Por falta de diálogo, deputados iniciam “operação tartaruga” na Previdência

Operação tartaruga
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O presidente Jair Bolsonaro será alertado por líderes aliados que ele tem até 15 de março para fixar as novas bases de relacionamento com o Congresso e se posicionar na guerra da informação a respeito do texto da reforma previdenciária. Se for esperar a data da votação, o risco de perder a batalha da comunicação e de reduzir as chances de aprovar um projeto desfigurado no plenário será grande. Portanto, mãos à obra para traçar a estratégia neste período carnavalesco e colocar tudo em prática a partir de 11 de março, sob pena de não encerrar a tramitação na Câmara neste semestre.

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Já existe acordo entre alguns líderes partidários para só dar tramitação célere à reforma previdenciária depois que chegar a proposta de mudança na aposentadoria dos militares. Assim, a reforma só começará a tramitar de fato na segunda quinzena de março, isso se o texto dos militares chegar ao Congresso até lá.

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A “operação tartaruga”, como alguns estão chamando, não se deve apenas à ausência do projeto dos militares. Muitos líderes consideram que o governo errou ao não chamar os partidos para discutir o texto antes de enviar o projeto ao Congresso. Assim, não conseguiu incutir nos parlamentares que potencialmente seriam base governista alguma ideia de “paternidade” da proposta. Ou seja, ninguém se sente muito comprometido com esse texto e, quanto mais o tempo passa, a impressão de muitos líderes é de que mais distante ficará.

Pacote pronto, não vai

Ok que o governo queira escolher seus ministros sem ouvir os partidos. Mas, pelo menos, o mérito dos projetos deveria ter sido discutido previamente com os partidos que podem ser da base. Afinal, a lógica de enviar pacote pronto para votação, como o governo quer fazer com a Previdência, só poderia funcionar se já houvesse uma base aliada pactuada na formação do governo.

#ficaadica

Os potenciais governistas querem participar da formatação das propostas das outras reformas. Assim, o governo conseguirá compensar um pouco o fato de não entregar cargos de primeiro escalão.

Joice sai na frente

A atuação da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) na crise envolvendo o ex-ministro Gustavo Bebianno foi o que a credenciou para o cargo de líder do governo no Congresso. Ela é hoje o nome mais forte para essa missão.

CURTIDAS

A alegria de Ilana/ A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, tem do que se orgulhar. As contas de 2018 da Casa passaram sem qualquer ressalva e, de quebra, não houve contrato emergencial. Sinal de boa gestão e de ausência de imprevistos.

Feminicídio em pauta/ A deputada Flávia Arruda (PR-DF) aprovou sua primeira proposta ontem na Câmara: a criação de uma comissão externa para verificar in loco os casos de violência contra a mulher. “Temos de ir conversar com essas pessoas e dar suporte a essas mulheres. Será no contato direto com elas que poderemos ver o que precisamos fazer”, diz.

Pega o dicionário, Cabral/ Mesmo admitindo que recebeu propina, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (foto) disse que “nunca” agiu como “corrupto”. Na Câmara, os deputados cariocas se distraíam ontem no plenário em busca de uma classificação para os recursos ilícitos recebidos pelo ex-governador: molhadela, suborno. Corrupto: subornável, comprável, corrompível.

Caçadores de Pokémon/ Assim, muitos deputados chamam os colegas que passam o tempo todo nas lives dentro do plenário. Realmente, tem muitos ali que completam um mês de mandato virtual.

Capitalização da Previdência terá projeto de lei, mas oposição promete barrar

capitalização
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Os parlamentares estão chamando de “pulo do gato” o fato de o governo não ter colocado o regime de capitalização na proposta da reforma da Previdência encaminhada ao Congresso. É que a intenção é definir as regras desse regime por lei complementar, o que exige 257 votos favoráveis, enquanto uma emenda constitucional precisa de 308. Os deputados se preparam para devolver o “gato” ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

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A ordem na oposição, que já conta com a simpatia de alguns partidos aliados ao governo, é dizer que a capitalização também precisará ser definida por emenda constitucional, ou seja, quórum de 308 votos. Esse será um dos embates mais acirrados da proposta que o presidente Jair Bolsonaro entregou aos parlamentares.

Onyx fez escola

Primeiro-secretário do Senado, Sérgio Petecão (PSD-AC) foi procurado por servidores do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB) atônitos, porque a diretora-geral da Casa, Illana Trombka, teria avisado que o presidente Davi Alcolumbre queria demitir todos dali, repetindo o que Onyx Lorenzoni fez em janeiro ao chegar à Casa Civil. São mais de 500 funcionários.

Assim não dá

Petecão passou a tarde tentando falar com Alcolumbre para tentar reverter a decisão. “A diretora avisou, mas não se pode chegar e demitir todo mundo, porque há tarefas importantes e lá está também o portal da transparência”, diz Petecão. Ele não quer ver no Senado o problema que ocorreu na Casa Civil, onde não havia sequer servidores para despachar os atos ao Diário Oficial da União.

#ficaadica

Já tem gente disposta a dizer que o melhor é o presidente Jair Bolsonaro falar com seus ministros apenas olho no olho, no gabinete e… sem celulares. Áudios de WhatsApp para falar com seus subordinados nem pensar.

Faltou carinho

A deferência do presidente Jair Bolsonaro ao Congresso, ao levar pessoalmente a reforma da Previdência, deixou alguns aliados dele borocoxôs. Ao chegar, Bolsonaro cumprimentou Carla Zambelli e Alexandre Frota, mas passou batido por outros integrantes da bancada do PSL. “Tá vendo?! Ele nem me conhece”, reclamou um.

Crise de identidade

Enquanto o PSL reclama atenção, outros estão completamente perdidos, sem saber como se comportar no relacionamento Planalto-Congresso: “Não sei se sou base, aliado ou independente”, comentava ontem o deputado Efraim Filho (DEM-PB).

Curtidas

O novo Jucá/ É assim que muitos se referem hoje ao líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, do MDB de Pernambuco. Ele conseguiu a façanha de ser ministro de Dilma Rousseff e, agora, liderar o governo de Jair Bolsonaro.

Por falar em líder…/ O senador pernambucano passou pelo constrangimento de a bancada do governo, que ninguém sabe ainda ao certo quantos senadores tem, não o seguir no pedido de retirada da pauta de um projeto de autoria da deputada Maria do Rosário (PT-RS).

… ela levou a melhor/ Desafeta de Bolsonaro desde a discussão que gerou processo contra o então deputado no STF, a deputada gaúcha tinha aprovado na Câmara, dentro do pacote de segurança do ano passado, a criação do Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas. Bezerra Coelho pediu para retirar a medida de pauta e foi seguido apenas por Flávio Bolsonaro e Major Olímpio.

Projetos sem partido/ “Não tinha justificativa plausível, e não se pode penalizar um projeto apenas pela autoria. O presidente pode não gostar de mim, mas não pode me impedir de trabalhar”, disse a deputada Maria do Rosário, que deixou o plenário feliz da vida com a aprovação da sua proposta.

Câmara manda recado a Bolsonaro que é preciso o toma lá dá cá

toma lá dá cá
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O decreto que amplia o número de pessoas capazes de determinar o sigilo de documentos oficiais foi escolhido a dedo para impor uma derrota que não inviabilizasse qualquer reforma do governo e, ao mesmo tempo, servisse de recado ao presidente Jair Bolsonaro: é preciso estabelecer um relacionamento amistoso com o parlamento desde já e essa relação não pode ser apenas posar para as fotos na hora de entregar os projetos de reformas. Na visão de muitos parlamentares, há três meios de estabelecer a parceria: prestígio nas bases eleitorais, emendas ao Orçamento ou… participação no governo.

Quem acompanha o ritmo do parlamento lembra que, no governo Lula, os problemas foram num crescente e, no primeiro ano do segundo mandato, 2007, o Planalto perdeu a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Há quem diga que, do jeito que o governo de Jair Bolsonaro está enfrentando problemas logo na largada, ele precisa urgentemente definir a relação com os congressistas. Antes que eles decidam impor uma derrota em temas mais relevantes.

Assim, não vai

O governo viu a derrota no decreto como parte do processo. E garante que o presidente não vai se render ao toma lá dá cá rejeitado nas urnas. A ordem agora é esclarecer a necessidade da reforma previdenciária. E colocar a população para exigir sua aprovação.

Assim, vai

Entre os parlamentares, é quase um consenso que a reforma previdenciária terá de atingir a todos, sem distinção.

A esperança dos sindicalistas

No meio sindical, a reforma é vista como a chance de fazer ressurgir a capacidade de mobilização das categorias, em especial, o funcionalismo. Até aqui, quem reuniu mais gente foram os movimentos favoráveis ao governo.

O novo PSDB

Depois da investigação que colocou Paulo Vieira, o Paulo Preto, como suposto operador de parte dos tucanos, a aposta geral no partido é de que o governador de São Paulo, João Doria, liberou o caminho para assumir o comando da legenda.

Enquanto isso, na CNI…

Depois da operação de ontem, que prendeu o presidente da Confederação, Robson Andrade (soltou depois por decisão da Justiça), as apostas são as de que Paulo Skaf, da Fiesp, abriu caminho para comandar a instituição presidida pelo empresário mineiro.

Se não empurrar, não anda/ A tendência no parlamento é dar uma tramitação mais lenta ao projeto que criminaliza o caixa dois de campanha, um dos textos do pacote entregue pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, ao Congresso. A forma de acelerar a proposta será pressão popular. Foi assim na Lei da Ficha Limpa.

Foco de tensão I/ A comissão de Transparência do Senado já foi identificada como aquela em que o governo terá de ter muito cuidado. Foi lá que a oposição conseguiu esticar o episódio envolvendo o ex-ministro Gustavo Bebianno, depois de uma bate-boca entre a senadora Elisiane Gama (PPS-MA) e o senador Major
Olímpio (PSL-SP).

Foco de tensão II/ Outro ponto que promete dar dor de cabeça ao governo é a Lava-Jato da Educação. O DEM já enviou um recado ao Planalto: não dá para deixar esse assunto contaminar o clima para as reformas.

Por falar em Educação…/ A propósito da nota publicada no domingo, na parte sobre a reunião entre o ministro da Educação, Ricardo Vélez (foto), e representantes das entidades que compõem o Fórum de Ensino Superior, o Ministério da Educação esclarece que não houve constrangimento algum durante o encontro, na quarta-feira passada. Na oportunidade, inclusive, foi estabelecido entre o MEC e o setor privado de educação superior uma parceria para trabalhar em prol do desenvolvimento da educação brasileira. A coluna considera, portanto, que o assunto está esclarecido definitivamente.

Congresso quer mexer na reforma administrativa de Bolsonaro

reforma administrativa
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Passada a demissão de Gustavo Bebianno, o Planalto vai para o jogo congressual, em que o primeiro desafio, antes da reforma previdenciária chegar ao plenário, será garantir a aprovação da reestruturação do governo do presidente Jair Bolsonaro (Medida Provisória 870). O número de emendas chega a 541, sinal de que a vida não será fácil. Tem proposta para o retorno da política indigenista ao Ministério da Justiça; a passagem da presidência do Conselho de Política Externa para o vice-presidente, general Hamilton Mourão; e, ainda, a inclusão nesse colegiado do ministro da Economia, Paulo Guedes, e da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, conforme emenda sugerida pelo deputado Hildo Rocha (MDB-MA). A MP original mantém o conselho restrito ao Itamaraty e presidido pelo ministro Ernesto Araújo.

A forte bancada ruralista se prepara ainda para tentar centralizar tudo o que for do campo no Ministério da Agricultura, inclusive as áreas de mobilidade, habitação e saneamento rural.

A contar pela forma como o presidente Jair Bolsonaro encaminha seu relacionamento com o Congresso até aqui, não há clima para rolo compressor. O governo precisará sentar com os partidos e negociar caso a caso. E se será assim na reestruturação, imagine na reforma previdenciária.

Estações separadas

A contar da avaliação dos deputados que conhecem a fundo o humor dos congressistas, a exoneração de Gustavo Bebianno não vai contaminar a reforma previdenciária. O ex-ministro não era o responsável pela relação congressual do presidente nem tampouco servia de ponte com os partidos.

Quem manda

Muitos parlamentares destacam o fato de o presidente Jair Bolsonaro levar o texto pessoalmente como um sinal de que ele coordenará o esforço pela aprovação das mudanças na Previdência.

ABMES apoia Lava-Jato da Educação

A propósito da nota publicada aqui sobre a Lava-Jato da Educação, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) informa que não houve qualquer constrangimento na reunião com o ministro da Educação, Ricardo Vélez. O Fórum das Entidades de Ensino Superior Particular, inclusive, divulgou nota de apoio à iniciativa do governo de “apurar indícios de corrupção, desvios e outros tipos de atos lesivos à administração pública no âmbito do MEC e suas autarquias nas gestões anteriores”.

Bolsonarês/ O “foro íntimo” alegado pelo presidente da República para demitir Gustavo Bebianno era traduzido assim por alguns ministros: a hora que tem filho no meio, vira pessoal.

Por falar em Bebianno…/ O caso dos repasses de muitos recursos do fundo eleitoral a campanhas de candidatos praticamente sem votos, os chamados laranjas, sai da esfera do Planalto e vai agora para a Justiça Eleitoral. E voltará ao Planalto, a depender das declarações de Bebianno.

… a oposição não vai largá-lo/ A oposição quer abrir seus trabalhos no Congresso convidando Bebianno a comparecer às comissões para falar sobre o partido e os recursos repassados aos estados, em especial, os que foram parar em candidaturas inexpressivas, vulgo laranjas. Mas nada será para agora. A intenção é levá-lo depois do carnaval.

Apelido I/ A Medida Provisória 871, também editada pelo governo Jair Bolsonaro, é citada entre os parlamentares como a “MP da vingança”. Explica-se: a MP retira dos sindicatos o poder de emitir a declaração de quem é trabalhador rural para efeito de aposentadoria, repassando a tarefa ao poder público.

Apelido II/ Durante a campanha eleitoral no ano passado, a CUT fez campanha declarada contra o atual secretário de Previdência, Rogério Marinho (foto), candidato a uma vaga de deputado federal.

Lava-Jato da educação estima malfeitos em R$ 4 bilhões

Lava-Jato da Educação
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Disposto a deixar para trás o mais rápido possível a crise envolvendo o quase ex-ministro Gustavo Bebianno, o presidente Jair Bolsonaro foi buscar as mazelas da área de educação. Lá, o ministro Ricardo Velez encontrou 2 mil processos de credenciamento de cursos sob suspeita. Além deles, o governo colocará uma lupa em contratos e convênios do FNDE, no ensino a distância, e nos programas Universidade para Todos (Prouni) e o Nacional de Acesso ao Ensino técnico e Emprego (Pronatec). Estima-se malfeitos em, pelo menos, R$ 4 bilhões.

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A guerra entre a Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior, que cuida das universidades privadas, e o ministério está aberta. Segundo relatos, chegou ao ponto de o presidente da ABMES, Janguiê Diniz, no início de uma audiência com o ministro, ainda nas apresentações de praxe, ouvir de Velez sem a menor cerimônia: “Já te conheço, sei a sua biografia, foi o senhor que pediu audiência, então, fale”. Constrangido, um dos presentes deixou a reunião. É nessa área que Bolsonaro vai agir para mostrar que não compactua com corrupção. Daí, post de sábado (16/2), no Twitter, onde anunciava: “Daremos início à Lava-Jato da educação”.

 

Atualização: A ABMES diz que o clima na reunião foi muito cordial e não houve constrangimentos. O Fórum das Entidades Superior Particular divulgou nota de apoio à iniciativa do governo de “apurar indícios de corrupção, desvios e outros tipos de atos lesivos à administração pública no âmbito do MEC e suas autarquias nas gestões anteriores”. A nota diz ainda que “o documento assinado pelos ministros Vélez Rodrigues, e, ainda, o da Justiça, Sérgio Moro,; da Controladoria Geral da União, Wagner Rosário; e pelo Advogado-Geral da União, André Mendonça; representa também o interesse das instituições particulares de ensino superior em todo o Brasil de combater ilícitos e defender a transparência na gestão dos recursos públicos”. 

Onde vai pegar

A “Lava-Jato da Educação” e a constrangida reunião do ministro com o presidente da Associação das Mantenedoras prometem criar problemas para o governo no Congresso. Se for investigar o período do governo Temer, vai desgastar politicamente o DEM, que comandava a pasta, e comprar briga com o ex-ministro do partido Mendonça Filho, a quem Janguiê Diniz é ligado.

PSL, o alvo da semana

Calma, pessoal. Nada a ver com o laranjal. É que o partido do presidente será o primeiro ao qual o secretário de Previdência, Rogério Marinho, e o presidente Jair Bolsonaro vão se reunir para explicar a reforma a ser encaminhada ao Congresso. A ordem é dizer aos governistas que, se for para jogar a reforma nas redes sociais, que seja para elogiar.

Tem que aguentar o tranco

Ainda que os seguidores dos parlamentares governistas reclamem do texto, caberá a cada um defender a proposta e deixar claro que o país precisa mudar a Previdência, sob pena de não conseguir mais pagar as aposentadorias no futuro. O problema é de que já tem muito economista nas redes dizendo que a reforma trabalhista não gera empregos, e de que o primeiro passo é mexer nos impostos, algo que o governo pretende deixar para depois por causa do deficit previdenciário. O debate será produtivo.

CURTIDAS

Vai ferver/ A quebra de sigilo do escritório Mariz de Oliveira, do advogado do ex-presidente Michel Temer, resultou num manifesto dos advogados, que até sábado à tarde já reunia 213 assinaturas, muitos de renome, como Roberto Podval, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias e Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Laranja-Lima/ Explica-se por que os partidos não fizeram muita marola até agora com a história do laranjal de candidaturas. Quem tem experiência de campanha afirma que há três tipos de candidatos laranjas. O mais comum é lançar mulheres sem voto, apenas para cumprir a cota.

Laranja-Pêra/ O outro tipo de laranja que tem a colheita na safra eleitoral é aquele apenas para evitar que candidatos inconvenientes do mesmo partido conquistem uma vaga. Se o “laranjito” perder, mas tirar votos daquele que não é muito afeito à cúpula partidária, está valendo.

Laranja-Bahia/ O último tipo é o funcionário público. Muitos partidos recorrem a candidaturas de servidores, porque eles ganham uma licença e viram mão de obra barata para a legenda no período eleitoral, nem que seja por meio expediente. Laranjas à parte, o que não pode é o dinheiro do fundo destinado a campanhas terminar em gráficas que não apresentam comprovante de execução do material. Aí, é caso de polícia.

Disputa eleitoral no Rio está por trás da briga entre Carlos Bolsonaro e Bebianno

Carlos e Bebianno
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A briga entre Carlos Bolsonaro e Gustavo Bebianno tem outros lances. O vereador do Rio de Janeiro não gostou de o ministro ter acompanhado a comitiva da saúde que visitou o hospital de Bonsucesso. Ficou a suspeita de que deseja algum protagonismo eleitoral no Rio futuramente. E os Bolsonaros não querem concorrência.

O teste de Carlos/ Os políticos estarão todos de olho no comportamento do filho do presidente. Se Carlos Bolsonaro (foto) deixar de lado os xingamentos no Twitter e passar a cuidar do seu mandato de vereador, ok. Se não, dizem alguns ministros, vai ser difícil falar a verdade para o presidente. Vai ficar igual a Dilma, que muita gente não contrariava para não ouvir xingamentos. Quem diria que um dia alguém compararia algo do governo Bolsonaro com o da ex-presidente.

Idade mínima para aposentadoria dificilmente será mantida como está

Idade miníma
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A decisão do governo em fechar a idade mínima para aposentadoria em 65 anos para os homens e 62 para as mulheres dificilmente será mantida como está. Não são poucos os parlamentares que defendem idades diferenciadas para várias categorias. Há mais chances, segundo a coluna ouviu de vários deputados, de ficar nos 62 para homens e 57 para mulheres.

Onde mora o perigo

Na base do presidente Jair Bolsonaro, há quem esteja com medo de que as excelências comecem a tentar tirar algumas categorias de trabalhadores da idade mínima. Se isso ocorrer, vai dar problema.

Onde mora a esperança

Enquanto algumas categorias de servidores se mobilizam contra a reforma, apoiadores do presidente vão organizar manifestações favoráveis às mudanças na previdência. Afinal, para manter os bons ventos na economia, é preciso fazer o dever de casa das reformas.

Falta dizer a Bolsonaro que Carlos precisa ser o que é: vereador no Rio

carlos bolsonaro
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Quem acompanha o dia a dia do Planalto tenta criar coragem para dizer ao presidente Jair Bolsonaro que passou da hora de seu filho Carlos Bolsonaro, que cuidava das redes sociais na campanha, assumir o papel que lhe cabe: o de vereador no município do Rio de Janeiro, deixando de lado os tuítes polêmicos relacionados à República. A campanha já passou e compete ao vereador, ainda que seja filho do presidente, exercer o mandato para o qual foi eleito.

Até aqui, entretanto, Carlos não percebeu que é chegada a hora de recolher os flaps e deixar o pai governar. E, dizem os mais próximos, Bolsonaro ainda não deu essa ordem a 02. Afinal, dos três filhos com mandato, Carlos é o único que não tem voz nem no Congresso nem no governo. A polêmica criada com Gustavo Bebianno, aliado de primeira hora, é visto como o momento de impor limites aos tuítes e intromissões do vereador na esfera federal.

Em tempo: Marco Maciel, vice-presidente da República nos tempos de Fernando Henrique Cardoso, tinha uma máxima para resolver crises: “Não vamos fulanizar”. E, tirando a “fulanização”, o que se vê é um vereador se intrometendo em assuntos institucionais que não lhe dizem respeito — como a relação do presidente e seus ministros. Ainda que seja filho, não tem função institucional.

Climão na festa/ Na posse da nova diretoria do Sindifisco, a deputada Bia Kicis sentou-se à mesa e, na sua frente, estava o lugar destinado ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. “Se ele sentar aqui, vai ter briga”, comentou Bia com um dos convidados. Toffoli olhou para a mesa, conversou com um, com outro, de pé mesmo, e… Não se sentou àquela mesa. O presidente do STF é da paz.

Briga antiga/ A deputada é uma das maiores entusiastas da revisão da PEC da Bengala, para retomar os 70 anos de aposentadoria compulsória para os magistrados.

Me inclua fora dessa/ Na solenidade que marcou a troca de comando no Serviço de Comunicação Social do Exército do general Otávio do Rêgo Barros para o general Richard Fernandez Nunes, quem ousava perguntar ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Heleno, sobre a briga entre Bebianno e Carlos, ele logo cortava: “Não é assunto meu”.

Chama o Michelzinho/ Alguns deputados ironizavam: “O único trabalho que o filho de Michel Temer dava ao governo era quando resolvia ‘desaparecer’, brincando nos jardins do Alvorada”. E a primeira-dama, Marcela, ficava na maior preocupação. É, pois é.

Com um filho derruba-ministro, Bolsonaro joga Bebianno aos leões

Bebianno
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No governo Lula, o então ministro do Esporte, Orlando Silva, comeu o pão que o diabo amassou quando saiu publicado que ele havia degustado uma tapioca pagando com o cartão de crédito corporativo. Ele passou meses se explicando. Agora, guardadas as devidas proporções, o caso do ministro Gustavo Bebianno sobre essa celeuma dos recursos de campanha que terminaram em gráficas fantasmas terá o mesmo efeito na política, com vários agravantes. Como ocorreu na época da tapioca de Orlando, a oposição vai deitar e rolar. E, pelo andar da carruagem, terá nessa empreitada um aliado de peso: um grupo de deputados do PSL que cobra explicações, não só sobre os recursos como também sobre os posts do vereador Carlos Bolsonaro no Twitter, posando de porta-voz informal do governo de seu pai, para dizer que o ministro mentiu.

Ao contrário de Lula à época, Bolsonaro respondeu endossando as afirmações do filho. E jogou o ministro aos leões. Lula também jogava os seus, mas há uma diferença aí: ele não tinha um filho
derruba-ministro. É bom os demais tomarem cuidado com Carlos Bolsonaro.

Surreal

A contar pela largada da base governista nas votações desta semana, o governo terá trabalho no plenário. Durante a votação da legislação antiterrorismo aprovada na Câmara, a oposição fechou acordo, e o relator do projeto, Efraim Filho, precisou gastar muita saliva para convencer o governo a votar com o… governo.

Foi por pouco

A sorte do governo era que a oposição queria aprovar a proposta. Se os oposicionistas estivessem dispostos a se juntar aos governistas contrários ao texto, viria aí a primeira derrota.

Feitiço & feiticeiros

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) ainda não voltou à ativa desde a derrota para presidir a Casa. Mas só ontem entendeu por que o senador Omar Aziz (PSD-AM), a quem considerava um amigo, abriu o voto a favor de Davi Alcolumbre naquele sábado. Aziz foi eleito presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, num acordo com os partidos.

“O PT não pode deixar de ter solidariedade a Lula, mas isso vai matar o partido”

Do ex-presidente do PSB Roberto Amaral

Renan vai ter de engolir/ Eleita presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Simone Tebet fez questão de frisar que estava ali como “emedebista” e um dos primeiros agradecimentos foi para o senador Eduardo Braga, a quem chamou de “nosso líder, meu líder” e para os senadores do MDB. Ou seja, não vai deixar o partido rumo ao PSDB.

Aquecimento de líder I/ Cotado para líder do governo no Senado, Esperidião Amin, do PP-SC, foi direto ao se referir ao que considera uma falsa crise: essa de que Carlos Bolsonaro disse que o ministro Gustavo Bebianno mentiu ao afirmar que falara três vezes com Jair Bolsonaro. “São coisinhas. O fundamental é que o país tem um projeto econômico”, frisou ele.

Aquecimento de líder II/ E, sempre de bom humor, ele se saiu com esta: “Isso é meio ciúmes de homem, que é desastroso. O de mulher é mais calculado”, disse ele, que completa hoje 40 anos de casado com a deputada Ângela Amin (PP-SC).

A idade pesou/ O senador Jaques Wagner (PT-BA), mais idoso de, pelo menos, duas das comissões para as quais foi indicado como titular, passou a tarde dedicado a presidir a instalação desses colegiados. “Diziam-me que a idade era boa porque dava uma desacelerada. Aqui é o inverso”, brincou.

Exército/ O porta-voz da Presidência da República, general Otávio do Rêgo Barros, passa hoje a chefia do Centro de Comunicação Social do Exército para o general de divisão Richard Fernandez Nunes. A solenidade está marcada para as 16h, no “Forte Apache”, como é conhecido carinhosamente o Setor Militar Urbano.

Reforma da Previdência pode ser barrada na CCJ

CCJ
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Os partidos de oposição e aqueles que pretendem ser governo, mas nem tanto, vão escalar seus deputados mais experientes para a Comissão de Constituição e Justiça a fim de dar um nó nos novatos do PSL que pretendem assumir a Presidência da Comissão. É lá que vão jogar, por exemplo, para barrar tudo o que for considerado acima do razoável em termos de reforma previdenciária. Inclua-e aí o gatilho para mudança da idade mínima todas as vezes em que houver alteração na expectativa de vida do brasileiro.

A aposta dos políticos tarimbados na Câmara é de que qualquer novato do PSL que assumir a CCJ não terá pulso para votar rapidamente a reforma. Ali, até quem conhece o regimento como a palma da mão enfrentou dificuldades no passado. Não será agora que a vida vai ficar fácil.

JBS na mira. De novo

Pela conversa de integrantes da Polícia Federal, ainda vem muito mais coisa sobre tráfico de influência da JBS nos governos passados. Especialmente no Ministério da Agricultura.

A vida é feita de escolhas. Governos, também

Se o Palácio do Planalto quiser mesmo levar adiante a reforma da Previdência, terá que deixar em segundo plano outros temas polêmicos, por exemplo, a redução da subvenção do Plano Safra. Afinal, precisará de todos os votos da bancada ruralista. Senadores aconselham ainda a deixar em segundo plano a proposta de emenda constitucional que reabre a discussão do aborto. Se centrar fogo para fazer valer a proibição em todos os casos, vai gastar parte da energia vital para os temas econômicos.

Política é feita de símbolos

A decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de criar colegiados especiais para todos os temas importantes em debate esvaziará e muito o poder das comissões técnicas da Casa. Porém, isso não levará nenhum partido a abrir mão da “pedida”, ou seja, a ordem de escolha das comissões. O MDB, por acordo, será o segundo a pedir e quer cravar finanças e tributação. O deputado Sérgio Souza (PR) é o indicado do partido para comandar a comissão.

Por falar em MDB…

Os senadores fizeram as contas e descobriram que não ficaram tão mal assim na divisão de poder no Senado. Graças aos acordos dos últimos dias, os emedebistas terão o comando da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, a de Educação e, de quebra, a presidência da Comissão Mista de Orçamento (CMO), a ser comandada por Marcelo Castro (PI). Se brincar, ainda levam a de liderança do governo.

Sírio-Libanês em Brasília/ Considerado referência em todo o país, o Sírio-Libanês inaugura seu hospital em Brasília nesta quinta-feira com centros cirúrgicos de última geração, UTIs humanizadas, com visitas 24 horas, e suítes especiais para atender aqueles que precisam trabalhar no período de convalescência. As excelências, que invariavelmente recorrem à unidade de São Paulo, já poderão buscar o atendimento na capital da República, sem diferença de tratamento ou de ambiente. Até os móveis são no mesmo estilo do hospital paulistano.

O lobby da Igreja/ Padres percorreram ontem o Senado para convencer os senadores a proibirem o aborto em todas as hipóteses. Não será fácil.

Simone na zaga/ No Comando da Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Simone Tebet terá a missão de fazer cumprir o acordo que levou ao desarquivamento da proposta de emenda constitucional que pretende proibir o aborto em todos os casos. Há praticamente um consenso para que se mantenha a legislação atual, ou seja, permitir quando a gravidez for decorrente de estupro, anencefalia e risco de vida da mãe.

“Análise de risco”/ Essa é a expressão do momento, em face das tragédias que o país vive nessa largada de 2019. Vale para barragens, alojamentos improvisados, helicópteros e locais invariavelmente afetados por enchentes.