Por Denise Rothenburg — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está em contato com senadores de praticamente todos os partidos e em plena campanha pela reeleição para mais dois anos no comando da Casa. Corre à boca pequena, inclusive, que teria os votos para se reeleger, uma vez que muitos partidos vislumbram a vitória de Flávio Bolsonaro dia 25 — e, nesse caso, preferem não deixar o presidente da República com o mando geral do Poder Legislativo. Vale para muitos senadores a frase dita num jantar, em 2018, quando o recém-eleito Alcolumbre apresentou-se como candidato a presidente do Senado e as apostas eram de que Renan Calheiros (MDB-AL) levaria o cargo por ser da maior bancada. Um deputado do partido do União Brasil comentou: “Não subestimem o gordinho”, referindo-se a Alcolumbre. O senador afinou a silhueta, mas não perdeu seu poder de articulação. O aviso já foi dado ao PL: todo o cuidado é pouco.
Outro movimento/ Da mesma forma que o grupo de Alcolumbre começou a se mexer no sentido de permanecer mais dois anos no comando do Senado, crescem as conversas para, conforme revelado em primeira mão por esta coluna, tentar aprovar ainda este ano o fim da reeleição para presidente da República. Como Flávio defende essa proposta, o jogo do Centrão é no sentido de tentar deixar isso aprovado até dezembro. O fato de o senador do PL dizer que caberá ao Congresso definir se o mandato será de quatro anos ou de cinco, fez crescer o receio de que possa querer ampliar o próprio mandato. Porém, entre os aliados de Flávio, a avaliação é de que qualquer mudança do tamanho do mandato valeria para apenas o eleito em 2030. Os partidos de centro sabem que, a partir de 2027, o PL tentará dominar o jogo, uma vez que dominará o Planalto. Por isso, o que der para deixar fechado em 2026 é melhor.
Depois de Xandão…
Se houver alguma brecha, um grupo de senadores do Centrão vai querer, ainda, tentar o impeachment do ministro Flávio Dino. A prioridade “inegociável” dos bolsonaristas, porém, é o ministro Alexandre de Moraes. Dias Toffoli, que também aparece no enrosco de Daniel Vorcaro, está praticamente esquecido.
Tem para todos
Se, em 2018, o então presidente eleito Jair Bolsonaro negociou ministérios com as frentes parlamentares, desprezando os partidos, desta vez Flávio começou a tratar desse assunto com as agremiações partidárias antes mesmo de conhecer o resultado do segundo turno.
Onde mora o perigo
Um terço daqueles que votam em Flávio disseram ao Datafolha que escolheram o candidato do PL apenas para derrotar Lula. Ou seja, são eleitores que não têm o menor compromisso com os projetos que vierem de um possível governo do senador. O presidente, por sua vez, embora em desvantagem, não perdeu as esperanças de que o eleitor, com medo dos projetos de Flávio, opte pela continuidade de seu governo.
Banho de água fria
A pesquisa do Datafolha desanimou muita gente dentro do PT do Distrito Federal. A ideia era de que o candidato Leandro Grass tivesse pouco mais de 40%. Os 37% do candidato petista comparados aos 55% da governadora-candidata Celina Leão (PP) fazem muitos aliados de Grass colocarem a virada como missão impossível.
Exponham o que der/ A sugestão do senador Jorge Seif (PL-SC, foto) aos empresários, para que façam “piquete” junto aos gabinetes como uma das formas de evitar a aprovação do fim da escala 6 x 1, será usado na internet como uma “exploração” do trabalhador.
Aliás…/ Semana que vem, é só 6 x 1 no Senado. E, se houver quórum, a tendência é de aprovação.
Tem fila/ Os novos senadores estão em plena atividade em Brasília, em busca de gabinetes. Alguns, porém, ficaram meio frustrados. Um deles jurava que ficaria com o mega-gabinete do senador Renan Calheiros. Porém, não é bem assim que a coisa funciona. Ali, antiguidade é posto.
Primeiro, os antigos/ Funciona assim: quem já está no mandato, e quiser mudar, pode escolher entre os gabinetes que serão desocupados. Depois, vem quem foi reeleito. Por último, quem chega com mandato de senador pela primeira vez fica com os gabinetes que sobrarem.

