E Flávio joga parado…

Publicado em Política

Texto por Denise Rothenburg publicado neste domingo (1º/3) — Acendeu a luz de alerta não só no PT, mas também no PSD de Gilberto Kassab, o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter subido nas pesquisas sem ter feito um movimento sequer mais robusto. Até aqui, o filho 01 visitou banqueiros e passou uma temporada fora do país, num périplo pelo Oriente Médio. Essa subida não se deu por ele e sim por se apresentar como o anti-PT da vez. Se o PSD de Kassab não apresentar logo seu candidato, ficará mais difícil o pedessista escolhido rodar o país tirando votos do pré-candidato do PL. Hoje, calcula-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no segundo turno e o desafio é saber quem irá contra ele. Portanto, o primeiro adversário do PSD é Flávio.

Rápido no gatilho/ O filho 01 já percebeu esse tabuleiro. Por isso, o primeiro lance mais contundente que adotou nesse jogo foi fazer de Tarcísio de Freitas coordenador de sua campanha. Assim, procura tirar de Kassab qualquer aproximação maior do nome do PSD com o governador de São Paulo e candidato à reeleição.

Questão de confiança

Ainda que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a escala 6 x 1 tenha relator escolhido e seja apontada como prioridade, governistas defendem que o Palácio do Planalto envie um projeto de lei sobre o tema com urgência constitucional. É que o deputado Paulo Azi (União-BA) é visto como alguém que ficará muito longe do que o governo deseja. E ainda há o risco de enrolar muito para apresentar o relatório.

Escapou por um triz…

O recuo do governo no aumento do IPI no setor de tecnologia veio aos 45 minutos do segundo tempo. O impacto no preço de celulares e notebooks arriscava atrapalhar totalmente os planos eleitorais do PT.

… mas ainda corre risco

A oposição promete propalar aos quatro ventos que se Lula for reeleito, irá aumentar o imposto sobre os celulares. Ou seja: escapou do estrago total, mas levantou uma bola redonda para a
oposição cortar.

Guerra e preços

Nas primeiras 24 horas do ataque dos Estados Unidos ao Irã, a avaliação de especialistas é de que o preço do petróleo irá às alturas.

De olho nos números/ A presidente do Podemos, Renata Abreu, espera ampliar o quadro de senadores do partido. Atualmente, são sete. Ela aguarda, por exemplo, o retorno do senador Styvenson Valentim (PSDB-RN) à legenda. “Já tivemos um dos maiores quadros no Senado, com 11 cadeiras. Queremos voltar a crescer”, disse.

Enquanto isso, em São Paulo…/ Sem a garantia de que terá o palanque de Tarcísio no estado, Kassab começou a andar com os três pré-candidatos pelo interior paulista. A estratégia é conquistar o apoio dos prefeitos aos governadores Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), uma vez que um deles será o escolhido para concorrer ao Planalto.

Vai ficar estranho I/ Muita gente nos bastidores reclamando da participação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no ato “Fora Lula, Alexandre Moraes e Dias Toffolli”, promovido, hoje, pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). É que, enquanto o estado sofre com as chuvas, um governador deve se “agarrar no serviço” e deixar esses holofotes políticos em segundo plano.

Vai ficar estranho II/ Por outro lado, se Flávio Bolsonaro não aparecer, evitando um posicionamento à sua base eleitoral, perderá pontos entre os próprios aliados. Especialmente se a manifestação arregimentar muita gente, tal e qual o fim da caminhada de Minas a Brasília.

 

A primeira missão de Wolney

Wolney Queiroz — Crédito: kleber sales
Publicado em coluna Brasília-DF, Política

Coluna Brasília/DF, publicada em 3 de maio de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nome preferido do presidente Lula para comandar a Previdência desde o início deste terceiro governo do petista, o novo ministro Wolney Queiroz terá a responsabilidade política de tentar manter o índice de fidelidade do PDT ao Planalto. A depender da bancada, a postura daqui para frente será de independência nas votações, sem alinhamento automático. E, embora o PDT tenha apenas 18 deputados, o partido é fundamental para que o governo consiga atingir maioria. No caso da votação da urgência ao projeto que mudou as regras do Benefício de Prestação Continuada, BPC, não fossem os votos de 13 dos 18 pedetistas, o pedido não teria alcançado os 257 votos necessários. Em outras oportunidades, Lupi telefonou pessoalmente para muitos deputados dizendo que um voto contra o governo seria votar contra o presidente do partido. Wolney, que já liderou o PDT na Câmara, porém, tem um estilo muito mais discreto de atuar, terá também a missão de acalmar a bancada.

Ficamos assim/ Aliados de Wolney consideram a parte técnica mais desafiadora do que a política, porque é trabalhar e organizar a devolução dos recursos daqueles que foram lesados pela máfia do desconto indevido. Quanto à política, a aposta dos próprios deputados do PDT é de que Wolney Queiroz vai esperar a poeira baixar e, em breve, fará um jantar com a bancada, de forma a tentar acalmar os ânimos.

Homens certos nos lugares certos

O Planalto não levou em conta o fato de Wolney Queiroz estar na reunião em que Carlos Lupi foi alertado de problemas no INSS e das suspeitas de desvio de descontos nas aposentadorias. Isso porque o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto respondia diretamente ao gabinete do ministro e não ao secretário-executivo da pasta. De mais a mais, o instituto agora está mais sob a órbita da Advocacia-Geral da União (AGU), nas mãos do pós-graduado em combate à corrupção e lavagem de dinheiro Gilberto Waller Júnior.

Deixe para depois

A perspectiva de afastamento entre o PDT e o governo levou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), a dizer que os pedetistas só devem ocupar cargos em sua gestão no segundo semestre. Assim, o governo baiano espera para ver como será o comportamento do PDT para, no futuro, selar um casamento. Aliás, Lupi tinha encontro marcado em Salvador, nesta sexta-feira, e não foi por causa da crise na Previdência.

Por falar em Previdência…

Os bolsonaristas estão se organizando para tentar tirar o governo de Jair Bolsonaro desta crise. Para a próxima semana, de plenário cheio, dirão que a origem do escândalo data da década de 1990, antes ainda do primeiro governo Lula. E o que a equipe de Bolsonaro fez, em 2019, foi assinar a medida provisória, transformada em lei, criando “filtros” para esses descontos abusivos. Foi a partir daí que se exigiu autorização expressa do associado e confirmação de vínculo
com as associações.

… a pedra estava cantada

Os pedetistas sabiam que Carlos Lupi seria levado a deixar o cargo quando o presidente Lula tirou uma foto com o novo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, sem a presença do ministro. Em política, os gestos falam — e agradam ou incomodam mais — do que as palavras.

CURTIDAS

Defesa em debate/ O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro (foto), fará uma exposição para empresários em almoço do grupo Líderes Empresariais, nesta segunda-feira, em São Paulo. Os comandantes das Forças Armadas também participarão do evento, que discutirá estabilidade institucional e oportunidades de negócios no setor de defesa nacional.

As apostas do embaixador…/ No jantar oferecido ao presidente Lula na semana passada, o embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca, colocou suas fichas em dois italianos para a eleição no conclave a partir de 7 de maio: o do secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, e o do arcebispo emérito de Milão, Ângelo Scola.

… e o ditado popular/ Scola seria uma surpresa, por causa da idade, 83 anos. Em 2013, ele entrou como papa para o conclave que escolheu Francisco e saiu cardeal.

Hora de remodelar/ O baixo comparecimento aos atos do 1º de Maio mostrou que as centrais sindicais perderam o poder de mobilização. Ou repensam suas bandeiras junto aos trabalhadores, ou a tendência será de público minguado daqui para frente.