Desde que o ex-presidente Michel Temer anunciou o apoio a Flávio Bolsonaro, cresce a suspeita entre os políticos de que o emedebista fez isso para tentar obter um acordo capaz de preservar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, seu ex-ministro da Justiça que o então presidente Temer indicou ao STF. Somam-se a essas suspeitas de acordo as ações do próprio ministro, no sentido de distensionar o ambiente com os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas hostes bolsonaristas, entretanto, a avaliação é a de que, se os senadores do PL recuarem em relação ao impeachment de Alexandre de Moraes, deixarão
de cumprir o discurso que levou à construção da bancada que saiu das urnas. Nesse sentido, ou o STF resolve o caso até o final do ano, ou a nova bancada do partido vai tratar de eleger um presidente do Senado que não impeça a abertura de processo contra o ministro. Diante dessa perspectiva, há quem diga que caberá a Alexandre de Moraes pedir para sair.
Outros acordos
A aproximação do Centrão com Flávio Bolsonaro vai muito além dos cargos de primeiro escalão e da identidade ideológica. Ali, falou mais alto a sobrevivência. Primeiro, há nos aliados de Ciro Nogueira, do PP, e de Antonio Rueda, o presidente do União Brasil, a esperança de que Flávio promova trocas na Polícia Federal no próximo ano, de forma a estancar as denúncias que vinculam nomes importantes do bloco ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O fato de Flávio ter chegado à frente de Lula no primeiro turno e a vitória dos petistas na Bahia indicam que o caso Vorcaro ficou à margem do processo eleitoral. Além disso, os políticos
registram que, até aqui, as investigações não cessaram e a posição do presidente do STF, Edson Fachin, tem sido no sentido de
dar transparência aos documentos que não comprometam essas investigações. Da parte do ministro Fachin, esse ponto é inegociável
Fiquem na penumbra
Com o comando da Federação União Progressista desgastada em função do enrosco com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a ordem é manter os caciques voando abaixo dos radares, tanto o senador Ciro Nogueira (PP-PI), derrotado nas urnas, e Antonio Rueda, eleito deputado federal pelo União Brasil do Rio Janeiro. Nenhum dos dois falará pela federação ao longo deste segundo turno.
Aproveite os holofotes
Quem falará pelas duas legendas é a líder do PP no Senado, Tereza Cristina. Aliás, ela só não foi vice na chapa de Flávio Bolsonaro porque Ciro Nogueira disse não. Agora, enquanto representante da Federação no arco de alianças do candidato do PL neste segundo turno, Tereza terá a chance de se projetar para presidir o Senado.
Deu discurso
O aceno de Flávio Bolsonaro sobre mudanças na Constituição leva o PT a acreditar que essa talvez seja o principal mote para tentar conter a onda que levou o candidato do PL a sair na frente no primeiro turno. A ordem agora é espalhar que as garantias e direitos inscritos na Constituição estão sob risco. Embora o candidato não tenha citado direitos fundamentais dos cidadãos tampouco nenhuma mudança trabalhista, tudo isso fará parte dessa curta etapa da campanha.
E a 6X1, hein?
O governo do presidente-candidato Lula vai massificar que o projeto do PL de colocar a remuneração por hora trabalhada é considerado um “7×0”. Os petistas acreditam que o lado mais fraco é o do trabalhador, que não conseguirá fechar um bom acordo com o patrão. Esse é outro tema que promete dominar esses dias.
CURTIDAS
Celina e Flávio/ Na reunião com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, a governadora-candidata Celina Leão pediu ao candidato que não repetisse o gesto do “V” da vitória, usado na campanha de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis no DF para massificar o 22. “Flávio, aqui use só os indicadores: É 11”, disse Celina, dedicada agora a massificar o seu número nas urnas. Afinal, ela passou ao
segundo turno porque 26 mil eleitores registraram o 22 nas urnas achando que estavam votando nela.
Janja e Alckmin/ A polêmica “menos Janja, mais Alckmin”, que a ex-senadora Kátia Abreu levantou na reunião dos petistas, não é apenas uma avaliação da ex-ministra da Agricultura da presidente Dilma Rousseff. É também de várias pessoas próximas a Lula. Muitos dizem que Janja conquistou todos os votos que poderia obter. Ela deveria, avaliam, dar lugar ao vice-presidente para tentar agregar o que Lula precisa a fim de ultrapassar Flávio Bolsonaro e vencer no segundo turno. Muita gente de dentro do PT diz que, se isso não mudar, Lula que assuma os erros depois. Não dá para culpar o marqueteiro Sidônio.
Minerais críticos/ O Instituto Diálogos, think tank criado pela senadora Tereza Cristina, tem reunião hoje em Brasília com o alto escalão do Ministério de Minas e Energia, Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e especialistas em terras raras para debater a política nacional desse recurso tão importante e estratégico para o país. Entender o setor e seus conceitos é considerado um passo fundamental para criar um detalhamento das regras que vão reger a política desses minerais no Brasil, cuja industrialização hoje está praticamente concentrada na China.
Reflexões sobre mineração/ O IDP abre hoje suas portas para o lançamento do livro Manual Aplicado de Mineração: Geologia,
Regulação, Direito e Economia dos Recursos Minerais, escrito a seis mãos por André Garcia, Marcela Tainã e Rafael Favetti. A obra nasceu da proposta de reunir, em um mesmo trabalho, diferentes dimensões da atividade mineral — geologia, regulação, direito e economia — procurando aproximar o conhecimento técnico dos problemas concretos enfrentados por quem atua e toma decisões no setor. A sessão de autógrafos será no auditório do IDP, na 609 Norte, a partir de 18h30.

