Cosette Castro & Natália Duarte
Escrever sobre cuidado é retirá-lo do apagamento.
Brasília – Enquanto acompanhamos as especulações sobre a criação de um possível Ministério das Pessoas Idosas, aproveitamos para lembrar que no dia 29 de outubro é comemorado o dia internacional do cuidado e apoio.
A data foi instituída em 2023 pelas Nações Unidas para reconhecer a importância do cuidado, remunerado ou não, para o bem-estar das pessoas e para o funcionamento da sociedade. A data também nos convida a valorizar, reduzir e redistribuir o trabalho de cuidado não remunerado, que ainda recai e sobrecarrega sobre as mulheres.
Nesta edição quem escreve no Blog é a professora da UnB Natália Duarte, que é cuidadora familiar e faz parte da Coordenação do Coletivo Filhas da Mãe. Ela nos lembra que escrever sobre cuidado é retirá-lo do apagamento.
Natália Duarte – ” Todas as pessoas precisam de cuidado em diferentes momentos da vida: na infância, no envelhecimento, no adoecimento ou diante da perda de autonomia.
Temos o direito de cuidar e ser cuidadas. Esse cuidado invisível está presente na preparação das refeições, no acompanhamento às consultas, na organização dos medicamentos e na oferta de segurança, escuta, companhia e afeto.
Embora sustente a vida, esse trabalho ainda é tratado como uma responsabilidade privada das famílias e, sobretudo, das mulheres. No Brasil, em 2022, elas dedicavam, em média, 21,3 horas semanais ao trabalho de cuidado doméstico e ao cuidado de pessoas sem remuneração, enquanto os homens dedicavam 11,7 horas.
O cuidado, porém, não pode ser uma tarefa solitária. Precisa ser compartilhado entre os homens nas famílias, comunidades, empresas, Estado e toda a sociedade.
As empresas também devem fazer parte dessa construção. Muitas trabalhadoras conciliam suas atividades profissionais com o cuidado de crianças, pessoas idosas, familiares com deficiência, doenças crônicas ou demências, como o Alzheimer. Por isso, as organizações precisam escutar quem cuida sem remuneração e desenvolver práticas que favoreçam a conciliação entre trabalho e cuidado, sem penalizar suas carreiras ou comprometer sua saúde e renda.
Construir uma Sociedade do Cuidado exige políticas públicas e participação social. As Conferências Nacionais dos Direitos da Pessoa Idosa são espaços democráticos de debate, avaliação e formulação de propostas. A sexta Conferência Nacional, por exemplo, em 2025 abordou temas importantes como financiamento de políticas públicas, cuidado integral, enfrentamento das violências, participação social e fortalecimento dos conselhos de direitos. E orçamento.
No Dia Internacional do Cuidado e Apoio, a jornalista Mônica Carvalho conversou com Ana Lúcia da Silva, da Coordenação-Geral da Secretaria do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, marcando a edição de outubro do Programa de Entrevistas Terceiras Intenções.
O programa, que é apresentado mensalmente online e ao vivo, é um projeto do Coletivo Filhas da Mãe que se já encontra no 5o. ano de entrevistas mensais.
Entre os destaques da conversa está a importância das instâncias de participação para a construção das políticas públicas. A conversa também recupera a trajetória das seis Conferências Nacionais dos Direitos da Pessoa Idosa e as recomendações da Sexta edição para a garantia dos direitos da população 60+. Assista aqui a entrevista disponível no canal do YouTube Coletivo Filhas da Mãe.
Retirar o cuidado da invisibilidade é o primeiro passo. O seguinte é reconhecê-lo como um compromisso coletivo, indispensável à vida com dignidade”.
PS: Enquanto isso, no Coletivo Filhas da Mãe vamos refletindo internamente sobre a pertinência da criação de um novo Ministério. Aguardem.
PS2: Voltaremos as caminhadas semanais no dia 08/11, domingo. Na próxima semana divulgaremos o calendário de novembro

