As veias abertas da América do Sul: como times e seleções perderam o respeito nos torneios da Fifa

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Sim, o raio cai quatro vezes no mesmo lugar. Especificamente, na América do Sul. Pela quarta vez, o campeão da Libertadores está fora da final do Mundial de Clubes da Fifa. O Internacional abriu a série de vexames em 2010 ao ser eliminado pelo Mazembe, da República Democrática do Congo. O Atlético-MG pagou mico em 2013 no duelo com o Raja Casablanca, do Marrocos. A Atlético Nacional vive pesadelo contra o Kashima Antlers, do Japão, em 2016. Nesta edição, o River Plate caiu diante do Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos — adversário do Real Madrid na decisão deste sábado, em Abu Dabi.

A queda do River Plate, nove dias depois de conquistar a Libertadores contra o arquirrival Boca Juniors, no Santiago Bernabéu, em Madri, aumenta para seis anos o jejum da América do Sul no Mundial. O Corinthians foi o protagonista do último título. Superou o Chelsea, em 2012. De lá para cá, somente clubes europeus levantaram o troféu.

A arrogância sul-americana chama a sucessão de micos no Mundial de Clubes de zebra — expressão criada pelo técnico Gentil Cardoso ao afirmar que o Bangu seria campeão carioca em cima do Flamengo em 1966. Cá entre nós, isso deixou de ser zebra faz tempo. Basta observarmos os resultados dos clubes e das seleções deste lado do Oceano Atlântico nas competições organizadas pela Fifa. É um pior do que o outro…

A América do Sul não ganha a Copa do Mundo desde 2002. Os últimos canecos ficaram com Itália (2006), Espanha (2010), Alemanha (2014) e França (2018). Três destas quatro edições tiveram finais europeias. Apenas a Argentina decidiu o título, em 2014. Detalhe: a Europa conquistou um título na América. Até então, isso nunca havia acontecido. Só para não deixar passar, a Alemanha é a atual campeã da Copa das Confederações.

As últimas três edições do Mundial Sub-20 ficaram com França (2013), Sérvia (2015) e Inglaterra (2015). A vergonha do continente é maior ainda no Mundial Sub-17. O Brasil deu a volta olímpica em 2003. Depois daquela conquista, houve sete edições: dois títulos do México, três da Nigéria, um da Suíça e um da Inglaterra.

Depois do vexame contra o Al Ain, o técnico Marcelo Gallardo atribuiu o novo vexame sul-americano à ressaca da conquista contra o Boca. A desculpa não cola. Em 1981, o Flamengo, de Zico, faturou três títulos em 21 dias: a Libertadores na batalha de três jogos contra o Cobreloa, a decisão do Campeonato Carioca contra o arquirrival Vasco e a Copa Intercontinental, precursora do Mundial de Clubes, em Tóquio, no Japão, contra o Liverpool.

A América do Sul precisa entender que a zebra está em extinção. Não aconteceu uma, duas ou três vezes. São quatro eliminações nas semifinais em nove anos. É muito. Dizem que os clubes europeus não dão bola para o Mundial, mas são soberanos no torneio desde 2013. Numa boa, eles não levam mais a sério times e seleções sul-americanas. Afinal, quando se trata de evento Fifa, estamos nivelados por baixo. Somos um Al Ain da vida… Nós viramos as zebras!

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Marcos Paulo Lima

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