O Cuidado Como Política Pública e Direito

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Neste domingo, dia 25, é dia de defender as políticas públicas, entre elas a Política Nacional de Cuidados e o cuidado coletivo.

Cosette Castro & Natália Duarte

Brasília – Faltando dois dias para as eleições, seguimos estimulando as pessoas idosas, em especial às 70+ a saírem de casa para votar. Queremos mudar o que ocorreu no primeiro turno quando 49% das pessoas 60+ se abstiveram de votar.

Enquanto isso, a convidada de hoje, a professora da UnB Natália Duarte, que faz parte da coordenação do Coletivo Filhas da Mãe, reflete sobre a importância do voto em defesa das políticas públicas e como espaço de cuidado coletivo.

Natália Duarte – ” Sou filha da escola pública e da universidade pública. Fui professora da rede pública, participei da construção do Sistema Único de Saúde (SUAS) e ensino sobre políticas públicas para infância e juventude na UnB.

Talvez por isso, ao longo da vida, eu tenha aprendido a enxergar uma das dimensões mais bonitas do Estado: a política pública.

Política pública é a maneira pela qual o Estado se manifesta para enfrentar os problemas sociais e cuidar da vida em comum. É quando uma necessidade deixa de ser considerada um problema individual e passa a ser reconhecida como uma responsabilidade coletiva.

Hoje escrevo do lugar de cuidadora familiar.

Há dez anos cuido dos meus pais. Minha mãe, Maria Duarte, faleceu em 2020. Meu pai continua precisando de cuidados, presença e apoio. Essa experiência me ensinou, de forma muito concreta, que cuidar é um trabalho cotidiano e invisível. Exige tempo, afeto, organização, recursos e muitas renúncias.

Também sei que minha família ocupa um lugar privilegiado. Meus pais tiveram suficiência de renda, o que me permitiu contar com cuidadoras, centro-dia, fisioterapia e fonoaudiologia particulares. Esses apoios fazem enorme diferença para a pessoa idosa e também para quem cuida. E é, por vezes, o único espaço/tempo de autocuidado da cuidadora.

Mas o direito de receber cuidado não pode depender da renda de uma família.

Toda pessoa idosa, com ou sem demência, precisa ter acesso a uma rede de proteção e cuidado. E toda cuidadora familiar precisa de apoio para continuar cuidando sem abandonar a própria saúde, a própria vida e o direito ao autocuidado.

Nós, do Coletivo, Filhas da Mãe, sabemos que o cuidado quase nunca acontece sozinho. Ele precisa ser compartilhado pelas famílias, pelas comunidades, pelas empresas, com flexibilidade nos horários de quem cuida sem remuneração. E, principalmente, pelo Estado. Precisamos de políticas públicas que deem suporte às pessoas idosas e às pessoas que cuidam delas, como é o caso da Política .

Precisamos de arranjos criativos, de serviços públicos suficientes e acessíveis, profissionais qualificados, espaços de convivência, centros dia e espaços de descanso para quem sustenta o cuidado não remunerado todos os dias.

É disso que falamos quando defendemos um Estado que se corresponsabiliza, que cuida.

Nestes dias que antecedem as eleições, fazemos um convite muito simples: converse com sua avó, sua mãe, sua tia, sua vizinha ou com aquela pessoa idosa que faz parte da sua vida. Se ela quiser votar e precisar de ajuda, ofereça companhia, transporte, informação e segurança.

Contribua para que ela possa exercer a própria vontade na hora do voto.

Levar uma pessoa idosa para votar também é um gesto de cuidado e de reconhecimento. É contribuir para que a experiência da pessoa, sua memória e sua voz participem das escolhas sobre o futuro. Afinal, podemos viver mais de 90 anos.

Somos cuidadoras famíliares. Sabemos quanto os apoios ao cuidado são indispensáveis. Sabemos também que só há autocuidado quando ninguém precisa enfrentar sozinha o peso de cuidar.

Por isso, desde o final de 2019 o Coletivo Filhas da Mãe busca transformar o cuidado em direito, como determina a Política Nacional de Cuidados aprovada em 2024. E direito em política pública com implementação para todas as pessoas”.

Transformar o cuidado em direito, como prevê a Política Nacional de Cuidados, é uma escolha a ser feita através do voto no domingo, dia 25.

Em Tempo: Convidamos você a pensar na Sociedade do Cuidado quando for votar.

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