Sem saída _ políticos não querem perder o foro privilegiado

Publicado em coluna Brasília-DF

Com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prestes a apresentar mais uma fornada de políticos a serem investigados na Lava-Jato. Aqueles que se consideram incluídos nesse rol olham para 2018 sem plano B, a não ser enfrentar o eleitor e fazer cara de “foi tudo armação contra mim”.
O motivo para insistir na carreira política é simples: garantir o foro privilegiado. Ninguém quer correr o risco de ser julgado por Sérgio Moro e fazer companhia a Eduardo Cunha em Curitiba. Já tem até senador pensando em concorrer a mandato de deputado federal só para manter o foro.
Nesse movimento em busca da sobrevivência, Renan Calheiros, o líder do PMDB, planeja a candidatura à reeleição. Com Lava-Jato e tudo, buscará manter o status político que tem hoje. E, se possível, presidir o Senado. Falta combinar com os eleitores e com os futuros senadores.

Ele quer sossego…
Michel Temer repetiu esta semana que a sua disposição é a de não concorrer à reeleição. Se a economia entrar mesmo nos trilhos, a ideia dele é trabalhar no sentido de unir a sua ampla base parlamentar em torno de um nome. “Se tudo o que a gente está projetando em 2018 der certo, teremos condições de uma previsibilidade eleitoral muito maior, na qual Michel Temer será o grande condutor, e teremos uma candidatura forte, qualquer nome que seja”, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ontem, durante um evento, em Brasília.

…E seus aliados avisam:
Rodrigo Maia é direto quando se refere à situação inversa, que, aliás, servirá de alerta para levar o Congresso a votar as reformas: “Aqueles que acreditam na democracia representativa têm que ter em mente que, se o Estado não estiver reformado, entraremos 2018 com o risco do imponderável, o que não será bom para o país”, diz.

“A proposta do governo de modernização das leis trabalhistas é tímida. Temos que avançar mais nesse tema no Congresso. Excesso de proteção é insegurança. Precisamos ter a coragem
de dizer isso (…) A Justiça do Trabalho
não deveria nem existir”

Rodrigo Maia, presidente da Câmara

O clima pós-Raupp
O dia ontem foi de conjecturas sobre o futuro depois que o Supremo Tribunal Federal fez de Valdir Raupp réu da Lava-Jato com base em uma doação eleitoral legal, e não caixa dois. A maioria considera que é preciso ver o processo primeiro, para avaliar se há provas, “se não ficaremos loucos”, comentava um deputado. Ao que o outro responde: “Loucos, não! Presos!”

Bauer e Renan/ Depois do bate-boca com o líder do PMDB, Renan Calheiros, por causa das presidências das comissões do Senado, o comandante da bancada do PSDB, Paulo Bauer, fez o seguinte comentário com um amigo: “O Renan está meio agoniado e descontrolado”.

Por falar em Renan…/ Diante das declarações de Renan Calheiros ontem, com insinuações de que o presidente Michel Temer teria cedido à chantagem de Eduardo Cunha, os políticos fizeram suas apostas sobre onde Renan quer chegar: “Esculhambar Michel” foi a única resposta publicável. Veja as declarações de Renan no Blog da Denise em: www.correiobraziliense.com.br.

Samarco no aquecimento/ O presidente da Samarco, Roberto Carvalho, apresenta hoje ao ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, o plano de retomada das operações da empresa, paralisadas desde o rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015. Carvalho tem em mãos um estudo da Tendências Consultoria que alerta para os riscos de redução dos empregos na região se a paralisação persistir. E tudo o que o governo não quer é perder mais empregos no país.

Mulher no CB.Poder/ A juíza Gláucia Falsarella Foley (foto), entrevistada do CB.Poder de ontem, foi direta ao dizer que é a favor da descriminalização do consumo das drogas. “O consumo não é crime. É um problema de saúde pública. A pessoa, se quiser se autoflagelar, não é crime”, diz.