Bipolaridade do Brasil na vitória contra o Peru lembra trechos da eliminação traumática da Copa

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Jogos eliminatórios exigem altíssimo nível nos dois tempos. Nem sempre em um basta. Foi assim, por exemplo, na derrota por  2 x 1 para a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia, em 2018. A Seleção teve atuação ruim na etapa inicial. Na volta do intervalo, deixou a sensação de que seria possível, no mínimo, forçar a prorrogação.

Trechos da vitória por 1 x 0 contra o Peru na semifinal desta noite da Copa América lembram aquele duelo com a Bélgica. Às avessas, claro. O primeiro tempo do Brasil no estádio Nilton Santos, no Rio, foi parecido com o do segundo na eliminação do Mundial. E o segundo, semelhante ao da etapa inicial diante dos belgas. Essa bipolaridade é um risco.

Se Roberto Martínez surpreendeu Tite naquele primeiro tempo — e o técnico da Seleção demorou a interpretar o jogo —, Ricardo Gareca fez o mesmo com ele no segundo tempo da semifinal. O comandante peruano abriu mão do 5-4-1 para o 4-4-2 e passou a agredir o Brasil na etapa final. Saiu de 36% de posse de bola na etapa inicial para pico de 53%. Teve, inclusive, oportunidades para empatar a partida e forçar a disputa por pênaltis. Tite novamente demorou a reagir e apostou na zona de conforto: a segurança do sistema defensivo.

O Peru não conseguiu porque a defesa de Tite é segura. Tão ou mais do que aquela do Corinthians de 2015, campeão brasileiro com 12 das 38 vitórias por um gol de diferença, ou seja, praticamente um terço. Assim como nos triunfos sobre a Colômbia na fase de grupos e o Chile nas quartas de final, o Brasil venceu o Peru no limite. Um golzinho de diferença.

Autor do gol da vitória depois de um lance individual de Neymar na esquerda, o meia Lucas Paquetá se consolida como candidato, repito, candidato a novo Renato Augusto. O jogador do Lyon é versátil, tem, sim, leitura de jogo, e o melhor: estabeleceu conexão com Neymar.

O gol da vitória sobre o Chile nasceu em uma tabelinha entre Neymar e Paquetá, e o meia estufou a rede de Bravo. O da vitória de hoje outra vez teve assinatura dos novos parças.

Indepentemente do adversário na final da Copa América, o Brasil terá um grande teste no sábado à noite contra Argentina ou Colômbia, que se enfrentarão nesta terça, às 22h, no Mané Garrincha. Messi está jogando muita bola. É o artilheiro isolado da Copa América com quatro gols e deu quatro assistências.

O jogador eleito seis vezes melhor do mundo está focado na conquista do título. A força coletiva da Colômbia foi um excelente desafio para o Brasil na fase de grupos, com direito a virada polêmica com passe de Nestor Pitana e gol de Casemiro nos acréscimos.

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Marcos Paulo Lima

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