A dor de Rogério Maia: ex-preparador de goleiros do Flamengo apostava no sucesso de Bernardo Pisetta

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Preparador de goleiros da Seleção Brasileira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, e do elenco principal do Flamengo na temporada passada, Rogério Maia sentiu muito a perda de um adolescente apontado por ele como uma grande promessa das divisões de base do clube carioca: Bernardo Pisetta, de 14 anos. Durante a passagem pelo clube em 2018, Maia ficou encantado com o catarinense de Indaial ao colocá-lo para trabalhar com os jogadores do time principal.

“Tenho costume de relacionar os dois goleiros que não iam para o jogo e o pessoal da base, um ou dois goleiros e o preparador deles. Isso era para fazer integração, conhecer os goleiros e promover um intercâmbio entre os garotos da base e do profissional”, recordou Maia em entrevista ao blog nesta sexta, depois do treino do Vitória.

Em uma das atividades comandadas por Maia no Flamengo, Bernardo teve sorte. Foi escolhido para trabalhar pertinho dos goleiros do Flamengo à época: Diego Alves, Julio Cesar, César, Tiago e Gabriel Batista. O preparador de goleiros conta que os meninos ficavam encantados com a presença de Julio Cesar — melhor goleiro do mundo em 2010.

Bernardo tinha um diferencial: não se intimidava no meio das feras. “Em um treino, ele trabalhou com os jogadores profissionais e fez um treino sensacional, espetacular. Comentei com o (Carlos) Noval (diretor das divisões de base: ‘Que personalidade, esse aí tem futuro’. Quando eu recebi a notícia da morte dele, eu fiquei muito abalado”, conta.

Rogério Maia aponta quais eram as virtudes do menino. “Um rapaz muito corajoso, disciplinado, técnico. Jovem, mas com uma personalidade adulta. É o que te falei. A ideia era colocá-lo para treinar somente entre os goleiros. A gente o colocou para trabalhar com o grupo da linha. O Bernardo parecia uma veterano. Eu dizia para o Noval: ‘olha aí, que espetáculo’. Não dá para projetar, dimensionar qual seria o limite dele, mas era bom”.

O ex-preparador de goleiros do Flamengo conhecia pouco Christian Esmério, o outro goleiro ceifado no incêndio do Ninho do Urubu. “Só de vista, de cumprimentá-lo”. Diz também que não conheceu o contêiner em que os jogadores da base estava alojados. Segundo ele, os profissionais ficavam distante do local da base e os jogadores do elenco principal não costumavam passar perto do espaço da base.

Catarinense, Bernardo tinha como um dos ídolos o goleiro de um time do estado natal dele: Danilo, da Chapecoense, uma das 71 vítimas do acidente do voo LaMia em novembro de 2016. Na época, ele publicou uma foto ao lado de Danilo e escreveu no Facebook. “Sem palavras #forçachape”.

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Marcos Paulo Lima

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