Categoria: coluna Brasília-DF
Aliados do deputado afastado Eduardo Cunha confidenciaram à coluna uma certa decepção por parte dos peemedebistas com o depoimento dele ao Conselho de Ética da Câmara. Embora tenha saído feliz com o próprio desempenho, Cunha ficou meio amuado ao perceber a redução dos apoiadores. Em março de 2015, quando Cunha foi à CPI da Petrobras se defender das primeiras acusações, a sessão foi praticamente uma ode à sua capacidade de trabalho. Ontem, entretanto, a maioria daqueles que lhe teceram elogios sumiu.
Em tempo: a ausência de André Moura ontem no Conselho de Ética incomodou o inquilino da Residência Oficial da Presidência da Câmara. Hoje, ele é tido muito mais como um deputado ligado ao ministro Geddel Vieira Lima do que ao próprio Eduardo Cunha. E Geddel nunca foi do grupo do presidente afastado da Câmara. A dúvida é como Cunha vai reagir daqui para a frente, diante do que considera um abandono. Vejamos os próximos passos.
Sossega, André!
O líder do governo na Câmara vai receber uma chamada dos chefes palacianos. Os ministros de Temer não querem que ele fique trocando farpas com o presidente do Senado, Renan Calheiros. Afinal, é lá que tramita o processo de impeachment de Dilma Rousseff. E a hora é de não brigar com senador, ainda mais sendo o comandante da Casa.
A cratera é maior
Na reunião com as mulheres, o presidente em exercício, Michel Temer, mencionou que o buraco nas contas públicas é superior a R$ 200 bilhões.
Juntos, mas separados
O PSDB apoiará o governo Michel Temer, tem ministros trabalhando, mas deseja marcar diferenças. Essa batalha começa na semana que vem.
É a Vale mesmo!
Que Jequitinhonha, que nada. O que a bancada do PMDB de Minas Gerais cobra do governo é a troca do presidente da Vale do Rio Doce, empresa que tem 49,8% de participação da União e controle da Bradespar, capitaneada pelo Bradesco.
“Calma. Incluindo a posse, temos seis dias úteis de governo”
Geddel Vieira Lima, quando perguntado sobre as dificuldades da gestão Michel Temer
Curtida
Parente resolvedor/ Se o ministro do Planejamento, Romero Jucá (foto), é conhecido pelo apelido de “relator-geral da União”, Pedro Parente ganhou fama como resolvedor-geral. Ontem, no Planalto, dizia-se que só quem resolveu o apagão dará um jeito na Petrobras.
Pedida do Maranhão/ Não, não é o presidente em exercício da Câmara, Waldir Maranhão. É a parte da bancada do Maranhão que votou pelo impeachment e ontem estava no Planalto pedindo os cargos estaduais da administração federal e, de quebra, algum espaço na Sudene e na Codevasf.
Meia folga/ Geddel Vieira Lima saiu às pressas do Planalto direto para Salvador. Aniversário da filha: “Se eu não for, ela me exonera”.
Enquanto isso, na Câmara…/ Eduardo Cunha saía da ala das comissões ontem quando, de repente, um manifestante grita: “Ladrão!” Cunha para, pensa um segundo e responde: “Fala, petista”.
No papel de líder do governo, a primeira preocupação de André Moura (PSC-SE) foi tentar acabar com a tarja “centrão” versus “oposição tradicional” na base que terá a missão de controlar a partir de hoje. Nesse sentido, ele foi muito claro ao líder do PSDB, Antônio Imbassahy, quando perguntado sobre como agirá no caso de a cassação de Eduardo Cunha chegar ao plenário da Casa, algo que o tucano avisou logo de saída torcer e trabalhar para que ocorra: “Sou líder do governo e não do Eduardo Cunha, embora ele seja meu amigo. Farei o que o governo mandar”. Essa será a hora da verdade.
Tem tempo: Moura foi aconselhado a não fazer bloco para evitar o racha da base de Temer, ensaiado ontem: “Não vamos nos submeter ao Centrão”, dizia o deputado Danilo Forte (PSB-CE), irritado com a nomeação de um deputado que considera ter sido nomeado para o cargo por causa da ligação com Eduardo Cunha.
O alvo
Além de Furnas, o PMDB de Minas Gerais mira a Companhia Desenvolvimento Vale do Jequitinhonha (Codevale). Vai brigar com o PSB, que tem indicações por lá, e com o PMDB do Pará, que conquistou a Integração e não vê a hora de dominar as empresas do setor.
Por falar em PSB…
O mais jovem dos ministros de Michel Temer, o de Minas e Energia, Fernando Filho, atraiu os olhos do Planalto: não criou problema, se antecipou ao caso da Eletrobras e, para completar, nomeou para secretário-executivo um técnico sem filiação partidária.
Por etapas
O governo Michel Temer vai separar as reformas previdenciária e trabalhista. Primeiro, a Previdência, considerada crucial para o pagamento das aposentadorias e pensões. Quanto à trabalhista… Bem, do jeito que andam as acusações sobre o ex-presidente Lula, muita gente aposta que ele não estará para criticar qualquer proposta governamental em praça pública.
Frase
Não tem centrão, tem as forças que votaram a favor do impeachment. E o adversário dessas forças é o PT. Se o governo deixar crescer essa divisão, vai errar”
Roberto Freire, presidente do PPS
Manobra radical I
O advogado do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), denunciado por corrupção e lavagem na Operação Acrônimo, quer anular todo o caso. Em petição de mais de 30 páginas ao Superior Tribunal de Justiça, Eugênio Pacceli diz que o flagrante do avião de Benedito Rodrigues, o Bené, amigo do petista, foi ilegal porque está baseado em denúncia anônima sem apuração preliminar e sem autorização judicial.
CURTIDAS
Renan pendular/ Os palacianos notaram: um dia depois de prometer ajudar o governo Temer, Renan Calheiros teceu críticas à inclusão da Cultura no guarda-chuva do Ministério da Educação.
Quase uma fila/ Não faltou servidor da Receita Federal disposto a participar das ações de busca e condução coercitiva da última fase da Zelotes, que deu “baculejo” no ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Todo mundo querendo pegar o antigo chefe.
Na área/O deputado Paulo Maluf (PP-SP) foi ontem falar com o ministro Geddel Vieira Lima no Planalto. Jura que era apenas uma visita de cortesia.
Revezamento/ Ex-ministros e amigos de Dilma Rousseff têm feito questão de visitar a presidente afastada no Alvorada. Na terça-feira, foi a vez da ex-ministra da Agricultura senadora Kátia Abreu, que ontem fez seu discurso de retorno ao mandato.
A ordem de continuar com todos os programas sociais será seguida à risca pelos novos ministros de Michel Temer, mas não sem reformulações. Um dos primeiros a passar por uma devassa será o Minha Casa/ Minha Vida. “Há denúncias de fraudes, portanto, precisamos saber qual o volume dessas fraudes em relação ao que foi entregue”, anuncia o ministro das Cidades, Bruno Araújo, que espera ter esse diagnóstico em 40 dias, para entregar ao presidente em exercício, Michel Temer.
Muxoxo I
O PSB recebeu meio a contragosto o Ministério de Minas e Energia. O partido considera que, sem as estatais do setor, o ministro Fernando Filho será um mero despachante do “cartório”. O partido queria mesmo era o Ministério da Integração, lugar que coube ao ex-ministro de Portos Hélder Barbalho, por influência do senador Renan Calheiros.
Muxoxo II
Quem terminou fora do governo foi o PMDB de Minas. O deputado Newton Cardoso tentou até o último minuto indicar o filho, o deputado Newton Cardoso Jr., para ministro de Minas e Energia. Sem sucesso, a bancada do PMDB de Minas pressionará para ficar com as estatais do setor.
Muxoxo III
A prioridade da bancada do PMDB de Minas _ que já chega ao governo em pé de guerra com o ministro Geddel Vieira Lima por causa da não nomeação de Cardoso Jr_, é indicar o futuro presidente de Furnas, onde já se sabe que Flávio Decat não permanecerá. O engenheiro Claudio Semprine trabalha pela vaga. Em tempo: a opção da bancada por Semprine só se deu porque deputado não pode ocupar presidência de estatal, a não ser que renuncie ao mandato.
Pressão nos Transportes
Depois de emplacar o secretário de Aviação Civil, Dário Lopes, o PR agora deseja indicar o secretário de Portos, cargo vago com o deslocamento de Hélder Barbalho para o Ministério da Integração. Vai dar briga com o PMDB, que pretende entregar o posto à bancada do Ceará.
Caixa vazio
As empresas responsáveis por obras no setor rodoviário podem se preparar, porque não haverá muito o que fazer no curto prazo: “Não há recursos para investimentos. Vamos montar um programa de recuperação emergencial de rodovias e só teremos recursos para parte da malha”, diz o ministro Maurício Quintela à coluna.
“Não somos donos do poder. Somos exercentes do Poder”
Michel Temer. Vale destacar.
CURTIDAS
Se o chefe mandou…/ Ao deixar o Planalto ligo depois da posse, o novo ministro da Justiça, Alexandre Moraes, relutava em dar declarações sobre a Lava Jato. Mudou de ideia quando a coluna mencionou que o presidente Temer havia se referido à operação como uma referência: “Lava Jato é prioridade do Ministério. Quem me conhece sabe que minha vida sempre foi voltada ao combate total à corrupção. Então, é todo apoio à PF e ao Ministério Público”.
Presidento???!!!/ Ao sair da posse de Michel Temer, o deputado Nílson Leitão (PSDB-MT), brincava com o ministro Bruno Araújo: “Vamos chamar Michel de ‘presidento’? Foi uma risada geral.
Por falar em “presidenta”…/ Michel terá trabalho em mandar mudar pelo menos uma letra ds placas das salas do terceiro andar do Planalto. Ali, todas constam “Gabinete pessoal da Presidenta da República”
Enquanto isso, entre o Jaburu e o Alvorada…/ A ordem na equipe de Temer é deixar de lado qualquer menção ao discurso de despedida de Dilma Rousseff, onde não faltaram menções à palavra “golpe”, ainda que o afastamento tenta sido aprovado por ampla maioria das duas Casas legislativas. A aposta é a de que, pelo semblante triste de Lula na despedida de Dilma, o PT não terá fôlego para levar a população às ruas pelo retorno da presidente.
Foi lá! Michel Temer buscou sobriedade, mas uma parte de seus ministros foi comemorar a posse do novo governo com um jantar oferecido pelo novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Gilmar Mendes, que também foi empossado ontem.
Enviado do meu iPad
A pedido do futuro ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a prioridade para acerto das contas públicas será a Previdência. Antes, porém a ordem é esperar que a Câmara resolva o impasse envolvendo o presidente em exercício, Waldir Maranhão (PP-MA). Ontem, ao dizer que não renunciará ao cargo, Maranhão tornou-se um problema, uma vez que, na Casa, a maioria não aceitará que ele presida as sessões.
Em tempo: Temer não pretende indicar ninguém para presidir a Câmara. É escaldado nessa tema. Sabe perfeitamente que Dilma passou a ter problemas com o presidente afastado, Eduardo Cunha, depois de patrocinar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) contra o peemedebista. Vai monitorar, sem investir em nenhum.
Números & cálculos I
Certos da abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, senadores do governo que sai e daquele que entra começam a trabalhar os votos para a fase seguinte. Os dilmistas calculam ter hoje 24. Se a conta estiver correta, faltam 4 para que eles fechem o número capaz de fazer com que Dilma volte ao governo em 180 dias.
Números e cálculos II
Michel Temer, nos bastidores, contabiliza 57. Precisa de, no mínimo 54. Dado o número de senadores indecisos, alguém está mentindo para alguém. No plenário da Câmara, os deputados prometeram votos para Dilma e terminaram no pró-impeachment.
Inimigo
A palavra é forte para os políticos, mas é assim que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se refere ao ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que ontem não obteve um voto contra a sua cassação. A revolta de Renan, ao ponto de não querer ver Delcídio no plenário para votar o impeachment, é porque chegou aos ouvidos do peemedebista que na delação premiada, o ex-colega direcionou toda a artilharia pesada ao comandante da Casa.
Ele não sabia…
Ao ser alertado por colegas de partido que a decisão de suspender a sessão do impeachment caminha para lhe custar a vaga de presidente em exercício da Câmara, o deputado Waldir Maranhão, saiu-se com esta: “Eu jamais imaginei que tivesse tanta repercussão”. Ah, tá.
Fica onde está
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) não pretende ser ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Da ala de senadores do PSDB, apenas José Serra está com os dois pés no governo.
Noite longa
A previsão de término da votação do impeachment é 1 da matina desta quinta-feira. Só de discurso dos inscritos serão 16 horas e 15 minutos.
CURTIDAS
O pacificador/ Integrante da bancada do PV com trânsito entre os ruralistas, o deputado Evair de Melo passou a servir de ponte entre os futuros ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho, e o da Agricultura, Blairo Maggi.
Trote I/ Assim que Waldir Maranhão divulgou um ofício revogando a decisão de suspender a votação do impeachment na Câmara, o deputado Sílvio Costa caiu no conto de uma voz parecida com a da presidente Dilma Rousseff. “Ô Silvio, que p… é essa?”, quis saber a voz. Sem perceber que não se tratava da presidente, ele foi logo se explicando: “Foi o Ciro Nogueira…”.
Trote II/ Costa só percebeu que não era Dilma quem falava quando já havia contado a reunião do PP em que Maranhão havia sido pressionado a rever sua decisão inicial para não correr o risco de perder o mandato. “Ah, essa me pegou!”, afirmou ele.
Chama a PF!/ O vôo da TAM JJ3437 que chegou de Salvador ontem terminou com integrantes do movimento negro obrigados a dar satisfações à Polícia Federal. É que ao perceberem que a deputada Tia Eron e o deputado Jutahy Júnor estavam a bordo, elas começaram a gritar “não vai ter golpe” e a criticar os parlamentares, sem levar em conta os apelos do comandante. Resultado: Ao desembarcar em Brasília, a PF foi chamada. Elas só foram liberadas depois de todos os passageiros saírem do avião.
Entre um governo de notáveis e outro que lhe renda votos no Congresso para aprovar medidas importantes logo na largada, o vice-presidente Michel Temer ficou com a segunda opção. Seus aliados informam que pancada maior do que o desgaste do toma-lá-dá-cá será patinar nas primeiras medidas econômicas a serem apresentadas.
O discurso para Michel Temer desistir de reduzir já o número de ministérios vai mais além: É que, sem uma reforma política, não há como promover uma reforma administrativa. E quem quer maioria para governar tem que se relacionar com esse congresso que aí está: São 24 partidos com representação na Câmara, sendo que apenas quatro não vão compor a base parlamentar de Temer __ PT, PCdoB, Rede e PSol. Michel Temer, entretanto, faz chegar a todos escalados para representar os partidos: “Vocês nomeiam e eu demito”. Ou seja, se o sujeito indicado não apresentar resultados ou se enrolar no cargo, estará fora.
Vingança
A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, não brinca. Essa semana, mandou exonerar Mônica Azambuja da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A funcionária chegou para trabalhar e lhe pediram o crachá, porque estava demitida “por ordem da ministra”. Mônica foi casada por 27 anos com o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves.
Dança das cadeiras I
A cúpula do PR comunicou a seus deputados que o convite para integrar a equipe de Michel Temer incluía o Ministério dos Transportes acrescido da estrutura da pasta da Aviação Civil. A bancada do PMDB na Câmara foi informada de que a Aviação Civil não será incorporada aos Transportes e será entregue a um representante do partido na Câmara.
Dança das cadeiras II
Quem acompanha o dia-a-dia das negociações de Michel Temer avisa: “Até o dia da posse, nada é definitivo”.
Nem vem
O chefe do Estado Maior do Exército, general Sérgio Etchegoyen, esteve com Michel Temer na noite de terça-feira e, segundo interlocutores do vice-presidente, ainda insiste na recriação do Gabinete de Segurança Institucional. Temer não pretende recriar cargos. Já chega o fato de não conseguir extinguir tantos ministérios como gostaria. Afinal, é um novo governo com Congresso velho.
CURTIDAS
Festa no vizinho/ Renan Calheiros e Eduardo Cunha que se preparem: uma das vizinhas, a advogada Fernanda Hernandez, prepara uma recepção para o filho e a noiva, em sua mansão. É a prévia de casamento, que será em junho, na Grécia. Do jeito que a vida de Cunha e de Renan anda complicada, tudo o que eles querem é distância da badalação.
RSVP/ O senador Gim Argello (PTB-DF), se estivesse liberado, certamente estaria presente. Ele é ligado a Alexandre Pantazis, parente da noiva. Para quem não se lembra, Pantazis é aquele empresário milionário, que já foi filiado ao PTB de Gim e terminou acusado de vender trilhos de má qualidade para a Ferronorte.
Por falar em Gim…/ Seus amigos informam que ele está mais magro e chora todos os dias, por causa da condução coercitiva do filho e o receio de que também acabe preso. Aliás, a carceragem de Curitiba ganhou o apelido de Spa do Moro. Todos que passaram por lá saíram mais magros, inclusive Mônica Moura e João Santana.
Onaireves II/ Assim os deputados aliados ao governo se referem ao deputado Adail Carneiro, do PP do Ceará. Ele saiu do secretariado de Camilo Santana para votar a favor de Dilma na Câmara. Numa tacada só, traiu o governador, Dilma, Lula e ainda os irmãos Cid e Ciro Gomes. Onaireves, para quem não se lembra ou é jovem, foi o deputado que fez um jantar de apoio para Fernando Collor em 28 de setembro de 1992 e, no dia seguinte, votou a favor do impeachment.
E o Cunha, hein?/ Hoje, com o julgamento do Supremo Tribunal Federal, voltará ao foco.
A poucos dias de assumir a presidência da República, o vice presidente Michel Temer passou uma descompostura (bem ao seu estilo, quase imperceptível) no grupo mais próximo e desautorizou todos a falar sobre economia. Com o jeito educado que o caracteriza, Michel abriu a reunião do chamado “núcleo duro” anunciando que a única pessoa autorizada a falar sobre política econômica é o quase ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e, além dele, o futuro presidente da República. aos demais, resta apenas reforçar o que Temer e Meirelles disserem.
A “bronca” tem um objetivo claro: evitar que a presidente Dilma Rousseff, sempre de olho nos passos do vice, tente se antecipar a ele, de forma a boicotar ou se antecipar a ações que estão em planejamento no Palácio do Jaburu. O reajuste do Bolsa Família, dizem aliados de Temer, foi um desses projetos que veio sob encomenda para evitar que o vice pudesse elevar os valores pagos aos mais pobres.
Ayres, o nome
O vice-presidente Michel Temer não desistiu de nomear um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal para comandar a Justiça ou a Defesa. Ontem, jantou com o ex-ministro Carlos Ayres Britto, de quem é amigo. Sinal de que vai insistir.
Cunha contra Maia
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), passou a trabalhar contra a indicação de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para líder do governo Michel Temer na Câmara. São dois problemas: primeiro, Cunha prefere alguém que responda mais ao seu comando. Em segundo, Rodrigo é do Rio, onde o presidente da Câmara não pretende ver ninguém brilhando acima do PMDB.
Dúvida cruel
A presidente Dilma Rousseff foi alertada por alguns amigos que, em caso de impeachment, ela perderá a aposentadoria presidencial e os seguranças a que tem direito. Se renunciar, não perde esses benefícios. É algo a pensar. Porém, no momento, ela não cogita.
Realidade cruel
Apenas no final da semana passada a presidente passou a ter ciência de que seus dias no poder estão contados e que um governo Michel Temer, depois de ganhar fôlego, só terminará em 01 de janeiro de 2019.
CURTIDAS
Aproveita, querida/ Dilma vai aproveitar esses últimos dias para inaugurar casas populares e dar entrevistas. Hoje é a vez da BBC. Em sua equipe, há quem desconfie que, passada a posse de Temer, as falas da presidente afastada vão virar nota de rodapé.
Terra de Murici/ A ausência de Lula no 1 de maio foi lida por muitos como o gesto de “adeus, querida”. Ontem, a ida do ex-presidente a Brasília foi vista mais como uma ação para cuidar de si, depois da denúncia ao STF! Do que uma ajuda à presidente Dilma. Não é de hoje que alguns petistas de peso afirmam que Lula só pensa em si.
Ensaio geral/ O ex-deputado Geddel Vieira Lima acompanhou a reunião de Michel Temer com o presidente do PSDB, Aécio Neves. Já exercia ali o papel de articulador político do futuro governo Michel Temer.
Vem aí/ O vice-presidente Michel Temer vai mandar colocar uma tenda, com banheiro, café e água para os repórteres que fazem plantão no Palácio do Jaburu. Ufa!
Enviado do meu iPad
A exposição do procurador Júlio Marcelo de Oliveira, ontem, na comissão especial do impeachment no Senado, praticamente sepultou as esperanças do governo em relação às “pedaladas” fiscais de 2015. Enterrou ainda as apostas numa recomendação favorável à aprovação das contas do ano passado por parte do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). Essa era uma das estratégias do PT para tentar obter alguma chance de evitar os 54 votos pró-impeachment na fase posterior. Agora, comentam alguns petistas, a hora será de preparar o partido e a presidente Dilma Rousseff para o afastamento definitivo.
Quanto à proposta de novas eleições, até os petistas consideram que a presidente demorou demais para decidir sobre o tema. Se o fizer agora, avaliam representantes do PT, soará como um golpe contra o vice-presidente Michel Temer, que está a poucos dias de assumir o poder.
DEM na Educação
Depois de figurar entre as apostas para assumir o Ministério de Minas e Energia e Comunicações, o DEM ficou com Educação. O nome para o cargo é o do deputado Mendonça Filho, de Pernambuco (foto). A Bahia terá apenas um ministério, a Secretaria-Geral da Presidência da República, com Geddel Vieira Lima.
GSI e orçamento
Os militares não veem a hora da recriação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) com status de Ministério. Em conversas reservadas, eles fazem chegar ao vice-presidente Michel Temer que essa pasta não representaria aumento de despesa, uma vez que é composta por pessoal das Forças Armadas da ativa.
Denúncia em Minas I
Prestes a ser denunciado por corrupção com o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, iniciou as conversas preliminares com os responsáveis pela Operação Acrônimo para uma delação premiada. Independentemente do resultado, a denúncia contra os dois e contra executivos da Hyundai já está sendo digitada nos computadores dos investigadores.
Denúncia em Minas II
O governador responde por causa de uma portaria, que teria beneficiado a Hyundai. O advogado dele, Eugênio Pacceli, disse que a venda de portaria é absurda, porque a medida atendeu um setor inteiro e não apenas uma empresa. “Em relação a esse fato, não há crime algum”, disse. É por aí que a defesa pretende seguir.
CURTIDAS
Há vagas/ Com a transferência de presos da carceragem da Polícia Federal em Curitiba para São José dos Pinhais, há espaço para novas prisões. É a Lava-Jato voltando a assombrar aqueles que até agora ficaram na penumbra.
Apelos a Michel I/ Assim como os tucanos, os deputados do PMDB têm reunião hoje para conversar sobre o governo Michel Temer. O grupo que apostou no vice quando o impeachment era um projeto incerto quer ser ouvido na escolha dos ministros.
Apelos a Michel II/ Jornalistas que fazem plantão na porta do Palácio do Jaburu têm passado maus bocados. Não há sequer um banheiro. No Alvorada, a estrutura foi montada nos tempos de Fernando Henrique Cardoso, depois que os profissionais credenciados apelaram para a secretária de imprensa, Ana Tavares, e o então vice-presidente, Marco Maciel.
Apelos a Michel III/ Num belo dia de plantão, os jornalistas pararam o carro do então vice-presidente na saída do Alvorada e explicaram a situação. Ele ouviu e, pouco tempo depois, lá estava o “comitê de imprensa”, com banheiro e telefone público. Fica a dica.
Enquanto isso, no Planalto…/ A recepção da tocha olímpica deve ser a última solenidade da presidente Dilma quanto às Olimpíadas do Rio. Será algo mais discreto do que o planejado lá atrás. Apesar dos apelos no comitê olímpico para que os movimentos pró e contra o impeachment evitem manifestações, neste momento do país, todo cuidado é pouco.
Enquanto o vice-presidente Michel Temer prepara a largada de seu governo para meados de maio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trata de colar suas ações aos movimentos sociais ligados ao partido. A ordem é não perder a base com a qual ele tentará erguer uma oposição ferrenha ao futuro presidente. Até nas conversas sobre antecipação das eleições, Lula foi evasivo e disse que antes de adotar qualquer posição, precisaria conversar com os movimentos sociais.
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Para alguns lulistas de carteirinha, o sinal está dado: o petista prefere hoje entregar o governo a Michel Temer por dois anos e meio e usar esse período para tentar reconstruir o PT, de forma a assegurar uma maior competitividade eleitoral. E Dilma nisso tudo? Manterá a cena da mulher injustiçada. Cada qual no seu papel.
Em gestação
Uma das medidas que Michel Temer pretende adotar logo nos primeiros dias é um recadastramento dos beneficiários do Bolsa Família. Nada que afete o objetivo do programa. Apenas para identificar quem recebe o benefício fora dos critérios legais. Muitos já levaram ao vice informações de que, em alguns pontos do país, o projeto tinha um jeitão de “bolsa voto”.
Daniele e Mônica
Daniele Fontelles, sócia da agência de comunicação Pepper que fez delação premiada dentro da operação Acrônimo, teve muito mais a dizer do que Mônica Santana, presa pela Lava-Jato. Há quem diga que a lupa da Acrônimo sobre desvios de recursos do Ministério do Desenvolvimento para a campanha de Fernando Pimentel envolverá
outras agências.
Continhas
Muitos senadores que aparecem como indecisos nos levantamentos dos jornais sobre o placar do impeachment na Casa comentam à boca pequena que são favoráveis à continuidade do processo. Diante disso, a aposta é a de que os dois terços, 54 votos, já estarão garantidos na primeira fase.
Cunha, o necessário?
Nas coxias da Câmara, muitos dizem que o futuro presidente Michel Temer precisará do estilo Eduardo Cunha em seus primeiros dias de governo para fazer tramitar rapidamente medidas econômicas. A ideia é aprovar tudo antes do desfecho do processo contra o presidente da Casa chegar ao plenário.
CURTIDAS
E as vaias não param/ O deputado José Rocha ouviu duas sonoras reprimendas dia desses. Uma no aeroporto Luís Eduardo Magalhães e outra no Iate Clube de Salvador. Ele foi um voto a favor do governo no processo de impeachment de Dilma na Câmara.
Por falar em governo…/ Está cada vez mais comum os parlamentares conversarem sobre governo sempre com a ressalva: “Peraí, de qual governo você está falando, do que está de saída ou do que vai entrar?”
Sintomático/ Os ministros palacianos de Dilma, Jaques Wagner (foto) e Ricardo Berzoini, não fizeram qualquer investida no Senado para a busca de votos pró-Dilma. Os de Michel Temer estão a mil por hora.
Teatro/ Nos bastidores, os aliados da presidente Dilma Rousseff não escondem mais a angústia. Dizem que lutam no Senado a batalha perdida, mas não podem perder a pose.
Se até a semana passada o Diário Oficial da União vinha recheado de nomeações, a onda agora no governo é exonerar. Em ministérios como Fazenda, Cultura, Desenvolvimento Social e até Agricultura, a ideia é demitir técnicos nomeados para tocar o barco da administração. Está tudo em fase de preparação para que, quando o vice-presidente Michel Temer assumir no papel de interino, em meados de maio, os novos ministros indicados por ele cheguem para trabalhar e não tenham equipe. Assim, levará um tempo para conseguir as informações e colocar a casa em ordem. Para quem precisa chegar já mostrando serviço e não pode queimar a largada, será um problema a mais.
Em tempo: Na Agricultura, não se vive só de exonerações. Uma das nomeações foi a de Arno Jerke Júnior para a diretoria da Conab. Júnior é padrasto da neta da ministra Kátia Abreu.
A bola é de Temer I
O PSDB planeja devolver ao vice-presidente Michel Temer a prerrogativa de dizer se o partido deve ou não participar do governo. Para isso, vem aí um documento de princípios e valores em que os tucanos pregarão a decência e a eficiência, colocando-se a favor de ajudar o Brasil. Se com cargos ou sem, caberá a Temer definir. “Não há como o PSDB fugir das suas responsabilidades. Precisamos estar disponíveis para auxiliar o país, se formos chamados. Onde e quem? Caber ao Temer definir”, afirma o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES).
A bola é de Temer II
Os tucanos, entretanto, não deixarão de dar seus pitacos. O senador Paulo Bauer (PSDB-SC), por exemplo, pediu que constasse entre os princípios algo mais geral, como redução de ministérios e o não aumento da carga tributária.
.Salário-minimo intacto
O vice-presidente Michel Temer foi aconselhado a não mexer na atual regra de correção do valor do salário mínimo. A legislação atual determina a correção pela variação do PIB de dois anos anteriores (no caso deste ano, 2014) mais a inflação. No ano que vem, a correção será apenas pela inflação, porque o PIB foi negativo. Se alguém reclamar, Temer pode mandar falar com o PT, que propôs essa fórmula.
Baiano combustível
As afirmações do lobista Fernando Baiano ontem ao Conselho de Ética, sobre acordo para pagamento de propina a Eduardo Cunha, podem até não ser usadas no processo em curso. Mas vão enfraquecer perante a Câmara a perspectiva de transformar o relatório que pede a cassação de mandato em suspensão e ou advertência, como planejam aliados do presidente da Casa.
CURTIDAS
Foi combinado I/ Organizadores do seminário do Instituto de Direito Público (IDP) descobriram essa semana que a manifestação na porta da Faculdade de Direito foi promovida a pedido de militantes petistas no Brasil e, a pedido dos estudantes, contou com o apoio do professor Boaventura de Souza Santos, diretor do centro de estudos sociais da Universidade de Coimbra e coordenador de diversos programas de doutorado, inclusive Democracia no Século XXI.
Foi combinado II/ Eles tiveram acesso à troca de e-mails entre estudantes do Porto e da Universidade de Coimbra que fizeram reuniões com petistas brasileiros interessados em fretar um ônibus do Porto para Lisboa e pediram apoio do professor. Boaventura lembra que o seminário estava programado há tempos, mas presta solidariedade aos estudantes.
O que vale para a Supremo…/ … O governo tentou de tudo para evitar que Antonio Anastasia assumisse a relatoria do processo de impeachment na comissão especial, por ser do PSDB. Terminou desistindo quando o senador Magno Malta lembrou que o ministro Antonio Dias Toffoli tinha sido da Advocacia Geral da União no governo Lula e ainda assim não teve qualquer impedimento para julgar o processo do mensalão.
Começou/ No plenário do Senado, os aliados de Dilma Rousseff já falam em antecipação das eleições. Para muitos é a senha para dizer que a presidente já está ciente de que o período agora é de contagem regressiva.
Enquanto Michel Temer se dedica a escolher o futuro ministro da Fazenda e afunila para o nome de Henrique Meirelles, os deputados do PP sonham em ver o partido como o segundo aliado na hora de ocupar espaços no futuro governo. Ocorre que, para realizar o sonho dos pepistas, Temer terá que manter a lógica do toma-lá-dá-cá que terminou responsável por parte da derrocada do governo Dilma Rousseff. Até aqui, a situação recomenda que não siga por esse caminho.
Os pepistas, entretanto, recorrem ao pragmatismo: Embora uma parte esteja enroscada na Lava Jato, eles lembram que Temer precisará é de votos no plenário. Pelo andar da carruagem, será difícil Temer se livrar de ter que oferecer cargos em troca de apoio no Congresso.
O “arriar das malas” I
Em 1992, o vice-presidente Itamar Franco teve três ministros da Fazenda, antes de chegar a Fernando Henrique Cardoso, uma espécie de pai do Plano Real. FHC foi nomeado em maio de 1993, cinco meses depois de Itamar assumir o poder. Michel Temer, comentam deputados e senadores, não poderá dispor desse período, porque terá oposição. Itamar praticamente não tinha oposicionistas no início de seu governo.
O “arriar das malas” II
Michel Temer já foi aconselhado a tomar cuidado com o espaço a designar aos amigos que sempre estiveram ao seu lado. Não pode, daqui a alguns dias, “queimar a largada” com um governo que seja como um jantar no clube com os mais próximos. O momento é de ampliar.
PMDB e PSDB têm a força
Seja na comissão especial, seja no plenário, o governo Dilma já jogou o a tolha em relação a essa análise preliminar no Senado. A esperança é o processo em si. Nem a escolha do relator os petistas vislumbram alguma chance de alterar.
Manobra à frente
O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) vai jogar nos próximos dias para tentar transformar o pedido de cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, numa pena mais branda. Se conseguir, terá cumprido o objetivo de fazer com que o plenário só tenha a opção intermediária na hora de julgar o presidente da Casa.
CURTIDAS
Atração turística/ Fez sucesso nas redes sociais as fotos de Milena Teixeira, mulher do novo ministro do Turismo, Alessandro Teixeira. Miss bumbum Estados Unidos em 2013, ela posou no gabinete do marido e comentou: “Meu primeiro dia como primeira dama do Turismo do Brasil”. É… Aproveita, porque serão poucos, Milena..
Castigo/ Assim como Waldir Maranhão, o deputado Beto Salame, do PP do Pará, perdeu o comando do partido em seu estado. O único que sobreviveu nessa história entre aqueles que prometeram dar um voto em favor da presidente Dilma Rousseff foi o deputado Dudu da Fonte, de Pernambuco.
Salvo pelo alfabeto/ Dudu teve a sorte do 342º voto ter caído para um deputado Bruno Araújo, do PSDB, dois antes dele na lista de chamada. Assim, com o resultado definido, voltou a favor do impeachment.
Hoje tem/ O Poder Judiciário tem encontro marcado hoje no Supremo Tribunal Federal (STF), no lançamento do Anuário da Justiça de 2016, as 18h30.

