Categoria: Política
O afastamento do ministro do Trabalho, Helton Yomura, pelo Supremo Tribunal Federal foi a gota d’água para tirar de vez o PTB do Ministério do Trabalho. O partido, inicialmente, não gostou. O líder Jovair Arantes esteve inclusive no Planalto para conversar com o presidente Michel Temer a respeito. O presidente está em consultas para indicar um nome técnico ainda hoje. O contribuinte agradece.
O presidente Temer ficou para lá de irritado. Ele considerava que o governo tinha passado da fase de escândalos envolvendo ministro. Porém, pelo visto, as emoções continuam.
“O que ele fazia com esse dinheiro em casa?!!! Vai ter que justificar”, diz Marquezelli
O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) disse ao blog que os policiais levaram de seu gabinete 1 mil Euros, que ele havia comprado o Banco do Brasil na última quarta-feira para que sua esposa vá à Europa com os netos no dia 22 de julho. “E mais dois ou três mil reais que estavam na minha pasta”. Quanto aos R$ 95 mil encontrados no apartamento de Jonas Antunes Lima, seu assessor, ele se mostrou surpreso quando o blog disse a ele que essa notícia, com foto e tudo, estava publicada no site O Antagonista: “Ele vai ter que justificar. Lugar de guardar dinheiro é no banco. Eu comprei os mil Euros para a minha mulher e mostrei o cheque, ele terá que dizer de onde tirou tanto dinheiro”, disse o deputado ao blog.
Marquezelli contou que trabalhou em três projetos da área do ministério do trabalho: A mensalidade dos sindicatos, a reforma trabalhista e, ainda a anista aos transportadores. E que Jonas teve uma atuação forte no marco regulatório. “Não atuo nessa área de sindicatos. No Brasil, ha 18 mil. Os países do primeiro mundo têm uns 170. Aqui é demais, não sou dessa área. Atuo na Agricultura, Saúde, Esportes e Turismo. E sempre orientei o pessoal do meu gabinete a ser honesto e dizer a verdade a todos, inclusive aos prefeitos. Se é legal, dá para fazer, senão, não dá. Todo mundo eve falar a verdade. Estou no sétimo mandato, tenho 28 anos de Câmara. Não tenho o que temer, porque sempre falei a verdade”, disse ele.
O deputado atribui a investigação sobre ele ao fato de ser do PTB “Todos estão sob investigação, por causa do Ministério. Farei do limão, uma limonada”, disse ele, triste, mas confiante de que “a Justiça será feita”: “É desgastante, mas o pior será no almoço de Domingo, os filhos e netos me dizendo, pai, vô, larga a política, você não precisa disso. Eu gosto da politica, o que fazer então?”, disse ele ao blog. Marquezelli passa o fim de semana em São Paulo, com a família. E seu assessor em Brasília. Pelo visto, é cada um por si.
O afastamento do ministro do Trabalho, Helton Yomura, e as buscas no gabinete do deputado Nelson Marquezelli (PTB_SP) levaram o PTB a blindar, pelo menos, o deputado. A ordem é dizer que Marquezelli sempre quis que o partido ficasse mais voltado ao Ministério da Agricultura, e não ao do Trabalho. Em conversas reservadas, ele se pronunciam assim: Marquezelli é muito mais ligado à frente parlamentar de agricultura. Se houve algum problema lá no Trabalho, deve ser coisa do assessor (Jonas Lima).
Quem vai dizer se essa avaliação está certa ou não é o Supremo Tribunal Federal.
A decisão tomada há pouco pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de acabar com a condução coercitiva de réus da Lava Jato vai expor muita gente à prisão temporária. A prisão foi adotada, por exemplo, na Operação Skala. Ali, foram presos o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi; o dono da Rodrimar, Antonio Celso Greco; o coronel João Baptista Lima Filho e o advogado José Yunes, além de uma empresária Celina Torrealba, do grupo Libra. A operação faz parte das investigações sobre o caso envolvendo suspeita de pagamento de propina no caso dos portos, que jogou luz sobre amigos do presidente Michel Temer.
A ideia do Ministério Público e da Polícia Federal naquele final de março, quando essas pessoas foram presas, era apenas levá-los a prestar depoimento,. ocorre que, as conduções coercitivas já estavam suspensas por uma liminar do ministro Gilmar Mendes. Quem deu entrada em ações contra as conduções coercitivas foi o Partido dos Trabalhadores e a Ordem dos Advogados do Brasil, que consideram a medida uma afronta ao direito do cidadão. O PT alega ainda que, em muitos casos, as pessoas sequer foram chamadas a prestar depoimento antes de serem levadas de forma coercitiva.
Nos bastidores da política, entretanto, tem muita gente achando que a emenda do STF pode piorar a vida de quem está na mira da Lava Jato, porque agora não há mais o meio-termo entre a liberdade e a prisão. Portanto, cenas como a do final de março, quando os amigos de Temer foram presos, devem se repetir. Mais um ingrediente para movimentar o ano eleitoral.
O presidente do DEM paulista, deputado Jorge Tadeu Mudalen, avisou aos tucanos que, amanhã, seu partido anuncia oficialmente o apoio ao candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Dória. O movimento reforça a candidatura de Dória, mas não alivia as incertezas no plano nacional. Os democratas estão em franca conversação com Ciro Gomes e Álvaro Dias.
Em conversas reservadas, há quem diga que o DEM cansou de ser apêndice do PSDB e apoiar a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à Presidência da República deixaria o partido novamente nessa condição de coadjuvante. Porém, se Alckmin for o nome mais competitivo do centro e Ciro Gomes soltar alguns impropérios contra o partido, como já fez no passado, o Democratas não terá outro caminho, a não ser apoiar o tucano. O pré-candidato do PSDB chega no início da noite a Brasília para uma conversa com a bancada. Até aqui, nesse dia de Santo Antônio, parece que quem arrumou um casamento sólido foi Dória.
Pré-candidato à presidência da República pelo MDB, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles diz que, “sem dúvida”, a eleição começa a influenciar um pouco a economia, dada as propostas feitas pelos pré-candidatos dos
dois extremos. Em seguida, deu nomes aos ué causam insegurança nessa seara. “Marina (Silva, da Rede) diz que vai acabar com o teto (de gastos). Ciro (Gomes) quer acabar com a (reforma) trabalhista. Tudo gera insegurança. Bolsonaro, o problema é o histórico de votações dele no Congresso. O mercado é cético. Não quer mudança radical”, afirma o pré – candidato, que participou há pouco da solenidade para marcar os dois anos do Governo Temer, no Planalto. Meirelles, entretanto, considerou “ normal” a alta do dólar, reflexo do que vem ocorrendo nos Estados Unidos.
As palavras de Meirelles a respeito das propostas dos adversários fazem parte da estratégia e do slogan que ele pretende adotar na campanha, algo do tipo, “deu probl ma? Chama o Meirelles que
Ele resolve”. Afinal, assim fizeram Lula e Temer.
A depender do humor de deputados e senadores, o governo terá dificuldades em conseguir o quorum para aprovação do projeto de suplementação orçamentária de R$ 1,3 bilhão para pagamento da dívida de Venezuela e Moçambique junto ao BNDES e bancos privados. O Brasil precisa efetuar esse pagamento até 8 de maio, uma vez que foi avalista dos empréstimos ao longo dos governos Lula e Dilma. E foi para tratar desse tema que o presidente Michel Temer reuniu hoje os líderes aliados no Palácio do Planalto.
Nos bastidores, há quem diga que o PT terá que ajudar a dar quórum-ara votar essa suplementação. Afinal, foi graças à ação do ex-presidente Lula que o país se vê obrigado a arcar com essa dívida.
A tendência, porém, é a de que não haja número suficiente de parlamentares para votar esse tema, na semana do feriado de 1 de maio. Os atuais governistas não se sentem responsáveis porque muitos eram oposição quando Lula decidiu ser avalista dos empréstimos. E os petistas consideram um problema do governo e estão ávidos para ver Michel Temer cometer algum desatino orçamentário para enquadrá-lo em “pedaladas fiscais”, da mesma forma que os aliados do atual governo enquadraram a então presidente Dilma Rousseff, levando-a ao impeachment.
O ex-ministro Aldo Rebelo usou sua conta no Twitter há pouco para anunciar seu afastamento do PSB por se julgar “impossibilitado de acompanhar a manifesta inclinação partidária pela candidatura do ilustre ministro Joaquim Barbosa”. Entretanto, avisa que prossegue no apoio ao governador Márcio França em São Paulo e outros projetos regionais do partido.
Comentário do blog: Se a candidatura de Joaquim não consegue galvanizar nem quem está no seu partido, terá dificuldades. No campo do diálogo com as forças políticas, está com jeitão de que estreitará ainda mais os canais do PSB com os demais partidos.
Internado no hospital Sírio-Libanês desde sexta-feira, uma semana depois que o ministro Dias Toffoli lhe concedeu prisão domiciliar, Paulo Maluf foi diagnosticado essa semana com trombose venosa profunda e metástase decorrente do câncer de próstata. Diante da gravidade do quadro exposto no relatório médico divulgado hoje à noite pelo hospital, a tendência do plenário do STF é confirmar a decisão do ministro Toffoli ainda essa semana.
“O paciente Paulo Salim Maluf foi submetido a uma série de exames que confirmaram uma síndrome paraneoplásica e uma trombose venosa profunda no membro inferior esquerdo. Ele está com quadro de incontinência urinária, metástase óssea na região sacral decorrente do câncer de próstata, alterações da marcha com perda de força muscular e atrofia em ambas as pernas, que confere ao paciente a condição de cadeirante”, diz o texto divulgado pelo hospital.
A prisão domiciliar foi concedida em 28 de março, depois que Maluf passou mal na Papuda. O deputado teve uma crise de pânico depois de saber que seu habeas corpus havia sido negado e foi levado a um hospital em Brasília. De lá, seguiu para São Paulo, onde sua saúde piorou e ele terminou levado ao Sírio Libanês na última sexta-feira à tarde, para realização de exames. Ele continua internado sem previsão de alta.
A decisão do ex-presidente Lula em seguir para Curitiba daqui a pouco foi tomada na madrugada de hoje, depois de uma análise jurídico-política com a cúpula do PT e os advogados.Prevaleceu a tese de que o risco de descumprir a ordem judicial poderia levar o ex-presidente a perder inclusive os cinco votos que obteve no Supremo Tribunal Federal na última quarta-feira, no julgamento do habeas corpus. Na conversa, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que ajudou nas negociações, teria dito que “cinco podem virar seis, se mantivermos a calma e o respeito à Justiça. Porém, há o risco de perdermos os cinco se houver descumprimento da ordem judicial”.
Na visão do PT, Lula dá um passo atrás se entregando hoje para conseguir ampliar os votos na semana que vem, quando o STF deve analisar a tese da prisão em segunda instância, se o plenário acolher o pedido do ministro Marco Aurélio Mello. Além disso, havia o receio de que a Justiça transformasse Lula em um foragido e ter um novo pedido de prisão, desta vez, preventiva, o que, tecnicamente, comentavam advogados, poderia prejudicar a situação do presidente junto ao Judiciário. Afinal, dizem os juristas, pode-se até considerar uma decisão judicial injusta, porém, qualquer decisão deve ser revista dentro dos meios legais. É isso que os advogados tentarão daqui pra frente, deixando que o PT cuide da parte política e da mobilização das ruas.
Tomada a decisão de se entregar na última rodada de conversas, ainda na madrugada de hoje, Lula passou então a cuidar do discurso que fez há pouco, numa espécie de “homilia eleitoral”, durante a missa pela passagem do aniversário da ex-primeira dama Marisa Letícia, falecida no ano passado.
Há muita emoção nesse momento no sindicado dos metalúrgicos em São Paulo. Militantes chorando. Um grupo está reunido, organizando a ida do ex-presidente para o aeroporto de Congonhas. De lá, Lula embarcará com destino a Curitiba. A PF planeja levá-lo até a carceragem de helicóptero, para evitar problemas no trajeto.

