7 contradições de Tite na derrota no Flamengo para o Peñarol no Maracanã

Compartilhe

A derrota do Flamengo para o Peñarol por 1 x 0 no primeiro jogo das quartas de final da Libertadores expôs algumas contradições de Adenor Leonardo Bachi, o Tite, e algumas tomadas de decisão de difíceis argumentos e justificativas. O técnico rubro-negro entra em contradição até mesmo ao desrespeitar alguns mantras repetidos a exaustão em discursos nas entrevistas coletivas, como o “campo fala”, por exemplo. Ao passar reforços que até pouco tempo sequer estavam jogando na frente de jogadores melhores tecnicamente e fisicamente a essa altura da temporada é outro ponto questionável. A falta de confiança na base e uma certa segregação entre jogadores de seleção e não-seleção também indicam um caminho arriscado daqui em diante na relação com o elenco. A seguir, o blog aponta sete contradições de Tite na derrota para os pentacampeões continentais.

  1. Por que não laterais-pontas?

O Flamengo do Tite é planejado com base nos pontas. Luiz Araújo, Éverton Cebolinha e Michael estão lesionados. Se o técnico não conta com os jogadores chamados por ele de “perninhas rápida” neste momento, a alternativa seria recorrer a laterais agudos, capazes de fazer essa função. Wesley e Ayrton Lucas eram as melhores opções, porém o treinador preferiu iniciar com Varela e Alex Sandro, ambos com características defensivas.

  1. Ouvido de mercador

Se o campo fala na definição da escalação, ele apontava para a continuidade de Léo Ortiz na função de volante ao lado de Pulgar, não no lugar do chileno. Tite tapou os ouvidos e o mandou para o banco a fim de recolocar De la Cruz e resgatar o meio de campo preferido: Pulgar, De la Cruz e Arrascaeta. A justificativa de que Pulgar é jogador de seleção cria hierarquia injusta. Léo Ortiz não está na Seleção Brasileira porque Dorival Júnior não quer.

  1. Fura-fila

Calouros dificilmente chegam tomando conta do pedaço nos elencos do Tite. Léo Ortiz, por exemplo, não desembarcou no Ninho do Urubu virando titular. A escalação do reforço recém-contratado foi correta contra o Vasco porque Ayrton Lucas estava suspenso, mas ele deveria ter iniciado a partida contra o Peñarol por três motivos: está mais entrosado com o time titular, apoia mais do que o concorrente e estava descansado.

  1. Confiar desconfiando

Questionado sobre a preferência por Carlinhos — e não Gabriel Barbosa — no empate com o Vasco no último domingo, Tite apontou a importância do centroavante Carlinhos na classificação contra o Bolívar, em La Paz, nas oitavas de final da Libertadores, na goleada sobre o Atlético-MG, na Arena MRV, e no triunfo contra o Vitória, no Barradão. Então por que simplesmente não o colocar em campo desde o início e manter a estrutura tática do time?

  1. Opções abaixo da capacidade

Parte da frustração de Tite nas Copas de 2018 e de 2022 tem a ver com a insistência em jogadores mal clinicamente e fisicamente na convocação e na escalação. A quantidade de contusões nos dois torneios foi grande. O técnico repete a prática no Flamengo. Embora Pulgar, Arrascaeta e De la Cruz sejam os preferidos para o meio de campo, saíram do DM há pouco tempo. Alex Sandro e Plata não jogavam desde maio. Voltaram contra o Vasco.

  1. Figurinhas por figurões

Jogadores formados nas divisões de base como Lorran foram importantes para o Flamengo em trechos da temporada e a essa altura estão praticamente esquecidos para dar atendimento prioritário a reforços recém-chegados. Em tese, Evertton Araújo, Lorran e Matheus Gonçalves estão melhores fisicamente e seriam mais úteis neste momento do que figurões que nem sequer vinham jogando antes de assinar contrato com o Flamengo.

  1. O discurso na prática é outro

No início da temporada, Tite não gostou de ser questionado na coletiva sobre time titular e reserva. Em nome do grupo, disse que isso não existe. As batalhas e as guerras mostram que o campo não fala em jogos grandes como contra o Peñarol, as preferências, sim. Set titulares estavam em campo: Rossi, Varela, Fabrício Bruno, Léo Pereira, Pulgar, De La Cruz e Arrascaeta. Seriam 11 se Pedro, Luiz Araújo, Cebolinha e Viña nas estivessem lesionados.

Twitter: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolimadf

TikTok: @marcospaulolimadf

Marcos Paulo Lima

Posts recentes

  • Esporte

Personagem do dia 11: Mohamed Salah e a última praga do Egito

Nova Jersey — Quando Mohamed Salah marcou o terceiro gol da vitória por 3 x…

1 dia atrás
  • Esporte

Personagem do dia 10: Como Hajime Moriyasu fez do Japão seleção temida

O Japão evoluiu. Em termos táticos, físicos e competitivos. A seleção nipônica na Copa do…

2 dias atrás
  • Esporte

Personagem do dia 9: Protagonismo de Vini cria dilema sobre Neymar

Filadélfia — Vinicius Junior teria confidenciado a Luiz Felipe Scolari em um encontro na Granja…

3 dias atrás
  • Esporte

Podcast | Fast Foot #2: Brasil x Haiti e o brilho dos protagonistas

New Jersey — Está no ar mais um episódio do Fast Foot, o podcast do…

4 dias atrás
  • Esporte

Personagem do dia 8: Endrick, o brasileiro que não desiste nunca de esperar

  Filadélfia — O Brasil não inicia um jogo da Copa do Mundo com um…

4 dias atrás
  • Esporte

Personagem do dia 7: O vício implacável do inglês Harry “Citizen” Kane

Alguém precisa avisar ao Harry Kane que a temporada acabou. A de clubes. Vá ser…

5 dias atrás