
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 6 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro espera que as discussões sobre o envolvimento do ministro Alexandre de Moraes e a crise interna no Supremo Tribunal Federal terminem abrindo uma brecha para que ele possa sair da cadeia — e com dinheiro no bolso, oriundo de fundos de pensão e do BRB. Juristas que acompanham o caso perceberam esse perigo, diante da avalanche de nulidades que os advogados começam a levantar em relação ao processo envolvendo o ex-controlador do Master. E até aqui, a contar pelo que já se sabe a respeito da delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, da Entre Investimentos, que fazia parte do esquema de Daniel Vorcaro, há muito serviço a ser feito, uma vez que Freixo Junior teria relatado, inclusive, pagamentos em malas de dinheiro, feitas a pedido do ex-controlador do Master. Toda essa documentação está no gabinete de André Mendonça, à espera de análise.
Muito dinheiro fica esquecido/ Ao que se sabe até aqui, o empresário detalhou que movimentou R$ 1,3 bilhão, a fim de efetuar os pagamentos determinados por Vorcaro. Foi a Entre Investimentos, de Freire Junior, que fez as remessas para o Havengate, o fundo com sede no Texas, para o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Nas conversas mais reservadas, o receio é de que tudo isso fique sob o tapete, por causa das relações entre Alexandre de Moraes e o presidiário Daniel Vorcaro.
Corre aí…
Em reuniões e conversas ao longo dos últimos dias, ficou patente entre muitos atores da política que não bastará tirar processos de ministros ou declarar impedimentos, como já foi feito lá atrás, com Dias Toffoli e o caso Master. Agora, é preciso uma reforma profunda.
…E muda logo
No embalo das mudanças, começa a ganhar corpo uma proposta de idade mínima para ingresso no Supremo Tribunal Federal. Cogita-se, inclusive, algo em torno de 55 ou 60 anos. Nesta idade, a pessoa já demonstrou notório saber jurídico e já tem uma carreira consolidada no direito.
Vale lembrar
Se a mudança for feita, o governador do Rio, o desembargador Ricardo Couto, poderia ser indicado. Tem 62 anos. O advogado-geral da União, Jorge Messias, estaria fora. Tem 46 anos.
Espere o segundo turno
O PL aposta que, se houver um segundo turno no Ceará, o candidato Ciro Gomes (PSDB) terá que dividir o palanque com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado. Entretanto, aliados de Ciro avisam que, se houver segundo turno, a neutralidade do candidato a governador deve permanecer, de forma a aglutinar votos de todos os presidenciáveis.
PL e PT unidos…/ … por um contabilista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado Filipe Barros (PL-PR), candidato ao Senado, estão em campos opostos da política, mas dividem o mesmo representante de contabilidade das campanhas deste ano. A informação encontra-se na prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Corrida acirrada/ Em Santa Catarina, a eleição para o Senado é considerada a mais difícil de vislumbrar um final, numa disputa embolada entre a deputada Carol de Toni (PL), o senador Esperidião Amin (PP) e o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL). A última pesquisa Quaest por lá mostrou Amin na liderança, o Zero Dois de Bolsonaro em segundo, e a deputada, em terceiro. O governador Jorginho Mello (foto) e demais candidatos têm falado bem dele em eventos, e isso fortaleceu o ex-vereador fluminense.
Enquanto isso, no Paraná…/ A direita tem enfrentado uma divisão de votos no estado. Dos cinco melhores candidatos avaliados ao Senado nas pesquisas, quatro são desse campo: Filipe Barros (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graml (PSD). A outra candidata é a deputada e ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) Gleisi Hoffmann (PT). Esse cenário pode beneficiar Gleisi, porque enquanto eles dividem o mesmo eleitorado, a deputada aglutina os votos da esquerda em torno de um só nome.
Por falar em divisão…/ Os partidos mais à direita fazem questão de marcar diferenças, haja vista a convocação de duas manifestações distintas contra Alexandre de Moraes para o Sete de Setembro. Uma da deputada Bia Kicis (PL) e outra de Sebastião Coelho (Novo). Ambos concorrem ao Senado.

