Fábio Carille é um dos campeões na era dos pontos corridos desempregado. Foto: Ivan Storti/Santos FC
A demissão de Fábio Carille do Santos é simbólica. Mais uma triste demonstração de como o fardo de ser técnico no Brasil é pesado. A imunidade é zero, mesmo tendo o nome na seleta lista dos vencedores do Campeonato Brasileiro na era dos pontos corridos. Aposentados e afastados por motivos de saúde à parte, apenas três dos 12 profissionais campeões no atual formato da Série A estão empregados em clubes nesta temporada: Abel Braga (Fluminense) e Rogério Ceni (São Paulo). E olhe lá. Ambos não são unanimidade onde estão.
A era dos pontos corridos começa, em 2003, com dois títulos consecutivos de Vanderlei Luxemburgo. O primeiro pelo Cruzeiro. O segundo, no Santos. O profexô está desempregado desde que foi demitido por Ronaldo, novo sócio majoritário e dono do Cruzeiro.
Antônio Lopes levou o Corinthians ao título em 2005. O Delegado pendurou a prancheta.
Muricy Ramalho brindou o São Paulo com o tricampeonato, de 2006 a 2008, e levou o Fluminense ao título em 2010. O ritmo ritmo frenético de vida consumiu a saúde do baita treinador e ele decidiu se afastar da função. Depois da vibe de comentarista, assumiu o cargo não menos estressante de coordenador de futebol do tumultuado São Paulo.
Andrade foi de interino a técnico efetivado do Flamengo na campanha do título de 2009. Depois daquele feito, o único técnico negro campeão na era dos pontos corridos teve oportunidades no Brasiliense, Paysandu, São João da Barra, Jacobina, Petrolina e caiu no esquecimento do mercado.
Tite conseguiu fazer de dois títulos um trampolim para a Seleção Brasileira. Ganhou a primeira vez com o Corinthians, em 2011, e repetiu o feito quatro anos na temporada de 2015. Segue vinculado à CBF.
Marcelo Oliveira comandou aquele baita Cruzeiro do bicampeonato em 2013 e 2014, mas está desempregado desde 2020, quando deixou o comando da Ponte Preta.
Cuca, talvez, seja a síntese da exaustão de um profissional no futebol brasileiro. Em 2016, tirou o Palmeiras da fila de 17 anos. Logo depois do desgaste, tirou meses sabáticos. No ano passado, comandou a temporada dos sonhos do Atlético-MG nas conquistas do Mineiro, Brasileiro e Copa do Brasil. E novamente escolheu trocar a insanidade de comandar um time pela sanidade mental de repousar.
Fábio Carille tirou leite de pedra naquele Corinthians campeão de 2017. Evitou o rebaixamento do Santos no ano passado, e a recompensa nesta sexta-feira foi passar no RH.
Luiz Felipe Scolari conseguiu guiar o Palmeiras à glória em 2018. Hoje, é mais um nome disponível no mercado. O português Jorge Jesus encantou o Brasil com aquele Flamengo, não conseguiu fazer o mesmo no Benfica, mas só não voltou a trabalhar no Atlético-MG, Corinthians ou até mesmo na Europa porque quer. Ele curte em casa uma demissão remunerada paga pelo acordo com o Benfica.
No fim das contas, dos 12 técnicos campeões na era dos pontos corridos, três estão na ativa. Mentor do título do Fluminense em 2012, Abel Braga comanda o tricolor carioca. Questionado, xingado, mas é. Líder do Flamengo em 2020, Rogério Ceni se segura como pode no São Paulo. Assim como Abel Braga, vive uma eterna DR com a diretoria, jogadores e torcida. O equilibrista Tite conseguiu uma milagre na CBF. Perdeu a Copa de 2018, mas seguiu no cargo e está pronto para outra em 2022.
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