Renan e a nova polêmica do PT

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Experiente em antecipar movimentos politicos, o senador Renan Calheiros comentava há pouco na sala de café do Senado que um dos momentos de maior polêmica pós a visita de Dilma nesta segunda-feira deve ser a definição de votação em dois tempos, um para o afastamento, outro para a perda dos direitos políticos por oito anos. É que, no período de análise do impeachment de Fernando Collor, os senadores fizeram duas votações porque ele renunciou horas antes da votação. Agora, ainda que Dilma não renuncie, o PT quer repetir a dose para abrir a possibilidade de Dilma concorrer a um mandato eletivo em 2018, se essa for a sua vontade.

“Sou a única pessoa que conversa com todos os lados da República”

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O presidente do Senado, Renan Calheiros, está arrependido da confrontação em plenário hoje pela manhã. Em entrevista na sala de café dos senadores, ele falou em “ressaca” pós-confronto. Considerou que os petistas Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e, ainda, Vanessa Graziotin,do PCdoB, provocaram-no para tirá-lo da neutralidade que marcou a atuação ao longo do processo enquanto presidente da Casa.”É injusto e desproporcional me transformar em personagem do impeachment”,comentou. “Sou a única pessoa que conversa com todos os lados da República”, completou.

Renan lembrou que, desde o afastamento de Dilma, esteve com ela três vezes,também jantou com Michel Temer e tem atuado de uma muito diferente daquela adotada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Hoje,entretanto, diante das provocações, ele disse que cometeu “um erro”. O que não significa que esteja decidido a votar a favor do impeachment. “Ainda não me decidi. A tendência é me abster. O presidente do Senado tem uma responsabilidade institucional, mas ainda não me decidi”,disse ele. “Eu não gosto de me explicar repetindo várias vezes que estava arrependido da confrontação,”que não é do meu estilo”, disse ele, par, em seguida,completar: “Eu também não gosto de me explicar. Prefiro que me interpretem”, referindo-se ao fato de não ter anunciado até o momento como votará quando chegar a hora

Ao longo da conversa com os repórteres, Renan lembrou as várias provocações que ouviu nos últimos dias, com referências ao jantar dele com o presidente em exercício, Michel Temer; e até declarações tentando depreciar o Senado, por exemplo, o fato de Gleisi Hoffmann dizer que a Casa não tinha moral para votar o impeachment de Dilma Rousseff. O senador lembrou inclusive que já havia terminado o seu discurso, quando, diante das provocações ao seu redor, voltou ao microfone e citou o fato de ter ajudado a desfazer o indiciamento de Gleisi da Polícia Federal.

Ele, entretanto, se referia à busca e apreensão na casa da senadora, quando da prisão do marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo. A senadora,entretanto, não está relacionada à suspeita de favorecimento de empresa e pagamento de propina no caso de recursos dos empréstimos consignados. Gleisi à época pediu que a Presidência do Senado intercedesse para que não houvesse mais busca e apreensão na residência oficial. Renan atendeu. Ontem, na sala de café, brincou:”Vamos aproveitar a reforma do código Penal e propor um agravamento da pena por ingratidão”, disse ele.

Tumultuar para postergar

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Ciente de que não tem os 27 votos para preservar o mandato de Dilma Rousseff, os petistas partiram para a tática de provocar os senadores aliados a Michel Temer. O primeiro tiro foi dado ontem pela senadora Gleisi Hoffmann, dizendo que a Casa não tinha moral para julgar Dilma Rousseff. Hoje, continuou com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

O PMDB engoliu a corda. O presidente do Senado, Renan Calheiros, ensaiou um discurso de pacificação na Casa, porém, na hora de falar, tropeçou nos verbos e nos adjetivos, mencionando as manobras do PT como de “uma burrice infinita”. E, se levado ao pé da letra, confessou ainda interferências no Judiciário, ao dizer que havia ajudado a “desfazer” o indiciamento de Gleisi no Supremo Tribunal Federal. Longe dos microfones, Gleisi reagiu: “Mentiroso, canalha!”

O clima está quente, a sessão suspensa e, pelo andar da carruagem, o PT até aqui conseguiu o que queria: atrasar o calendário. Os aliados de Temer vão tentar recuperar esse atraso evitando perguntas às testemunhas. Vejamos o que esta tarde nos reserva.

E Cardozo ganha, mas não leva…

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O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, acaba de dispensar o procurador Júlio Marcelo enquanto testemunha. Porém, permitiu que o procurador seja arguido enquanto informante. Logo, do ponto de vista processual, Cardozo ganhou. Mas, do ponto de vista político, Júlio Marcelo vai falar. Logo, noves fora… Segue o baile!!! São 31 senadores inscritos para interrogar o, agora, informante júlio Marcelo.

Cardozo quer impedimento de Júlio Marcelo

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Depois das discussões desta manhã, primeiro dia do julgamento da presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro José Eduardo Cardozo vai arguir daqui a pouco a suspeição do procurador Júlio Marcelo enquanto testemunha do processo. “As testemunhas têm que ser isentas e ele tem interesse no processo, foi militante político em favor da tese do impeachment. Não tem isenção para ser testemunha”, diz o ex-ministro, que aproveita o intervalo de almoço para conversar com alguns senadores da base aliada da presidente Dilma Rousseff.
O ex-ministro esteve com Dilma ontem, antes do ato no teatro dos Bancários, um evento que deixou a desejar em termos de público e, para completar, não contou com as estrelas do PT. A presidente acompanha o processo pela TV, no Alvorada. Assistiu pela manhã e deve prosseguir hoje à tarde. Ela assiste até para usar alguns elementos no discurso que fará na segunda-feira.
Em tempo: diante dos atrasos __ até agora nenhuma testemunha foi ouvida __, a expectativa dos senadores é de sessões no fim de semana.

Sinais

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A leitura política dos peemedebistas sobre a presença do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, na solenidade Agro+, ontem no Planalto, foi muito além dos simples laços de amizade que une o magistrado e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, ambos de Mato Grosso. Deputados e senadores saíram do evento com a convicção de que Mendes não patrocinará nada que possa jogar o presidente em exercício, Michel Temer, no cadafalso.

Dois pedidos…
O Solidariedade, do deputado Paulinho da Força, conta com a criação do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Porém, a Frente Parlamentar de Agricultura (FPA) prefere um órgão sem status de ministério que faça a regularização dos assentamentos já concretizados, e do sistema fundiário, com muita assistência técnica, deixando a parte de cestas básicas para o Ministério do Desenvolvimento Social.

…Uma enrolação
O presidente em exercício, Michel Temer, não disse nem sim nem não à FPA. Afirmou apenas que a solução será discutida com os deputados que integram o grupo, considerado a mais poderosa organização suprapartidária do Congresso.

Eles e elas
Quem acompanha de perto a guerra entre as distritais Celina Leão e Liliane Roriz só tem um receio: que as duas terminem no fosso. Foi assim, quando da disputa entre os senadores Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho nos idos de 2000. Um puxou o outro
para baixo.

O que dá cadeia
É bom o grupo de distritais afastados da Câmara Legislativa pensar duas vezes antes de esconder documentos: o ex-senador Delcídio do Amaral foi para a cadeia por tentativa de obstrução da Justiça. O mesmo ocorreu com José Roberto Arruda, que escapou da prisão quando do estouro da Caixa de Pandora, mas terminou preso, acusado de subornar testemunha.

Sem intermediários
Uma das questões de ordem que promete tomar um bom tempo hoje será sobre se os senadores podem ou não fazer perguntas diretamente à presidente afastada na segunda-feira ou terão que se dirigir ao presidente da sessão, ministro Ricardo Lewandowski, que, por sua vez, repetirá a questão para Dilma. A turma pró-impeachment prefere perguntar diretamente.

Curtidas

Seguro morreu de velho/ O presidente em exercício, Michel Temer, só viajará para a China depois da exibição de seu pronunciamento pós-impeachment. Ainda que perca o seminário empresarial em Xangai, seu primeiro compromisso, seguirá o conselho de Ulysses Guimarães: “Não existe vácuo de poder”.

Sessão coruja I/ Os cálculos dos senadores preveem 48 horas só para a oitiva das oito testemunhas. Logo, a aposta é a de que haverá sessão no sábado. Para a última fase, fala dos senadores, da defesa e da acusação, a ordem é seguir madrugada adentro.

Sessão coruja II/ Rígido no quesito horário, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski (foto), passou boa parte das reuniões para definição do rito de impeachment, preocupado com a hora de encerrar as sessões. Rápido, um senador respondeu: “O senhor não se preocupe, que aqui o pessoal está acostumado a dormir tarde”. Para quem não se lembra, a aceitação do processo no plenário do Senado terminou 6h30 da matina. E a pronúncia, 2h40.

Dilma e Getúlio/ Aliados da presidente Dilma Rousseff ficaram atônitos quando o senador petista Lindbergh Farias leu a carta-testamento de Getúlio Vargas ontem no plenário, como forma de marcar os 52 anos da morte do ex-presidente. Otto Alencar, do PSD da Bahia, foi tirar satisfações: “Ei, que é isso? Num momento como esse? Ele cometeu suicídio! Você quer que a Dilma se mate?”

Dirceu e Genoino perdem comendas

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O comando da Aeronáutica decidiu excluir do Corpo de Graduados Especiais da Ordem do Mérito da Força os petistas José Dirceu e José Genoíno, condenados no escândalo do mensalão. A decisão, assinada pelo comandante Nivaldo Rossato, atendeu a um pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O ato já está publicado no Diário Oficial da União. Dirceu perdeu o grau de Grande Oficial. E Genoíno, de Comendador.

Bateu-levou

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Os petistas estão cansados de ouvir desaforos dos adversários. Por isso, todos os deputados do partido, candidatos a vereador e prefeito já foram comunicados que qualquer ataque relativo ao envolvimento de integrantes do partido na Lava-Jato deve ser respondido na mesma moeda. Como PMDB, PP, PSB, PSDB e outros tiveram sua parcela de citações no elenco de delatores, a aposta é a de que ninguém vai quero entrar nessa seara.

O que tira o sono deles
Autoridades dedicadas às investigações da Lava Jato prometem para a semana que vem a delação de executivos da Odebrecht. É a realidade de volta à cena, logo depois dos jogos Olimpícos.

Nomeações em alta
O Diário Oficial da União todos os dias sai recheado. Estão na fila para nomeação a diretora de Atendimento do INSS, Ana Nedja Mendes Júnior, indicada pelo PSC, e o diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Infraero, Ricardo Oliveira, escolhido pelo PR. A ordem é resolver o que der antes do Congresso voltar ao trabalho a pleno vapor.

2013 revisitado
O meio político viu na carta da presidente Dilma Rousseff a mesma estratégia usada em 2013, quando ela apostou numa reforma política para responder às manifestações das ruas. Não surtiu efeito. Até os petistas consideraram que a carta veio tarde. O Congresso está em recesso branco e, no com tanta decisão olímpica na telinha, a população não prestou muita atenção.

Renan olímpico
O governo Michel Temer não conta com o voto de Renan Calheiros no processo de impeachment. E o motivo para isso é muito simples. O atual governo já tem os votos, sem precisar que o presidente do Senado deixe de lado a aura de distanciamento do processo.

“O que despertou no Brasil a possibilidade de sediar o maior evento do planeta foi o trabalho feito em Brasília, a primeira cidade da América do ?Sul a apresentar uma candidatura aceita pelo Comitê Olímpico Internacional, em 1992”
Do ex-governador Paulo Octávio, o maior entusiasta do projeto na década de 90

CURTIDAS

A carta? Ih!/ Comentário do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, ao saber que a presidente afastada, Dilma Rousseff, havia divulgado uma carta à Nação: “Ah, é? Agora, vai a 64”. Referia-se ao número de votos pró-impeachment.

Jeito de debutante/ Candidato a prefeito de São Paulo, João Dória, seguiu a máxima de “Deus ajuda quem cedo madruga”. Às cinco da matina, estava na rua, em busca de votos. A ansiedade se justifica. Dos candidatos dos grandes partidos ele é o único estreante numa campanha majoritária.

Números de estreante/ Em conversas reservadas, os petistas reclamam que Fernando Haddad só está embolado porque não bateu bumbo sobre suas ações como prefeito. A maioria considera que a posição de desvantagem na largada não se deve aos problemas do partido e sim aos baixos investimentos em divulgação.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro…/ Já tem gente apostando que o prefeito Eduardo Paes ganhou fôlego para levar Pedro Paulo à prefeitura. Lá, a campanha só terá alguma visibilidade quando terminar a Olimpíada.

Esta Dilma comemorou/ Dona Dilma comemorou muito a medalha de prata da canoagem olímpica. Ela não é mãe do PAC e sim do atleta Isaquias Queiroz.

Temer telefona para Rollemberg

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Já passava das 21h30, quando o presidente em exercício, Michel Temer, telefonou para o governador Rodrigo Rollemberg a fim de desfazer qualquer clima ruim entre eles e estancar qualquer perspectiva de crise entre o governo federal e o GDF. Temer foi logo dizendo ao governador que não o considerava desleal, apenas não podia se comprometer em encontrar uma solução para a crise entre o governo local e a Polícia Civil, mas está disposto a ajudar na análise das alternativas que forem colocadas à mesa pelo GDF.
O telefonema foi provocado pelo post publicado no blog (leia os dois posts abaixo) a respeito da nota Rollemberg sobre o encontro entre ele e o presidente hoje no início da tarde, quando discutiram a crise da polícia civil. A última frase da nota de Rollemberg deu a entender que o presidente se comprometera a estudar alternativas, sem esclarecer que essas alternativas seriam apresentadas pelo próprio GDF. Foi o suficiente para que o assessor do presidente Tadeu Filippelli alertasse a Temer sobre o risco de a crise da polícia civil cair no colo do presidente.
No telefonema há pouco, Rollemberg disse a Temer que em nenhum momento pensou em jogar a crise no colo do governo federal. “Só tenho palavras de reconhecimento e apreço pelo presidente e gratidão pela forma como ele tem tratado os problemas da capital”, disse Rollemberg ao blog.
Desfeito o mal entendido, o governo do Distrito Federal passará o fim de semana em reuniões para tentar buscar uma solução. As dificuldades são de toda a ordem, porque qualquer concessão aos policiais civis levará outros setores a buscarem equiparação. Hoje, Rollemberg termina o dia com os canais de diálogo reforçados com o governo federal. Dos males, o menor está resolvido.