PSB espreme Romário

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Se o senador Romário esperava um motivo para deixar o PSB __ ou o partido pretendia criar algum pretexto para expulsá-lo __, a “tempestade perfeita” está criada. O presidente do PSB, Carlos Siqueira, divulgou há pouco uma nota em que declara o apoio dos socialistas a Marcelo Freixo (Psol) neste segundo turno da briga pela prefeitura do Rio de Janeiro. Eis a íntegra:

“EXECUTIVA NACIONAL DO PSB DECIDE APOIAR MARCELO FREIXO NO RIO
A Executiva Nacional do Partido Socialista Brasileiro decidiu prestar apoio irrestrito ao candidato à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo (PSOL), no segundo turno das eleições, considerando a deliberação, na tarde desta sexta-feira (7), dos Diretórios Municipal e Estadual do Rio de remeterem à instância nacional a definição sobre o posicionamento do partido na Capital.

CARLOS SIQUEIRA

Presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB”

Romário desde o primeiro turno apoia o senador Marcelo Crivella. O PSB tinha a vaga de vice na chapa de Índio da Costa. Há quem se refira à nota acima como a “serventia da casa” para Romário. Vejamos os próximos rounds.

O último dos moicanos

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O último dos moicanos

O esforço do ex-presidente Lula para que o PT apoie Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza está diretamente relacionado ao projeto do petista de deixar as portas abertas para fazer de Ciro Gomes seu candidato a presidente em 2018. Ciro, hoje no PDT, é considerado um dos poucos nomes da política capaz de ir para o “tudo ou nada” contra o PMDB ou a trinca de pré-candidatos de PSDB – Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra.

O próprio Lula tem dito em conversas reservadas que os processos contra ele têm potencial para tirá-lo do jogo daqui a dois anos. E, se nada mudar, qualquer candidato do PT estará fadado a repetir o resultado que o partido obteve nessa eleição municipal. E Ciro, avalia Lula, com o apoio dos partidos de esquerda, teria pelo menos 15% dos votos. Esse percentual, combinado com uma pulverização dos partidos que apoiam Michel Temer, colocaria o ex-ministro no segundo turno. Diante desses cálculos, Ciro é hoje um jogador a ser acompanhado de perto.

Par de Valetes
O fato de ser Aécio Neves __ e não o diretório pernambucano do PSDB __ a anunciar o apoio neste segundo turno a Geraldo Julio, em Recife, e Antônio Campos, em Olinda, é uma forma de o presidente do PSDB tentar empatar o jogo com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, dentro do PSB. Hoje, Alckmin tem o aval do vice-governador, Márcio França, enquanto Aécio busca o grupo de Pernambuco.

Par de Reis
Em São Paulo, entretanto, quem acompanha o jogo de Alckmin de perto, garante que ele será candidato à presidente da República, ainda que não seja pelo PSDB. Se o governador for para o PSB, o jogo de Aécio hoje em Pernambuco tende a somar zero.

Par de Ases
Dentro do grupo aecista, a ideia é jogar com a data das prévias no partido de modo a evitar que Geraldo Alckmin tenha prazo para pleitear a candidatura por outra legenda. Ou seja, lá para o início de 2018.

O jogo deles
Com a decisão do Superior Tribunal de Justiça, de colocar os processos contra governadores dependentes de autorização das assembleias legislativas, o toma-lá-dá-cá vai imperar entre deputados e executivos estaduais.

CURTIDAS

Dona Lu e as sandálias da humildade/ A primeira-dama de São Paulo, Lu Alckmin, disse adeus às grifes que fazem a cabeça da maioria das socialites e mulheres de políticos. A pedido do marido, fez voto de pobreza. Só usa roupas da assistência social. No geral, aliados de Alckmin reforçam: “Quem é bela não precisa de “perequetê”.

Marcela na área/ A estreia da primeira-dama, Marcela Temer, outra que não é dada a exibir o alto luxo, pelo menos, nas aparições públicas, foi vista como um sucesso no Planalto. Que ninguém se surpreenda se, num futuro não tão distante, ela enveredar numa candidatura a deputada.

Temer no foco/ Nem Marcela, nem a guerra de 2018. As atenções do presidente hoje estão voltadas à votação do teto de gastos. Enquanto não for aprovado, ele não cuidará de outros temas.

E o Haddad, hein?/ O que mais se ouve nas rodas políticas de São Paulo é que Fernando Haddad teria lugar num segundo turno em qualquer outro partido, que não o PT. “Haddad é um tucano filiado ao PT”.

A lei das compensações

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Coincidência ou não, no mesmo dia em que o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin liberou o processo contra Renan Calheiros para julgamento, o Planalto bateu o martelo sobre a nomeação do deputado Marx Beltrão, apadrinhado pelo senador Renan Calheiros, para ministro do Turismo. É uma forma de tentar manter o presidente do Senado de bom humor.

Para lembrar: O processo, de 2007, se refere à suspeita de que as despesas de uma filha do senador fora casamento eram custeadas pela empreiteira Mendes Júnior. Renan nega e diz desejar que o caso vá logo a julgamento.

Decifra-me ou te devoro

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Passada a sua primeira eleição enquanto partido, a Rede Sustentabilidade de Marina Silva já sofre dissidências, com a saída de um grupo do Rio de Janeiro e de dois militantes de Porto Alegre. A carta encabeçada por Luiz Eduardo Soares, porta-voz da Rede no Rio de Janeiro, para justificar esse afastamento, foi recebida com desprezo pela cúpula do partido de Marina Silva. Isso porque os argumentos citados, como o apoio ao impeachment e o fato de o partido fazer o que Marina deseja, foram refutados. No caso do impeachment, foram dias de debates.

“Eles é que não entenderam a Rede e fizeram uma campanha voltada para o eleitorado da esquerda, que já estava com Marcelo Freixo. Desprezaram aquele eleitor que votou em Marina em 2016. É muito fácil culpar os outros pela derrota”, diz Pedro Ivo, um dos coordenadores de organização da Rede, muito ligado a Marina.

A cobrança
Deputados e senadores do PMDB vão começar a pressionar o partido para que seus personagens enroscados na Lava Jato comecem a se explicar bem antes de 2018. De olho na sobrevivência, há quem diga que não dá para entrar numa campanha estadual com essa espada sobre a cabeça do partido.

Soneto de separação
A disputa em São Paulo no primeiro turno entre PSDB E PMDB e a final em Porto Alegre, nessa segunda rodada, serão monitoradas com cuidado para não refletir nas votações dos projetos das reformas. Se for para brigar, que seja só na eleição de 2018.

Não é por aí
Segundo turno é tempo de agregar quem votou nos outros candidatos. Não será espezinhando o PMDB que os finalistas vão vencer. Afinal, dizem alguns, nos votos do PMDB pode estar a chave para a vitória.

Santo de casa/ O governador do Ceará, Camilo Santana, perdeu a eleição em Barbalha, sua cidade natal. Seu candidato era Fernando Santana (PT), mas quem ganhou foi Argemiro Sampaio (PSDB). Seus aliados avisam que é mau agouro para 2018.

Vai ferver…/ Petistas que sobreviveram nesta campanha pretendem cobrar do partido que pare com essa história de tratar José Dirceu (foto) como “guerreiro do povo brasileiro”.

…E embolar/ Afinal, já tem gente no partido dizendo que Dirceu não é um “preso político” e sim um “político preso”.

Daí pra Lula…/ O receio dos petistas é que essa pressão chegue a Lula, o maior nome do PT. “Aí, não!”, dizem outros.

vitoriosos e derrotados rumo a 2018

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Os recados dados pelo eleitor, ontem, vão guiar os próximos passos dos políticos com projetos ousados para a eleição presidencial. Quem saiu animado do pleito foi o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o presidente do partido, Aécio Neves. Aécio, entretanto, ainda tem que passar pelo segundo turno em Belo Horizonte, enquanto Alckmin terminou a noite em comemoração final. Ele se mostrava mais feliz pelos movimentos que adotou ao longo do processo do que propriamente pela vitória — que já vem sendo atribuída ao fato de João Doria se apresentar como um gestor e não como um “poste de Geraldo”.

Dentro do PSDB paulistano, Alckmin deu uma “cotovelada” nos aliados do ministro das Relações Exteriores, José Serra, ao fazer de João Doria candidato a prefeito da maior cidade do país. É bom lembrar que Andrea Matarazzo, serrista, seguiu para o PSD de Gilberto Kassab. De comum acordo com Serra, Matarazzo virou candidato a vice na chapa de Marta Suplicy, desta feita, candidata pelo PMDB. A dupla terminou em 4º lugar, deixando o PMDB com o signo da derrota e Serra com a missão de correr para se livrar do prejuízo, se quiser mesmo ser candidato a presidente da República pelo PMDB.

Por falar em PMDB…
A derrota do PMDB no Rio de Janeiro é outro dado relevante. O prefeito Eduardo Paes fez uma Olimpíada aplaudida pelo Brasil e pelo mundo, mas não conseguiu transformar esse sucesso em votos para o candidato que praticamente impôs ao partido, apesar de todas as dificuldades de Pedro Paulo, em especial, no eleitorado feminino, depois da história de ter batido na mulher. A derrota no Rio não só tira de Paes o verniz capaz de levá-lo a pleitear uma candidatura presidencial, como deixa o partido no Rio de Janeiro sob o perigo de perder mais terreno em 2018. Para completar a tragédia eleitoral peemedebista, o candidato Marcelo Crivella (PRB) já afirmou que não quer conversa com o PMDB, apontado como parceiro do PT na Lava-Jato,. Conversará apenas com os eleitores. Agora, o PMDB, rejeitado, não quer saber de Michel Temer ajudando Crivella no segundo turno. O que, aliás, já é dado como certo no Planalto: o presidente ficará fora até para que depois não digam que puxou algum candidato para baixo.

E o DEM, hein?
Quem se apresenta firme no jogo para 2018 é o prefeito de Salvador, ACM Neto, reeleito ontem com mais de 70% dos votos. Sua gestão, para lá de bem avaliada, será observada com mais atenção nos próximos anos, até porque, dentro do DEM, seu nome já é citado como um possível candidato a presidente, embora ele se coloque mesmo para concorrer ao governo da Bahia.

A Rede furou…
Esse primeiro turno mostrou ainda que o eleitor “se lixou” para padrinhos. Prova disso foi o fraco desempenho da Rede de Marina Silva, que mostrou não ter lastro hoje para arrastar multidões. A sigla disputará o segundo turno em Macapá contra o ex-senador Gilvam Borges (PMDB), aliado do ex-presidente José Sarney. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente fez campanha, os candidatos tiveram um desempenho abaixo do que o partido classificaria de “modesto”.

… E o PT definhou
Ex-petista, Marina Silva termina esse pleito como o seu antigo partido. O PT esperava emplacar, pelo menos, quatro candidatos num segundo turno para se considerar vivo eleitoralmente rumo a 2018: São Paulo, Porto Alegre, Recife e Fortaleza. Os resultados tiveram efeito de um jato d’água nas pretensões petistas. O partido foi para o segundo turno apenas em Recife e por uma margem muito pequena. Para completar, os eleitores dos demais candidatos, mantidas as atuais condições de temperatura e pressão, tendem a seguir com Geraldo Júlio, uma vez que eleitores do DEM e do PSDB são tradicionalmente resistentes a votar no Partido dos Trabalhadores. Lula pode até tentar alavancar, mas, diante de uma rejeição geral aos padrinhos, periga atrapalhar.

O PSol brilhou
O PSol, por sua vez, se apresenta no cenário político como um possível herdeiro dos eleitores desencantados com o PT. No Rio de Janeiro, por exemplo, o partido chegou ao segundo turno. Resta saber se saberá ampliar ou se comportará como o PT na década de 1980, que se mostrava avesso a alianças. Se o PSol se isolar à esquerda com os históricos aliados do PT tende ao fracasso.

Enquanto isso, em outras capitais…
A primeira temporada eleitoral de 2016 mostrou que a política repete o que prevalece na internet, onde o mundo é segmentado. Haja vista a ascensão de integrantes de pequenos e desconhecidos partidos a segundos turnos. Em Curitiba, por exemplo, o ex-prefeito Rafael Greca, do PMN, vai concorrer contra Ney Leprevost, de uma coligação de pequenos partidos. Em Vitória, Amaro Neto, do Solidariedade, tem apenas uma sigla tradicional na coligação, o DEM, e vai enfrentar, em 30 de outubro, o prefeito-candidato Luciano Rezende (PPS). Vale registrar: com o número de segundos turnos inferior ao que estava previsto, a tendência é Brasília retomar o seu movimento e as votações das reformas. Já não era sem tempo.

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Foi só o começo

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A “volta” que o presidente Michel Temer deu hoje de manhã, votando bem cedo para evitar protestos, foi apenas o primeiro da série de dribles que ele terá que dar daqui por diante para escapar dos manifestantes. A ideia dos petistas, passadas as eleições de hoje, é não dar sossego ao presidente.

PF enfurnada

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Enquanto o governo dava notícias de agentes da Polícia Federal mobilizados para acompanhar as eleições, um outro grupo de policiais, sem alarde, passou a tarde da última sexta-feira na sede de Furnas, no Rio de Janeiro. Foram buscar documentos sobre os negócios da empresa relacionados a senadores e outras personalidades no setor elétrico investigados pela Lava-Jato.
Em tempo: os senadores enroscados no megaescândalo são, na maioria, do PMDB. Quanto a outras personalidades, quem monitorou a operação a uma certa distância, avisa que nunca é demais lembrar que o ex-deputado Eduardo Cunha sempre ajudou a cuidar dos interesses da bancada por ali, em especial, a do PMDB de Minas Gerais.

Esquerda no divã
Ainda que terminem o dia de hoje no segundo turno em algumas capitais, os partidos de esquerda pretendem promover uma reflexão sobre a tradição de não-aliança que o PT impôs na década de 1980. Há quem diga que, essa regrinha não escrita seguida pela maioria dessas legendas quase 30 anos depois, terminou por tirar muitos candidatos do páreo.

Meu garoto!
De olho de 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pretende assumir o podium de padrinho absoluto de João Doria, caso o neo-tucano saia vitorioso das urnas. O pano de fundo é tentar a marcação da pole position para a corrida presidencial.

Primeiro sinal
Deputados trabalham para tentar aprovar as novas regras do pré-sal sem qualquer alteração ainda esta semana. Tudo para garantir que Michel Temer tenha algo para mostrar ao mercado financeiro, logo após o primeiro turno das eleições municipais.

Janela
Diante da enxurrada de segundos turnos que promete sair das urnas hoje, a ordem do governo é aproveitar o mês de novembro para liquidar a votação do teto de gastos. Depois, avaliam os ministros, o Congresso cairá na campanha para a troca de comando na Câmara e no Senado e, aí, a base vai desarrumar.

Em nome da economia…
… Michel Temer pretende ficar fora do segundo turno.

… E dos aliados
A avaliação de muitos é a de que, até aqui, a presença de autoridades nas campanhas dos grandes centros, onde há segundo turno, não tem surtido efeito. De mais a mais, se o presidente vai e o candidato perde, a culpa é do presidente. Se ganhar, foi esforço pessoal do postulante. Por isso, a prudência recomenda manter distância.

CURTIDAS

Brasil no mundo // Não tem um ministro que vá ao exterior e não seja perguntado sobre como anda a “car wash”, ou a “water pump”. A resposta é acompanhada de todo o cuidado com as expressões faciais, de forma a não demonstrar contrariedade: “A investigação prossegue. Doa a quem doer”.

Tempo urge // O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, faz amanhã mais uma rodada de conversas com os deputados e senadores sobre o teto de gastos.

Monitor // O ministro Geddel Vieira Lima (foto) passará os próximos dias sentindo o pulso dos deputados para saber onde a campanha eleitoral provocou estragos na base aliada.

Nunca é demais lembrar // “A corrupção é o cupim da República”, disse Ulysses Guimarães, no discurso de promulgação da Constituição de 1988.

Prisão três em um

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A permanência de Antonio Palocci na cadeia, agora por tempo indeterminado, gerou narrativas para todos os gostos. Da parte do governo de Michel Temer, se houver algum indício mais forte de que a decisão de desonerar alguns setores serviu para engordar o caixa petista, o atual governo vai rever o benefício. Antes mesmo da prisão de Palocci, esses estudos de revisão das desonerações estavam sobre a mesa. Agora, serão retomados com novo fôlego. Nada será feito de forma brusca, que possa comprometer empregos num momento tão delicado da economia. A desoneração virá de forma lenta e gradual.
Em relação à campanha, a prisão também “pegou”. Os petistas, embora queiram distância do episódio, alegam perseguição. A oposição aproveita para dizer que tudo o que vem do PT está contaminado. É a Lava-Jato se misturando aos últimos episódios deste primeiro turno e marcando a largada do segundo.

É segurança nacional!
Diante de tantos candidatos assassinados ao longo do processo eleitoral, alguns advogados pretendem juntar as peças e processar os autores com base na lei antiterror sancionada pelo governo Dilma Rousseff em março deste ano. Afinal, não é de hoje que se fala de infiltrações do crime organizado no sistema político-partidário e até no Poder Judiciário.

Operação Omertà
À exceção de Delcídio do Amaral, nenhum dos políticos do núcleo do PT partiu para a delação premiada. João Vaccari cogitou, mas não confirmou. O partido acredita piamente que Antonio Palocci não quebrará essa corrente.

Olha a onda!
Em conversas reservadas, os petistas se mostravam extremamente confiantes nesse viés de alta adquirido pelo prefeito-candidato, Fernando Haddad.

PSol e Rede
Se tem um partido que não tem do que reclamar da vida nesta eleição, é o PSol. Aos poucos, vai crescendo, como fez o PT na década de 1980. Já a Rede de Marina Silva ainda não teve a mesma sorte. Seus candidatos, se confirmadas as pesquisas de intenção de voto, não terão uma grande performance na primeira eleição com o registro do partido.

CURTIDAS
Jogo de empurra I/ A prisão da assessora da primeira-dama Onélia Santana, do Ceará, com R$ 50 mil em dinheiro e material da campanha do candidato do PT em Barbalha, Fernando Santana, provocou um “toma que o filho é teu” entre o governador Camilo Santana (foto) e o deputado José Guimarães.

Jogo de empurra II/ Guimarães foi citado lá atrás por causa de um assessor preso com dinheiro na cueca. Desta vez, entretanto, quem conhece ele e Camilo garante que a assessora é mais ligada à primeira-dama e ao governador do que ao deputado.

De olho/ Os líderes aliados ao governo fecharam o cronograma de votações do teto de gastos de forma que o presidente Michel Temer esteja no Brasil quando o tema estiver no plenário da Câmara. O segundo turno ficará para depois da viagem à Índia e ao Japão.

Puxou pra baixo/ Integrantes do PCdoB calcularam que a presença da ex-presidente Dilma Rousseff nas campanhas de Jandira Feghali, no Rio, atrapalhou. Ainda que tenha mostrado que Jandira tem lado na política, o que é considerado um fator positivo, afastou a maioria dos eleitores que não deseja o retorno da petista ao poder.

Marcela no Alvorada

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A primeira-dama Marcela Temer gostou e vai mesmo morar no Alvorada. Ela vai cuidar da mudança assim que passar o primeiro turno das eleições e o pessoal do Palácio concluir a minirreforma no quarto do filho, Michelzinho, de 7 anos. O que Marcela mais gostou do Alvorada foi a privacidade. Lá, não ficará tão exposta quanto no Jaburu, onde a casa é considerada mais aconchegante, porém, mais próxima das lentes dos chamados paparazzi.

Sem reformas, déficit chegará a R$ 600 bilhões em 2024, diz Meirelles

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No encontro que terminou há pouco no Alvorada, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, traçou um cenário difícil no futuro, caso o Congresso não aprove as propostas de reformas, começando pela fixação do teto de gastos para as despesas públicas. Os líderes me relataram a seguinte afirmação do ministro: “Pais nenhum do mundo conseguiu se desenvolver com o governo quebrado”, disse ele, alertando que, se nada for feito, o déficit em 2024 será de R$ 600 bilhões.
Diante de previsões tão catastróficas, o presidente Michel Temer conseguiu com que vários partidos anunciassem a disposição de fechar questão em torno da Proposta de Emenda Constituição (PEC) que institui o teto de gastos do poder público. A reforma da Previdência ficará mesmo para depois das eleições.
O PSD de Henrique Meirelles, liderado por Rogério Rosso (DF), tinha sido o primeiro a tomar essa decisão antes mesmo do encontro de ontem com o presidente Michel Temer e os ministros. Ontem, foi a vez do PMDB fazer esse comunicado: “O PMDB não faltará ao governo e ao pais”, disse o líder Baleia Rossi. O PTB e o PP foram pelo mesmo caminho.

Partidos alertam para a necessidade acabar com a divisão Centrão-centrinho

Todos os líderes levantaram suas preocupações abertamente. O deputado Danilo Forte, que preside a comissão especial da PEC dos gastos, não titubeou: “É preciso acabar com essa história de Centrão, centrinho ou coisa que o valha. A base do governo é uma só. A base social do impeachment veio da crise econômica e temos que dar uma resposta à crise”, comentou ele.

Herança maldita

É voz corrente no governo que o ex-presidente Lula e o PT jogarão de forma a empurrar a crise econômica para o colo da equipe de Temer e dos partidos que o apoiam, tudo para tentar tirar qualquer responsabilidade dos ombros da ex-presidente Dilma e seu partido. Líderes e ministros foram orientados ontem a não deixar essa versão sedimentar no eleitorado. A ideia é repisar que o país está na situação de penúria graças ao governo da antecessora.
Para não deixar essa tentativa de transferência de responsabilidade encorpar no período eleitoral, a reforma da Previdência não será encaminhada ao Congresso esta semana. A avaliação é a de que o envio agora seria inócuo, porque as discussões só vão começar depois do periodo eleitoral. Portanto, a reforma pode perfeitamente ser enviada no final de outubro, ou em novembro, e aproveitar para votar tudo em 2017, um ano sem eleições. Se você acha,leitor, que 2016 trouxe muitas emoções na política,pode ter certeza de que 2017 não será diferente.