Kassab com um pé na realidade

Publicado em Política
Gilberto Kassab
Gilberto Kassab

Da coluna Brasília-DF, por Denise Rothenburg

Candidato a vice-presidente da República na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), o presidente do partido, Gilberto Kassab, não está errado ao dizer que os partidos de centro não estão neutros. Mas não estão totalmente voltados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, o PP, o MDB, o União Brasil e o Republicanos se esparramaram por três candidaturas: a de Lula, a de Flávio Bolsonaro e a de Caiado. E com o início da campanha, amanhã, vão pisar no acelerador para eleger deputados e senadores, e esperam montar um time para ser governo, independentemente de quem vencer a eleição presidencial. Aliás, nas conversas mais reservadas, os caciques desses partidos avaliam que as chances de Lula, hoje, são maiores que a de Flávio. Se o filho 01 murchar suas intenções de voto ao longo dos próximos 45 dias, aí, sim, eles devem correr para Lula. Muitos calculam ser melhor um Lula enfraquecido do que um presidente que chegue com a perspectiva de concorrer a mais quatro anos de mandato.

Trator desligado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez chegar aos bolsonaristas que, embora tenha dado andamento às propostas de interesse do governo, não significa que irá ligar o rolo compressor em favor dos projetos. Os líderes de Lula que busquem os votos para aprovar o fim da escala 6 x 1, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública e o projeto das terras raras.

PF agarrada no serviço

A avaliação da turma do direito em Brasília é de que os próximos 60 dias serão de muito movimento e operações da Polícia Federal. Depois da incursão sobre os escritórios dos advogados Nelson Williams e Willer Thomaz, quem ganhou muito dinheiro recentemente não está tranquilo.

O que preocupa o PT

Em conversas mais reservadas, os petistas têm mostrado uma preocupação com a resistência de Lula em se afastar de forma mais consistente de Flávio Bolsonaro nas projeções de segundo turno. E também com a resiliência do candidato do PL. A pesquisa Quaest mostrou Lula com 43% e Flávio, com 40%. No primeiro turno, Lula surge com 38% e Flávio com 31%. Caiado e Renan Santos (Missão) apresentam 4%; e Romeu Zema (Novo), 2%, empatado com Augusto Cury (Avante). Nesta fase de pré-campanha, que se encerra hoje, nada mudou nesses altos e baixos que afetaram tanto Lula quanto Flávio.

Fica na tua, Zero Três

Os movimentos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos causam preocupação aos aliados do irmão candidato ao Planalto. O filho 03 de Jair Bolsonaro comprou três armas, gastou quase R$ 10 mil (US$ 1.950). O que conseguiu foi chamar a atenção para o financiamento das suas despesas. Afinal, quem tem quase R$ 10 mil para comprar três armas está com dinheiro sobrando para casa, comida e roupa lavada.

Só piora

Eduardo ainda fez propaganda da compra de armas. Num cenário em que Flávio Bolsonaro precisa se apresentar como pacificador, nada disso ajuda. Afinal, se tem algo que prejudicou Jair Bolsonaro no passado foram Carla Zambelli nas ruas de São Paulo de arma em punho, na véspera da eleição, e Roberto Jefferson, aliado do ex-presidente, dias antes do pleito, jogando granadas nos agentes da Polícia Federal. Agora, com Zero Três se apresentando armado até os dentes na internet, tudo volta à baila.

Lula e aliados/ O presidente apresentará um rol de aliados em sua campanha eleitoral pela reeleição. A ideia é mostrar que ele tem capacidade de diálogo e de articulação política com todos os setores, mesmo aqueles que, no passado, não votaram nele. E tudo sem perder a altivez.

Radioativos/ Considerados nomes certos para o Senado há um ano, os ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, são agora negados por parceiros do passado. Enquanto a governadora Celina Leão (PP) menciona que recebeu uma herança de dificuldades nas contas do DF, Douglas Ruas, ex-secretário de Castro e hoje candidato a governador do mesmo grupo político, diz em sabatina do jornal O Globo que Castro não estará no seu palanque.

Vai render/ Com o início da campanha eleitoral, voltará à baila a foto de políticos na piscina do advogado Willer Tomaz, considerado pela PF o “hub financeiro, patrimonial e logístico” da organização investigada na nova fase da Operação Sem Desconto. Várias campanhas guardaram o material para jogar aos quatro ventos. Estavam na foto o senador Weverton Rocha (PDT-MA), Willer Tomaz, os deputados Juscelino Filho (PSDB-MA) e Elmar Nascimento (União-BA), o deputado cassado Alexandre Ramagem e os senadores Efraim Filho (PL-PB) e Ângelo Coronel (Republicanos-BA). E, ainda, o deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados à época, mais o deputado Paulo Azi (União-BA).

Veja bem/ O fato de estar numa festa ou numa piscina não é crime. Porém, politicamente, em ano eleitoral, os deputados consideram constrangedor ter que ficar explicando a confraternização com o advogado enrolado no escândalo do INSS.