matheus Martins desperdiçou a melhor oportunidade do Botafogo no primeiro tempo. Na etapa final, foi a vez de Álvaro Montoro falhar praticamente embaixo da trave. Alex Telles tentou resolver em uma cobrança de falta e quase conseguiu igualar o placar.
O resultado contra o Nacional de Potosí estava dentro do previsto. A sequência de seis derrotas consecutivas, não. Bruno Lage, por exemplo, caiu em 2023 depois de uma série de cinco partidas sem vencer. Renato Paiva e Tiago Nunes caíram por muito menos porque o trabalho simplesmente não mostrava evolução.
Como o dono da SAF John Textor está focado em outros assuntos, Martin Anselmi ganha tempo para colocar a casa em ordem. As respostas precisam ser imediatas contra o Boavista na Taça Rio e na volta contra o Nacional de Potosí no Estádio Nilton Santos.
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