Autor: Aline Gouveia
Por Denise Rothenburg
Esqueçam a redução da escala de trabalho em número de dias de serviço, conforme previsto na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da deputada Érika Hilton (Psol-SP). O consenso dos líderes caminha para a redução de 44 horas semanais para 40. E dando aos empregadores e empregados a liberdade para negociar como serão distribuídos os turnos de cada trabalhador. Do Republicanos ao PT, muita gente acredita que, nesse sentido, será possível chegar a um acordo para votação do tema ainda este ano.
Veja bem/ À coluna, o líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, Augusto Coutinho (PE), disse que o tema “não pode ser tratado de forma eleitoreira”. Apesar de ainda não ter ouvido a opinião da bancada, Coutinho já conversou com o presidente da legenda, Marcos Pereira, que orientou atenção ao debater o tema na Casa. “O assunto precisa ter muita cautela, porque é grave. Setenta porcento dos empregos gerados são por Microempreendedor Individual (MEI). Então, é preciso discutir para não dar encargos aos MEI”, defendeu.
Pode preparar o discurso
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prometeu comparecer esta semana à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), comandada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Se não for, a CAE voltará suas atenções para o Banco de Brasília (BRB). A ideia é chamar o atual presidente, Nelson Souza, e o ex Paulo Henrique Costa. Ninguém engole a história de que o antigo time do BRB não sabia que estava comprando títulos podres. E quer saber ainda que história foi essa de vender parte dos ativos do banco às instituições ligadas ao Master.
Projeto de lei versus PEC
O governo quer que Lula possa sancionar uma proposta de redução da escala 6X1, seja em dias, seja em horas trabalhadas. E para isso, será preciso um projeto de lei. Se for PEC, a festa da promulgação fica a cargo dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Exclusividade zero
A maioria dos palanques em montagem nos estados não terá apenas um candidato à Presidência da República. A tendência é que cada candidato a governador de partidos de centro tenha agendas com, pelo menos, dois presidenciáveis. No Rio de Janeiro, por exemplo, Eduardo Paes (PSD) se dividirá entre o nome do próprio partido e o de Lula. Em Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco, hoje no PSD, é outro que terá de dividir o palanque caso
seja candidato a governador e continue no partido.
“Negócios não têm cor, religião ou ideologia”
Diz presidente Lula, em Nova Delhi, na Índia, em pronunciamento depois do encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi
CURTIDAS
A bela não desistiu…/ O bolsonarismo não está tão unido quanto nos idos de 2018. Nos dias de carnaval, os mais fiéis aliados do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) ficaram irritados com o fato de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado no DF, ter postado um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), puxando um rosário de críticas contundentes ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir do desfile da escola de samba que homenageou o petista.
… e mandou recado/ Aos seguidores, ela foi direta: “Para quem anda se doendo demais: este perfil é privado e a escolha dos vídeos é minha. Fiquem à vontade para sair”.
Carnaval em Lisboa/ O embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, teve uma maratona de eventos em 2025. Foram 143 audiências de instituições e pessoas; 23 recepções oficiais e de trabalho na residência brasileira; presença em 114 eventos oficiais de missões diplomáticas. Porém, uma das ações que o embaixador considera das mais importantes foi colocar o desfile de blocos carnavalescos e escolas de samba no calendário oficial de atividades culturais de Lisboa. “Era uma dificuldade grande conseguir os desfiles aqui. Desde o ano passado, com o memorando de entendimento que assinamos, ficou tudo mais fácil”, diz. O evento cresceu tanto que agora blocos e escolas terão que ampliar a estrutura para receber o público.
O ano das Missões no TCU/ O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes (foto) comanda, em 3 de março, solenidade em Brasília para marcar os 400 anos das Missões Jesuíticas no Brasil. Será praticamente a abertura das comemorações para celebrar o patrimônio cultural e histórico dos jesuítas no país.
Por Denise Rothenburg
Pressionado por bolsonaristas e petistas a não lançar um candidato do PSD à Presidência da República, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, reafirma que um dos três que se apresentaram para essa empreitada concorrerá ao Planalto e joga as falas contrárias ao projeto para escanteio.
Numa espécie de carta aos brasileiros, aproveita suas redes sociais para lançar as bases de uma campanha, com Eduardo Leite, Ratinho Júnior ou Ronaldo Caiado o escolhido.
De Stuttgart (Alemanha), onde participa de um congresso da União Democrata-Cristã (CDU) promovido pela fundação Konrad Adenauer (KAS), Kassab diz que “o Brasil estará muito bem servido, se puder contar com (e elenca os três) como seu presidente da República a partir de 2027”.
E, ainda, apresenta o rascunho de uma plataforma de campanha, com “transparência na utilização de recursos públicos para combater a corrupção; reforma administrativa para reduzir o peso do Estado e valorizar bons servidores; o fim da reeleição; e idade mínima para novos membros dos tribunais superiores”.
Acertos & apostas/ Kassab abre a carta “O PSD nas eleições de 2026” falando dos acertos ao longo da carreira. Menciona as disputas eleitorais que travou e dos apoios que concedeu a Guilherme Afif Domingos, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e, mais recentemente, a Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Considera, ainda, ciência, educação e saúde como setores estratégicos, numa demonstração de que o PSD não virá a passeio para esta temporada eleitoral de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem praticamente pronto o discurso da geopolítica internacional que fará no embate com os bolsonaristas em 2026, seja Flávio Bolsonaro, seja outro candidato. A ordem é mostrar que, com “paciência, diálogo e altivez”, o governo Lula conseguiu reverter grande parte das tarifas impostas, no ano passado, pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos e, para completar, encerra esta Terceira passagem pelo Palácio do Planalto com o acordo entre Mercosul e União Europeia assinado ontem. Se o Parlamento Europeu e as instâncias jurídicas da União Europeia vão chancelar é outra história. Com o convite a Lula para integrar o Conselho de Paz em Gaza, vindo de Donald Trump, a ideia é deixar claro que tudo tem que se dar com diálogo, defesa da soberania e por aí vai. A avaliação de especialistas é de que, até agora, os bolsonaristas não têm nada muito concreto para combater isso.
» » » » »
Por falar em soberania…/ Antes de aceitar o convite de Trump para compor o Conselho de Paz, o governo Lula quer saber o formato desse colegiado. Por exemplo, se haverá palestinos. Não se pode falar em paz sem os principais interessados nesse processo.
Caiado na reflexão
A alguns amigos, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tem dito que desistiu da candidatura presidencial. Até aqui, Antonio Rueda não fechou a preparação da pré-campanha. A sensação de muitos no União Brasil é que Rueda, para tristeza de muita gente no partido, rifou a pré-campanha de Caiado.
E a Venezuela, hein?
O governo Lula tem um ponto que considera crucial para usar, se vier algum ataque sobre as relações do presidente com Nicolás Maduro. Em nenhum momento, Lula reconheceu a vitória do ditador venezuelano na última eleição.
Ponto forte
A vinda da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao Brasil na véspera da assinatura do acordo foi considerada um sinal de prestígio do governo brasileiro e um recado aos estadunidenses de que os grandes mercados podem se unir. Obviamente, o governo brasileiro não isolará os Estados Unidos e nem pretende fazer isso a um dos maiores mercados dos produtos brasileiros. O Brasil quer mesmo é o multilateralismo.
Expectativa & realidade
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, tem conversado muito com o ex-governador José Roberto Arruda. Aliados do executivo da ABDI garantem que ele aposta no apoio de Arruda ao Governo do Distrito Federal (GDF). O ex-governador do DF, porém, sonha em ter Cappelli como candidato a vice. Se a candidatura der errado, Cappelli terá de confiar que não será abandonado pela estrutura que deseja caminhar com Arruda.
CURTIDAS
Vício antigo I/ As “emendas família” ao Orçamento, aquelas em que os recursos terminam destinados a organizações não governamentais ou empresas ligadas a parentes, é uma reedição das subvenções sociais dos tempos dos “Anões do Orçamento”. O esquema começou a ser desvendado em 1992 pelo jornal O Globo, que publicou as primeiras reportagens a respeito.
Vício antigo II/ Na época, o então deputado João Alves (PFL-BA) perdeu a relatoria. Mas os políticos aproveitaram as denúncias relacionadas ao governo Fernando Collor, para deixarem o caso do Orçamento em “banho-maria”. Com a prisão do então assessor José Carlos Alves dos Santos, no ano seguinte, depois da queda de Collor, os congressistas abriram uma CPI que resultou na cassação de vários mandatos.
Vício antigo III/ Desta vez, quando o mesmo jornal denuncia o escândalo, quem suspendeu as emendas foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Porém, tem o caso Master, com potencial suficiente para evitar que o Congresso investigue essas emendas e não instale uma CPI. Como se vê, a história se repete sob outros contornos. Que as nossas instituições sejam fortes para terminar de vez com essa bandalheira de desvio de dinheiro das emendas.
Por falar em Master…/ À coluna, parlamentares comentaram em conversas reservadas o espanto com o networking em Brasília do dono do Master, Daniel Vorcaro (Foto), em todas as instâncias do Legislativo, do Executivo, do Judiciário e de governos estaduais. Se aproximar do GDF, por exemplo, era considerado estratégico. O DF pode não ser o ente federativo mais rico, mas abriga o centro do poder político.




