
Coluna Brasília-DF, por Denise Rothenburg (com Eduarda Esposito)
As apostas dos especialistas são de que o número de federações vai aumentar, e o de partidos tende a diminuir. É que muitas legendas não atingirão votos suficientes para se manter em carreira solo no Parlamento. Com isso, o tal colégio de líderes, grupamento responsável por ditar a pauta da Casa junto com o presidente, ficará menor. As previsões são de que terá entre oito e nove integrantes. Muito poder na mão de poucos. Resta saber quem será o protagonista. Ninguém consegue dizer com segurança qual partido terá a predominância na Casa, uma vez que o eleitor está meio perdido. A contar pela pesquisa Correio/Opinião, 54,5% não sabem em quem votar para deputado federal. Esse percentual se repete em várias pesquisas em outros estados. A única certeza é que, se Hugo Motta for reeleito, e nada hoje indica o inverso, será candidato a mais dois anos no comando da Casa.
Dinheiro para poucos
Junto com essa concentração de poder, haverá uma redução do número de partidos que poderão receber a bolada do fundo partidário. “O sistema partidário caminha para uma configuração em que poucas siglas concentrarão a maior parte dos recursos financeiros, do tempo de propaganda, dos mandatos parlamentares, e das estruturas de poder. Novas fusões, incorporações e federações devem surgir após o pleito, sobretudo entre partidos médios e pequenos que enfrentam dificuldades para alcançar a cláusula de desempenho”, explicou o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Medeiros, que tem feito essas contas.
O calcanhar de Wagner
Quem circula pelo Palácio do Planalto ouve que o presidente mantém a confiança em Jaques Wagner. Porém, muitos interlocutores titubeiam quando confrontados com a história do apartamento adquirido por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, para o senador. Nesse caso, a resposta invariavelmente tem sido: “Tenho uma reunião agora, venha outra hora”.
Fatos consumados
A insistência de alguns candidatos em lançar logo uma pré-candidatura faz parte da estratégia de evitar troca mais à frente. Estão nessa onda Ricardo Cappelli, que concorrerá ao Governo do Distrito Federal, e André do Prado, que disputará o Senado por São Paulo e terá Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente.
Por falar em Eduardo Bolsonaro…
André do Prado passará a campanha dizendo que será ele o senador, e não o filho Zero Três de Jair Bolsonaro.
Se seguir o rito…
… vai apensar. A oposição espera que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), siga o caminho normal para a tramitação da proposta de emenda constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 na Casa. Isso inclui enviar o projeto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde está a PEC do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). Com isso, a direita espera que o projeto de Marinho seja apensado ao do governo e, com isso, dê uma chance de votar um destaque de preferência ou emendar trechos.
O que eles querem
Prefeitos pressionam seus representantes no Congresso Nacional para aprovar o projeto de lei que prevê auxílio entre estados e municípios afetados por catástrofes naturais e outros eventos de força maior. A FNP afirma que, hoje, não há nenhuma legislação a respeito do assunto, e se uma cidade envia recursos para outra, pode ser alvo dos tribunais de contas. A urgência por essa aprovação vem justamente das previsões do El Niño no Brasil para os próximos meses. Além desse tema, a necessidade de fontes de recursos para investimentos em drenagem, a desburocratização do acesso ao Fundo Clima e os investimentos em construções de baixo carbono também foram elencados como medidas estruturantes pela Frente.
A dancinha de Ciro Nogueira
Em suas redes sociais, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o “grande amigo” de Daniel Vorcaro, com diversas despesas pagas pelo banqueiro, segue com ares de “tô nem aí”. Postou um vídeo com a camisa da Seleção apostando no placar de 3×0 contra o Haiti e, depois do jogo, com a amarelinha, em que repetia a dancinha de jogadores brasileiros famosos. A maioria dos comentários era de incentivo ao senador, e alguns apostavam na sua reeleição.
Um dia depois do outro
A filha do ministro, Cris Nardes, pré-candidata à Câmara Distrital, lembrava dia desses da época em que foi secretária-executiva de Governança e Compliance no Governo do Distrito Federal. Naquele período, Augusto Nardes descobriu que a filha havia sido exonerada ao ver a publicação no Diário Oficial do DF. Hoje, depois de tudo o que veio à tona, Nardes comenta: “Os planos de Ibaneis eram outros (na época), e hoje vemos o resultado (escândalo do BRB)”.
O combate não para
A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), e a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), lançam o Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal durante o evento Comunicação que Protege. O ato será no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, na próxima quarta-feira (24), 8h30. No mesmo dia em que o Brasil entra em campo nos Estados Unidos. Que São João nos proteja.
Vou ali…
… e volto em duas semanas. A última pausa antes das eleições. Que a Seleção Brasileira de futebol dê muitas alegrias aos brasileiros nesse período e não repita a vergonha que se vê na política, com o número de excelências enroladas no Master. Até julho.

