Trezes meses depois de demitir, Botafogo recontrata Barroca. Foto: Divulgação/Botafogo
Lamentavelmente, o Botafogo é a mais uma síntese de um futebol brasileiro que não sabe muito bem o que quer. Há pouco mais de um ano, o clube carioca demitia Eduardo Barroca sem nenhuma convicção do que estava fazendo. O Glorioso não brigaria pelo título do ano passado, óbvio. No entanto, esperava que o competente profissional com boas passagens por Madureira, Sendas, Corinthians, Flamengo e o próprio Botafogo no título do Campeonato Brasileiro Sub-20 de 2016, resolvesse todos os problemas do time em um passe de mágica na estreia como treinador profissional.
Eduardo Barroca tinha propostas modernas para o Botafogo. Implementar a valorização da posse de bola era uma delas. O técnico sabia que o campeonato alvinegro era no meio da tabela. Totalmente fora da realidade, a diretoria esperava mais. Queria brigar – sem poder – com os elencos caríssimo dos favoritos Palmeiras e Flamengo, por exemplo. Olhou para as 10 vitórias, 3 empates e 14 derrotas em 27 partidas e mandou para a lixeira o tal do projeto de longo prazo.
Jamais saberemos, mas o que seria o Botafogo, hoje, se o trabalho de Eduardo Barroca não tivesse sido interrompido naquele 6 de outubro de 2019 depois da derrota por 1 x 0 para o Fluminense pelo Brasileirão? Talvez, o trabalho apresentasse evolução e a cara do Botafogo fosse outra. Mas paciência de Jó é somente de Jó. Ao anunciar Barroca como substituto do argentino Ramon Diaz, o técnico que não estreou, o Botafogo completa o giro de 360 graus, ou seja, assume ter andado em círculo e tenta recuperar o tempo perdido ao dispensar Barroca.
O Botafogo tinha 27 pontos em 23 jogos e ocupava a 12ª posição em 2019 quando demitiu Eduardo Barroca. Trezes meses e quatro técnicos difrentes depois, tem 20 pontos em 22 jogos na vice-lanterna do Brasileirão e assina atesto de incompetência ao recontratar Barroca e reconhecer que o treinador campeão brasileiro sub-20 em 2016 pelo clube fazia, sim, um bom trabalho.
Da saída ao retorno de Barroca, quatro treinadores comandaram o Botafogo. Nenhum deles com conceito de trabalho semelhante ao do treinador recontratado. Alberto Valentim, Paulo Autuori, Bruno Lazaroni e Ramon Diaz não têm nada a ver com Barroca. Pior do que a falta de um norte para o estilo de futebol é visível retrocesso do Botafogo na classificação.
Em 6 de outubro de 2019, Barroca deixou o Botafogo na 12ª posição com 27 pontos. O Cruzeiro era o primeiro time do Z-4 com 20 pontos. O Glorioso ainda não havia vencido no segundo turno, mas tinha gordura para queimar, mas a diretoria escolheu o caminho da precipitação. “A gente precisa de uma reação imediata no campeonato”, alegou o vice de futebol Gustavo Noronha.
Treze meses depois, o Botafogo entrega uma bomba nas mãos de Barroca na mesmíssima rodada em que ele deixou o clube. O Botafogo é o vice-lanterna do Brasileirão com 20 pontos em 22 jogos. Sete pontos e um jogo a menos do que tinha com Barroca, em 2019. Prova de uma diretoria perdida. Síntese de um futebol brasileiro que insiste em caminhar em círculo.
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