Categoria: coluna Brasília-DF
O grupo J&F pode ter recebido o que os médicos costumam chamar de “visita da saúde”, com o vantajoso acordo de leniência que ajudou a subir a cotação das ações de empresas do grupo na Bolsa de Valores. É que procuradores afirmam já ter elementos para dizer que a companhia terá que responder por informação privilegiada por ganhos obtidos quando do vazamento da gravação da conversa de Joesley Batista com o presidente Michel temer.
Só tem um probleminha: a dupla Joesley e Wesley sempre poderá dizer que “não sabia de nada” a respeito da aplicação no mercado de câmbio, mas a empresa terá que responder. Ou seja, os problemas da JBS estão longe de terminar com a delação.
E o Palocci, hein?
O pedido de prisão domiciliar para o ex-ministro Antonio Palocci, justamente, às vésperas do Congresso do PT foi lido por setores do partido como um recado do tipo, “me aguardem”.
Temer respira…
A avaliação dos políticos é a de que a situação política do presidente Michel Temer é muito melhor hoje do que ontem. A cada dia a sua aflição.
… apesar dos pesares
A coluna quis saber dos ministros e líderes aliados do presidente qual o maior imponderável que Temer precisa enfrentar hoje para atravessar esse período. A maioria não tem dúvidas. É o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, filmado carregando uma mala com
R$ 500 mil.
Distritão
Enquanto a Comissão de Constituição e Justiça do Senado faz andar a eleição direta em caso de vacância da presidência da República, a Câmara realiza consultas sobre a reforma política. Começa a se formar um consenso entre os deputados de que a melhor saída para eles hoje é o distritão (onde os mais votados são eleitos). É mais fácil de o eleitor entender e, para completar, há quem jure que ajudará muitos congressistas hoje, por causa dos votos do interior.
Aposta
Representantes de peso do mercado financeiro apostavam ontem à tarde na queda de um ponto percentual nos juros. E por um motivo muito simples: 0,75 e 1,25 são patamares que podem requerer algum tipo de explicação. Um ponto ficava no meio termo. Bingo!
Ele não perde o humor/ Se tem algo que caracteriza o líder do governo no Senado, Romero Jucá (foto), é a capacidade de rir de si mesmo. Ele se referiu assim a quem perguntava a ele sobre eleição direta já: “É para derrubar o próximo. Se vier um doidinho, com um vice doido, já teremos a eleição direta. O Michel, obviamente, vai terminar o mandato”, afirmou Romero.
Por falar em Jucá…/ Numa rápida conversa no Planalto, Jucá tinha acabado de dizer a um grupo de jornalistas que não mexia “com essa história de cargo”. Eis que um homem se aproxima e vai logo agradecendo: “Senador, obrigado, viu? Aquelas pessoas que o senhor indicou já estão trabalhando”.
E em diretas…/ O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) não titubeou ao explicar por que a CCJ aprovou a eleição direta em caso de vacância da Presidência da República: “Sabe como é, às vezes a Casa vota por pressão popular. Eu defendi eleição indireta, que é a que está na Constituição”.
Enquanto isso, no Planalto…/ Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) preferiram ficar distantes da solenidade de posse do ministro Torquato Jardim. Não é momento de desfilar nos salões palacianos.
Olho vivo/ Deputados enroscados em processos da Lava-Jato acompanharam, da sala de café do plenário, os votos dos ministros sobre a restrição do foro privilegiado. É a preocupação da maioria no momento.
Se tem alguém torcendo para o presidente Michel Temer não cair em função do encontro com Joesley Batista, esse alguém é Eduardo Cunha. É que, se Temer sucumbir, Cunha perde seu único “produto” numa delação premiada. Para conseguir levar o Ministério Público a aceitar os termos de uma possível delação, Cunha precisa ainda de Michel Temer inteiro e, a partir daí, tentar montar o enredo capaz de fazer com que o Ministério Público aceite um acordo. E se Michel cair antes de Cunha delatar, o ex-presidente da Câmara corre o risco de ficar indefinidamente na prisão.
O imponderável que mais preocupa
Em conversas reservadas, aliados do presidente Michel Temer têm dito que Rodrigo Rocha Loures não tem sangue frio para segurar nem barulho de sirene, quanto mais condução coercitiva ou coisa que o valha. Há quem diga que ele está a um passo da delação premiada.
O trunfo de Rodrigo Maia
Uma candidatura de Rodrigo Maia a presidente da República é vista hoje como a mais viável por um simples motivo: põe na roda a Presidência da Câmara, um cargo capaz de atrair muitos apoios. Para se opor a isso, só Geraldo Alckmin, que pode colocar a disputa ao governo de São Paulo, em 2018. Obviamente, para Alckmin empreender algum jogo nesse sentido precisa combinar com o vice, Márcio França, e com o PSDB paulista.
O que move os tucanos
O PSDB tem avaliado em suas conversas mais reservadas que a permanência do presidente Michel Temer enfraquecido não interessa ao partido. E o motivo é simples: Temer desgastado tira do PSDB a chance de se fortalecer para concorrer à Presidência da República em 2018. Por isso, a data-limite para o partido é o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral.
Dois movimentos
Além da tentativa de retomar a votação das reformas, em especial, a trabalhista no Senado, o governo tem duas outras ações importantes no Congresso para a semana que vem: a contestação da delação superpremiada da J&F e, ainda, quem ganhou dinheiro com a alta do dólar.
Estão todos de olho
A saída de Maria Sílvia Bastos Martins do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi vista como um indício de que o governo está prestes a abrir os cofres da instituição a empresas dispostas a apoiar a sua permanência no cargo.
O sonho de Michel/ Antes de a gravação de Joesley Batista jogar o presidente Michel Temer à beira do abismo, o peemedebista havia feito a seguinte pergunta a um tucano de quem é muito próximo: “Como faço para atrair o PSDB?” A meta era uma possível candidatura em 2018.
O vice da hora/ Aldo Rebelo vem sendo citado em todas as rodas como o vice dos sonhos de qualquer um numa eleição indireta. Até mesmo de Rodrigo Maia (DEM-RJ).
A desconfiança é geral/ Renan Calheiros está de um jeito que os aliados de Michel Temer no PMDB estão desconfiados de que ele e Lula estão trabalhando em parceria. Renan “on-line” atirando contra o governo, e Lula “offline”, jogando nos bastidores para Temer ficar, ainda que enfraquecido, para que o PT tenha algum sucesso em 2018.
Meu garoto!/ Em meio à tensão sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um dos ministros da Corte teve uma boa notícia: Admar Gonzaga soube essa semana que seu filho, Henry Zaga, será o Mancha Solar no longa do X-Men que estreia em 2018. O ator brasiliense vai contracenar com Maisie Williams (foto), a Arya Stark, de Game of Thrones.
Enquanto alguns discutem nomes alternativos para uma saída do presidente Michel Temer, seus fiéis escudeiros estão em campo e em contato direto com empresários com a seguinte mensagem: sem Michel Temer não há quem junte todos os partidos da situação em prol das reformas que o mercado requer para dar estabilidade e segurança jurídica aos investidores. Nessa linha, que ninguém se surpreenda se o PMDB começar a colocar defeito em todos os atores escalados para o papel de sucessor de Temer. Afinal, se funcionar, é mais um fôlego. Pelo menos, até o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O julgamento começa daqui a 11 dias, sem data para terminar. E, conforme publicou a coluna em 19 de maio, ministros do TSE que estavam fechados com Temer viram na crise a justificativa para pensar em mudar o voto.
Os imponderáveis…
Quem acompanha a política e a tentativa de preservar o presidente Michel Temer no cargo monitora os movimentos do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures e os do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso em Curitiba.
…E um alvo
Alguns dizem que tanto Cunha quanto Rocha Loures têm hoje mais potencial explosivo do que o próprio Tribunal Superior Eleitoral. É que, se decidirem falar, não terão outra saída, que não seja atirar sobre Michel Temer.
Enquanto isso, no PT…
Em conversas pra lá de reservadas já tem gente aliada ao PT dizendo que o melhor para o partido é Michel Temer ficar sangrando até 2018. Assim, a legenda mantém o diálogo direto com os movimentos sociais e tem tempo de sedimentar Lula e, se brincar, um plano B para a hipótese de o ex-presidente não ter chances de concorrer.
Nem reformas
nem fora Temer
O que mobilizou realmente os sindicalistas a lotarem a manifestação de quarta-feira foi o fim do imposto sindical, que hoje faz a alegria de todos os sindicatos.
O cara é ele
Nem tucano nem peemedebista nem jurista. Se Michel Temer for apeado do poder, o nome preferido dos deputados é o do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Espião I/ Um deputado aliado do presidente Michel Temer que pedala diariamente nas ruas de Brasília passou cedinho na quarta-feira pelo acampamento dos sindicatos no estacionamento do Mané Garrincha. Ficou impressionado com a estrutura da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST).
Espião II/ O parlamentar ciclista fez questão de percorrer toda a área e fez um ranking das centrais, em termos de estrutura: a NCST em primeiro disparado. Depois, vem a CUT. Por último, a Força Sindical.
Elas & ela/ A absolvição de Cláudia Cruz (foto) foi vista com esperança por esposas de outros políticos enrolados. Daqui a pouco, diziam ontem os adversários do PT, a única culpada será Marisa Letícia, que não tem mais como se defender.
Impossível agradar a todos/ Houve muita reclamação sobre as tropas nas ruas. Porém, um cidadão que assistia ao noticiário na tevê de uma lanchonete reagiu assim quando ouviu que o presidente Michel Temer havia retirado o decreto que colocava as Forças Armadas nas ruas: “Ô homem frouxo!”.
A falta de acordo entre os partidos políticos para a eleição indireta é o que hoje sustenta Michel Temer no cargo. O PSDB infla o senador Tasso Jereissati, mostrando que ele é capaz de tocar as reformas. O PMDB, por sua vez, aposta mais no presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, e no ex-ministro Nelson Jobim. O DEM quer é o DEM, leia-se, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
A oposição não quer nenhum dos três grandes partidos. Renan Calheiros cita vários candidatos, dizendo que “Cármen Lúcia cresce nas crises”. Aliados do PT trabalham Ayres Britto, que Renan descarta da mesma forma que afasta Fernando Henrique Cardoso. Se continuar nesse pé, ninguém se surpreenda se vier por aí um “fica, Temer”.
Precificado & não-contabilizado
Diante do preço do estádio Mané Garrincha e a falta de fiscalização federal sobre a obra, muitos no mercado da política davam como favas contadas a prisão de José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz. O que o Planalto não esperava era a prisão do ex-vice-governador Tadeu Filippelli, assessor especial da Presidência da República até ontem.
A tese do PMDB
Em avaliações para lá de reservadas, os peemedebistas calculavam que Tadeu Fiippelli foi preso ontem apenas como uma forma de chacoalhar ainda mais Michel Temer no cargo. O presidente, que já não está bem das pernas, tratou logo de exonerar o amigo, o terceiro a cair em menos de um ano e o segundo em sete dias. Os outros foram Rodrigo Rocha Loures, pela delação da JBS, e José Yunes, depois da delação da Odebrecht.
A tese do PT
Os petistas começaram a discutir a eleição indireta, porém, têm em mente que, se houver unidade nos partidos aliados ao presidente Michel Temer, essas legendas elegem quem quiser. O PT só terá importância se a base do governo estiver dividida. Por isso, o partido de Lula considera que o principal papel da esquerda agora é paralisar as reformas para não dar sobrevida a Temer nem tampouco mostrar que o presidente é capaz de estabilizar a economia.
A Ford mandou
Com a obstrução do PT em relação às medidas provisórias em pauta, representantes da Ford interessados em manter a prorrogação dos incentivos ligaram direto para os governadores do Ceará, Camilo Santana, e da Bahia, Rui Costa. O recado foi claro: ou põe o PT para votar ou adeus, fábricas.
Me erra!/ A cena mais corriqueira ontem no parlamento era de deputados se esquivando de comentar as prisões de ontem, todas baseadas em delações da Andrade Gutierrez. Sabe como é… Quem recebeu algum dinheiro de doação de caixa dois não quer provocar os delatores nem tampouco ser lembrado por eles.
Ficou mal no ninho/ As declarações de Domingos Sávio (PSDB-MG) jogando Aécio Neves aos leões antes mesmo que o senador tucano afastado do mandato tentasse explicar o diálogo com Joesley Batista foram muito mal recebidas pelo PSDB mineiro. Afinal, se tem uma coisa que se aprecia na política partidária (e é cada vez mais difícil) é a lealdade em momentos difíceis.
Diretas já…/… Na Une. Com a cúpula da União Nacional dos Estudantes na Câmara em campanha por eleição direta já para presidente da República, os governistas partiram para cima do PCdoB: “Que tal eleição direta para presidente da UNE, em vez dessa história de voto de delegados?” Os comunistas fizeram cara de paisagem.
Renan é fofo/ Pelo menos, para a oposição ao governo de Michel Temer. O líder do PMDB, Renan Calheiros (foto), virou realmente o rei da oposição ao dizer ontem que, se votasse na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), se posicionaria pelo adiamento da leitura do relatório da reforma trabalhista. Na hora em que Renan defendeu o desejo da oposição, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) virou-se para ele e saiu-se com esta: “Meu presidente, estou lhe amando!”
O líder do PMDB do Senado, Renan Calheiros, chega ao final deste primeiro ano do governo de Michel Temer disposto a fazer inflexões em relação à reforma trabalhista e guardar energias para o futuro. Ele já percebeu que o cavalo de batalha não é o texto em análise no Senado, que pode ser votado por maioria simples. O poder de pressão do líder do PMDB estará mais forte na reforma previdenciária, que precisa de 54 votos no Senado para ser aprovada. É aí que o governo jogará o duelo de titãs.
Lula e os outros
Os petistas estão cada vez mais dedicados à narrativa da perseguição ao partido. Ontem, não foram poucos os deputados e senadores que trataram as afirmações de João Santana e Mônica Moura sobre a ex-presidente Dilma Rousseff e, ainda, o ex-prefeito Fernando Haddad, como estrategicamente divulgadas para não deixar o PT com nenhum plano B para a campanha de 2018.
Lá e cá
A atual direção do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, vai a Washington para apresentar mais uma denúncia à Justiça americana contra o BNY Mellon, o banco acusado de gerar um prejuízo hoje calculado na ordem de R$ 1 bilhão aos aposentados e pensionistas da empresa. Nos Estados Unidos, o BNY Mellon já foi condenado a devolver US$ 700 milhões por prejuízos aos americanos. Aqui, várias ações correm na Justiça sem desfecho.
Placar
A contabilidade de deputados governistas sobre a reforma da Previdência está em 260 votos favoráveis no plenário da Câmara. Sinal de que a votação vai ficar mesmo para o fim do mês ou, na hipótese mais otimista, para início de junho.
Para conferir depois
O líder do DEM, Efraim Filho, se mostrava ontem animado com a exposição do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. Efraim, que é da Paraíba, terra onde Lula mantém uma liderança expressiva nas intenções de voto, referiu-se ao depoimento como “o começo do fim”.
Um ano de governo Temer
O presidente Michel Temer tem dito a amigos que seu único desejo é poder terminar o governo com a sensação de ter tirado a economia brasileira do buraco. Esses amigos têm dito que o presidente hoje está na metade desse caminho. Melhor que nada.
Imagina na Copa I/ Advogados que acompanharam o depoimento do ex-presidente Lula em relação ao triplex no Guarujá ficaram preocupados com o clima entre os defensores do ex-presidente, em especial Cristiano Zanin Martins, e o juiz Sérgio Moro para os próximos “encontros”. Afinal, há outros quatro processos em que Lula ainda não foi ouvido.
Imagina na Copa II/ Se, nessa ação do apartamento, considerada uma das mais frágeis, Cristiano ficou nervoso e Moro teve momentos de impaciência, imagine na hora em que chegar aos outros inquéritos…
A festa na primeira vice/ O jantar que o primeiro vice-presidente da Câmara, o peemedebista Fábio Ramalho (foto), serve em seu gabinete todas as quartas-feiras de votações até tarde da noite está tão famoso que até os garçons da Casa têm tirado uma folguinha no trabalho para degustar as iguarias da cozinha mineira.
Enquanto isso, no Planalto…/ Hoje tem festa para marcar um ano de governo, mas não terá lançamento do programa “Avançar”. Apenas, balanço. Primeiro, o governo quer fazer as contas para, depois, apresentar novos projetos. Melhor assim.
Advogados e políticos que acompanharam o ex-presidente Lula em Curitiba consideram grandes os riscos de ocorrer com o petista o que houve com ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR), em 2014. À época, Arruda conseguiu o registro de sua candidatura para concorrer a um novo mandato de governador, mas, logo depois, foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de comandar o mensalão do DEM. Os advogados ainda tentaram manter a candidatura, mas a Justiça decidiu que a inelegibilidade da Ficha Limpa deve ser considerada antes da eleição e não apenas no período anterior ao registro.
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A aposta dos especialistas, considerados os prazos com que Sérgio Moro costuma proferir as sentenças, é a de que Lula será, sim, condenado e, se a segunda instância mantiver o ritmo com que tem trabalhado até aqui, o ex-presidente chegará ao segundo semestre de 2018 com a candidatura registrada, porém balançando numa data bem próxima ao pleito. É esse o cenário que mais preocupa os petistas. É que, no lusco-fusco, ficará difícil trocar de candidato. Foi mais ou menos o que houve com o PR, que, a menos de um mês da eleição, lançou o nome de Jofran Frejat no lugar de Arruda.
Sai daí rapidinho!
Aliados que acompanharam o ex-presidente Lula em Curitiba consideraram que a presença de Dilma Rousseff no ato era desnecessária. A ordem no PT era deixar o palco exclusivo para Lula. Aliás, o partido tem se especializado em dizer
que o governo Dilma teve problemas, mas o de Lula
foi bom. É por aí que eles pretendem empreender a campanha para 2018.
Há vagas
O governo não vai conseguir blindar as agências reguladoras de indicações políticas. Nos bastidores, a briga maior é pela vaga que abre dia 28 deste mês na Agência Nacional do Petróleo (ANP). E, sabe como é, em tempo de reformas em pauta, o governo não nega nada
a ninguém.
Juiz escoltado, procuradores escoltados, só quem chega livre e nos braços do povo é o réu”
Lula, ex-presidente,
ao sair do depoimento ontem em Curitiba
O exercício de Serra/ Acostumado a viajar de São Paulo para Brasília todas as semanas, o senador José Serra (foto), do PSDB-SP, tem reparado que os voos vindos da capital paulista sempre param nos fingers mais distantes, o que obriga os passageiros a andarem por toda a área de embarque.
O cálculo de Serra/ “Eu até não desgosto, porque faço uma caminhada, mas há aí uma ação deliberada para que passageiros de voos de regiões de maior poder aquisitivo terminem andando mais pelo aeroporto e acabem parando em alguma lojinha no trajeto. Se não fosse proposital, não seria sempre no último finger, mas sempre é. Sou economista, sei que isso acontece”, disse ele a indicados para o Cade.
O olho deles/ Investidores estrangeiros ficaram animados com a perspectiva de melhora da economia nacional, mas, enquanto não houver a certeza de que o Brasil está cuidando das suas contas, leia-se aprovando reformas, ninguém vai abrir a carteira de forma muito generosa.
A queda de Dilma/ O jornalista Ricardo Westin lança. na segunda-feira, às 20h, na Leitura, do Pátio Brasil, o livro A queda de Dilma — Os bastidores do impeachment da presidente que desprezou as lições políticas de Maquiavel.
Na semana passada, os procuradores Carlos Fernando e Deltan Dallagnol já tinham pronta a nova denúncia contra José Dirceu. Eles foram até o juiz Sérgio Moro pedir a prisão do ex-ministro da Casa Civil de Lula, pois já desconfiavam que o Supremo Tribunal Federal (STF) soltaria Dirceu. Moro recusou o pedido: “Não posso entrar nessa bola dividida agora. Não, nesse momento”, disse o juiz, segundo relatos dos procuradores a outros colegas.
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Para quem acompanha todos os lances da Lava-Jato está claro: o juiz recuou um passo para tentar avançar dois mais à frente. Aliás, quem tem acesso a ele diz que o lema de Moro é: não basta combater a corrupção. É preciso jogar para não deixar que a classe política acabe com as investigações.
Entregou
A rapidez com que os advogados de Antonio Palocci recorreram da decisão do ministro do Supremo Edson Fachin, de mandar o pedido de soltura direto para o plenário do STF, deu a muitos a sensação de que estava tudo acertado para que, depois de Dirceu, Palocci fosse o próximo a sair da cadeia. Agora, no entanto, as apostas são as de que ele continuará preso.
O jogo tucano
No PSDB tem torcida para que o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, permaneça longe do governo. É que, assim, com os peemedebistas divididos, o presidente Michel Temer precisará mais dos tucanos e cederá mais espaço na distribuição do poder. O PSDB tem hoje a secretaria de Governo da Presidência da República e sonha com voos mais altos.
No bolso
O deputado Mario Heringer, que está de licença médica e acompanha o presidente da câmara, Rodrigo Maia, ao Líbano, avisa que suas despesas serão pagas por ele mesmo, sem diárias custeadas pela Câmara. Menos mau.
“Estamos felizes com o fato de o STF ter começado a romper com uma omissão de anos e coloque as coisas no lugar. São mais de 300 mil presos provisórios e preventivos no país. Isso tem que mudar. A prisão não pode servir de tortura para coagir os presos”
Do ex-ministro Gilberto Carvalho
CURTIDAS
Mãozinha/ O ex-ministro Gilberto Carvalho falou com o governador Rodrigo Rollemberg ontem no final da tarde. Ele pediu ajuda para que seja mantido um mínimo de civilidade nos arredores da casa do ex-ministro José Dirceu. Rollemberg prometeu auxiliar,
assim como o síndico do prédio. Depois das 22h, vai imperar a
lei do silêncio.
Os inocentes/ O que mais sensibiliza os amigos do ex-ministro é a filha pequena. Ontem, ela não saiu do lado do pai. Sereno, o ex-ministro avisou que não vai se mudar e porque não adiantaria. Seria apenas mudar os manifestantes de lugar.
Motivo nobre/ A instalação da Comissão Especial para tratar da
PEC do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) tem o objetivo de manter o parlamentar feliz.
Fala Vaccari!!!/ Até aqui, ficou a palavra do ex- diretor da Petrobras Renato Duque contra a de Lula e a de João Vaccari Neto (foto), o ex-tesoureiro do PT também preso pela Lava-Jato. Agora, o que um tesoureiro do PT, que deveria cuidar das contas do partido, queria saber sobre contratos da Petrobras é algo que chama atenção.
A bancada governista topou votar a emenda da reforma previdenciária na comissão especial, porém, antes de levar a proposta ao plenário da Câmara, os deputados querem ver a trabalhista aprovada no Senado. É que o baixo clero quer saber como se comportará o líder do PMDB, Renan Calheiros, para, depois, seguir em frente com a reforma previdenciária.
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Até aqui, o que o PMDB do Senado obteve, nesses primeiros dias de discussão da reforma trabalhista, foi uma bancada rachada entre os que desejam aprovar as propostas do governo e aqueles que permanecem entrincheirados contra Michel Temer, jogando para a plateia antirreforma. Essa disputa no PMDB do Senado é a primeira etapa. A votação da trabalhista, a segunda. E, finalmente, a reforma previdenciária. Não tem fase fácil nesse jogo.
A falta que faz Eunício
A ausência do presidente do Senado, Eunício Oliveira, tirou um pouco do poder de fogo daqueles que desejam apear Renan Calheiros do cargo de comandante da bancada. Eunício era quem, na visão de muitos, tinha formas de fazer um contraponto mais contundente ao líder do partido.
O drible de Fachin
A decisão de Edson Fachin de manter Antonio Palocci na cadeia e levar o caso para o plenário do Supremo Tribunal Federal é vista na classe política como a hora da verdade: agora, o Brasil saberá o que pensam todos os ministros sobre a prisão preventiva e não apenas os da segunda turma, que soltaram o ex-ministro José Dirceu.
Enquanto isso, no TSE…
O Tribunal Superior Eleitoral se prepara para prosseguir com o julgamento da ação que pede a cassação do mandato do governador do Amazonas, José Melo, condenado pelo TRE por abuso do poder econômico. O voto do relator, ministro Napoleão, foi favorável a Melo, porém, a ministra Luciana Lóssio pediu vistas e deve retornar o processo em sua última sessão. Ela deixa a Corte nesta sexta-feira, e será substituída por Tarcísio Vieira de Carvalho Neto.
Credibilidade
Enquanto as tevês abertas concentram audiência, pesquisas qualitativas encomendadas por setores do governo apontam que são nos jornais impressos e seus respectivos sites que os cidadãos consideram encontrar as notícias mais confiáveis. Isso porque o impresso é visto como um documento. Uma notícia num site, dizem os entrevistados, pode até ser retirada do ar, mas o papel é para sempre.
A hora das listas/ O grupo de peemedebistas mais afinado com Renan Calheiros garante que tem uma lista com a assinatura de 12 dos 22 senadores do partido em apoio ao líder alagoano.
DF na vitrine/ A primeira-dama do DF, Márcia Rollemberg, apresenta hoje na Espanha o programa Jovem Candango, uma janela para que o jovem busque o seu primeiro emprego. A primeira-dama falará no VIII Foro Haciendo Políticas Juntos, da Liga de Organizações da Sociedade Civil, que reúne 28 ONGs de 18 países. O Brasil é destaque porque, desde 2000, tem uma lei nacional do primeiro emprego, o Programa Jovem Aprendiz. No DF, a iniciativa existe desde 2014.
Zzzz…/ Quando um juiz não quer, o processo não anda. O ex-deputado João Caldas (AL) aguarda desde 2015 uma resposta do Tribunal de Justiça do DF sobre a apelação que fez na guerra para ser reintegrado ao Solidariedade, partido hoje controlado pelo deputado Paulinho da Força.
Follow the money/ A vida do ex-ministro José Dirceu fora da cadeia não deve ser recheada de luxos como outrora. É que se ele ainda tiver algum dinheiro guardado lá fora, não poderá movimentá-lo sob pena de chamar a atenção dos investigadores.
CB.Poder / O desembargador Antonio de Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foi o entrevistado do Programa CB.Poder, uma parceira da TV Brasília com o Correio Braziliense. Considerado um dos mais combativos e corajosos magistrados do país, Souza Prudente (foto) abordou o acesso à saúde, conflitos agrários e o Poder Judiciário.
Com dificuldades em encontrar uma justificativa que lhes permita não votar o fim do foro privilegiado este ano, os deputados enroscados na Lava-Jato e em outros escândalos cogitam sair da vida pública no ano que vem. É que, em muitos casos, as excelências só pensavam em concorrer a um mandato para não ficarem expostas aos juízes da primeira instância, a cada dia mais afeitos ao estilo do paranaense Sérgio Moro.
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Se não conseguirem evitar a aprovação da proposta, preferem dedicar os recursos ao pagamento
de advogados do que ao financiamento de campanhas, que não trarão os mesmos privilégios de hoje.
O teste do PT I
A mobilização em torno da greve geral de hoje é vista por muitos petistas como a prova dos nove para ver se o partido de Lula e a Central Única dos Trabalhadores ainda têm grande poder de mobilização. Se a adesão for baixa, é sinal de que o discurso de Lula não cala mais tão fundo assim na classe trabalhadora.
O teste do PT II
Um dos focos de atenção hoje da CUT será a classe média. Se o profissional liberal parar, é sinal de que Lula ainda tem algum apelo nesse segmento para 2018. Até aqui, avaliam os petistas, ele tem o Nordeste e grande parte do movimento sindical.
Por falar em petistas…
Emissários de Lula procuraram o ex-ministro Antonio Palocci para medir o grau de estrago que uma delação do “Italiano” pode causar. O grau de destruição é alto.
No DF, vai dar samba
Autoridades locais acreditam que a mobilização da greve será intensa no Distrito Federal. Afinal, justificam as autoridades, é o centro nervoso de sindicatos ligados a corporações importantes, como professores e vigilantes. Por isso, o governo estará todo mobilizado.
Inspiração/ Governos só decidiram cortar o ponto dos servidores que aderirem à greve hoje depois que o prefeito de São Paulo, João Doria (foto), anunciou que os faltosos não receberão o dia trabalhado.
Fernando Henrique, o eterno/ Ao encerrar ontem o seminário sobre trânsito e drogas no auditório do Correio Braziliense, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi apresentado pelo presidente do ITTS, Márcio Liberbaum, como o “eterno presidente”. É hoje o único ex-presidente brasileiro convidado para palestras em todo o meio acadêmico internacional.
PT na sondagem/ O monitoramento feito pelos petistas nas redes sociais indicou que o partido está no caminho certo da reconquista de popularidade. A contabilidade apontou mais aplausos do que críticas à movimentação dos deputados no plenário da Câmara, durante a longa sessão de votação da reforma trabalhista.
Sem pressão/ O presidente Michel Temer não foi à posse do ministro Admar Gonzaga no Tribunal Superior Eleitoral. Tudo para não passar a impressão de que pressiona o TSE nesse período de julgamento da chapa Dilma-Temer.
Apesar do recuo dos senadores em relação ao texto sobre abuso de autoridade, os políticos enroscados na Lava-Jato comemoraram a aprovação da proposta. Na avaliação de muitos, está claro que, daqui para frente, a vida deles vai mudar. Afinal, afirmam, se os senadores conseguiram um projeto, ainda que mais brando do que pretendiam, nada impede que, mais à frente, eles endureçam a proposta. Já tem gente pensando inclusive em apresentar projetos relativos aos itens suprimidos do texto, por exemplo, punição por hermenêutica, ou seja, interpretação da lei, algo inerente ao juiz.
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As mudanças no texto, entretanto, tiveram um outro objetivo: evitar brechas que pudessem levar o caso à Justiça. Nesse ponto de vista, a medida será inócua porque o deputado Fernando Franchischini (SD-PR) já entrou com mandado de segurança no Supremo para tentar suspender a tramitação da proposta.
E o Lula, hein?
Políticos e juristas têm feito as contas e consideram que Lula pode até escapar de punição no episódio do apartamento no Guarujá e no sítio. Mas não tem como explicar todos os recursos que recebeu das empreiteiras nem tampouco os dos filhos. Agora, é uma questão de saber qual dos processos que levará o ex-presidente à prisão, avaliam juristas.
PT no paraíso
Alguém pode até achar que o PT está triste com a saída de Dilma Rousseff da Presidência da República. Mas quem assistiu ao partido ontem na votação da reforma trabalhista percebeu que a legenda há anos não se mostrava tão feliz por ser oposição e discursar contra as reformas.
Temer no piso
Os caixões e cruzes que os petistas levaram ao plenário da Câmara ontem, tumultuando o cenário para votação da reforma trabalhista, serão repetidos em maior número na hora de votar a previdenciária, no mês que vem. A ordem entre os petistas é baixar ainda mais a popularidade do presidente Michel Temer e torcer para que tudo isso tenha reflexo no ano eleitoral.
Enquanto isso, em Bangu…
O detento Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, tem alertado seus visitantes sobre o crescimento dos evangélicos nas cadeias. E já pediu a alguns que conversem com o Cardeal dom Orani Tempesta a fim de pedir que ele incremente a pastoral carcerária da Igreja Católica.
Meirelles na área/ Até o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, está engajado no esforço de juntar votos para aprovar as reformas.
Na noite de terça-feira, estava na confraternização da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA).
A frase que ele mais repetiu aos deputados foi: “Precisamos arrecadar mais”. Por várias vezes,
ele não tirou os olhos do celular.
Esse fica/ O ministro da Justiça, Osmar Serraglio (foto), é um dos que não precisarão deixar o cargo para ajudar na votação das reformas. É que seu suplente é o deputado Rodrigo Rocha Loures, olhos e ouvidos de Michel Temer no parlamento.
Ele não perde a fleuma/ O deputado Lúcio Vieira Lima estava bem tranquilo na sala de café da Câmara, quando, de repente, chega o deputado Geraldo Resende: “Quero ver se você é macho: vai lá tirar as faixas do PT contra a reforma trabalhista!” Lúcio olhou bem para o deputado, fez uma pausa e respondeu: “Há outras maneiras de lhe mostrar que sou macho!”. Risada geral.
Carlos Chagas/ E lá se foi mais um grande mestre do jornalismo. O corpo será velado hoje a partir das 9h, na capela 7, do Cemitério Campo da Esperança. O enterro está marcado para as 16h.

