Blog Drible de Corpo

Blog Drible de Corpo

Marcos Paulo Lima

Análises, opinião e lembranças do arco-da-velha sobre o futebol. 5.117 publicações

4 min de leitura

A vida pós-Allan: Arias e Giay apresentam o novo lado direito do Palmeiras

Colombiano retomou a zona de conforto e o argentino deu a primeira assistência na vitória contra o Santos, a primeira depois da venda oficial do Menino do Parque ao Manchester City

Arias (D) comemora o gol do parceiro do meio de campo Andreas Pereira contra o Santos. Foto: Cesar Greco/Palmeiras

A primeira exibição do Palmeiras depois da venda de Allan para o Manchester City por 40 milhões de euros pode ser considerada um calmante para a torcida alviverde. O maior questionamento antes da vitória por 3 x 0 contra o Santos no duelo de ida pelas quartas de final da Copa do Brasil era como funcionaria o lado direito do ataque sem ele. 

Em tese, a resposta era óbvia, mas os “são tomés” queriam ver para crer – e viram na pratica. John Arias foi deslocado para a zona de conforto dele. O colombiano jamais escondeu a preferência pelo lado direito. Jogava do lado esquerdo justamente porque Allan estava comendo a bola naquela banda e se firmou lá desde a Copa do Mundo de Clubes da Fifa disputada no ano passado nos Estados Unidos. 

Abel Ferreira iniciou a partida no Nubank Parque no sistema 4-4-2. Do meio para a frente, Arias aberto na direita, Andreas Pereira e Marlon Freitas centralizados e Mauricio na esquerda. À frente deles, Flaco López, o nome do jogo e do time com dois gols, e Vitor Roque. Aparentemente, o time sem Allan passa a ser esse na maratona cada vez mais possível pelos títulos da Copa do Brasil, do Brasileirão e da Libertadores na temporada.

A resposta à venda de Allan ganhou ainda mais força com a boa atuação de Giay. A carência de um lateral-direito no mesmo nível do canhoto Piquerez era o principal argumento para Abel Ferreira usar três zagueiros e Allan praticamente no papel de ala direito. O português não confia totalmente nem em Giay nem em Khellven. 

Giay conseguiu se superar. Jogou bem contra o frágil Santos. Deu assistência para o segundo gol de Flaco López. Acredite se quiser: foi o primeiro passe de Giay para gol desde o desembarque dele no clube vindo do San Lorenzo da Argentina. Detalhe: Giay perdeu gol feito. Arias também teve uma oportunidade de balançar a rede.

Mais relevante do que a reconstrução do lado direito depois da saída de Allan somente a exibição de gala, mas uma, de Flaco López. Ele é definitivamente o protagonista alviverde. O cara do lance decisivo, da última bola, como se diz na NBA, a liga de basquete profissional dos Estados Unidos. Chute de fora da área aumentou o repertório, como se fosse o arremesso de três de estrelas como Stephen Curry. 

Impressiona como a presença na seleção argentina ao lado de Lionel Messi, Julian Álvarez, Lautaro Martínez e companhia elevou o nível do atacante. É como no ditado popular: “Diga-me com quem andas e direi quem és”. Treinou com os caras e evoluiu muito. Basta lembrar que ele deu assistência na vitória contra a Suíça na Copa do Mundo.

Para não dizer que não falei do Santos, vou ser curto e grosso: considero o trabalho do Cuca ruim e desgastado do ponto de vista das relações humanas. Há dois indicadores muito importantes sinalizando um barril de pólvora no Centro de Treinamento Rei Pelé.

O primeiro é insatisfação de Gabriel Barbosa com a substituição no fim de semana e o banco no duelo com o Palmeiras. O segundo, o ruído causado pela ausência de Neymar no Nubank Parque. O camisa 10 publicou que estava disponível. Logo, o gramado sintético não era o problema. Cuca fala em opção técnica e tática diante da maratona em três competições e do risco iminente do segundo rebaixamento no Brasileirão. Está tudo muito estranho.