Prevenção é Cuidado Coletivo

Publicado em Sem categoria

Mulheres vivem mais, mas nem sempre envelhecem com qualidade

Cosette Castro e Maria Socorro de Morais

Brasília – Há muitos tipos de violência contra as mulheres. O Distrito Federal, por exemplo registrou três feminicídios nos últimos 15 dias. Todos com requinte de perversidade.

Mas há outras formas de violência cotidianas que diminuem consideravelmente a qualidade de vida das mulheres envelhecentes (50+) e das mulheres idosas.

Uma delas é o descaso da ciência em relação a anatomia e as fases das mulheres, entre elas a Transição Menopausal. Elas vivem mais, mas com menos qualidade de vida, como conta a convidada desta edição, a ginecologista e nutróloga Maria Socorro de Morais. Ela é uma das coordenadoras do Fórum Nacional pelos Direitos das Mulheres Envelhecentes e Idosas.

Maria Socorro de Morais – “Vivemos uma verdadeira revolução da longevidade. Cerca de 18% da população brasileira tem 60 anos ou mais. As mulheres são maioria e representam 55,7% desse universo.

Elas conquistaram entre sete e 10 anos a mais de vida do que os homens e representam uma parcela cada vez maior da população. Mas viver mais não significa necessariamente viver melhor.

O grande desafio deste século é transformar longevidade em anos de vida com saúde, autonomia, independência e segurança.

Nesse cenário, precisamos falar e escrever mais sobre a menopausa e os anos que a antecede, conhecida como Transição Menopausal .

Durante muito tempo, a menopausa foi tratada apenas como a fase  do fim da menstruação. Ou como uma fase marcada por ondas de calor. Mas ela  é muito mais do que isso.

A Transição Menopausal se inicia cerca de cinco anos antes da parada da menstruação. Ela ocorre por volta dos 42 a 45 anos de idade.

Este é o  momento da vida em que começam a se tornar mais evidentes mudanças na composição corporal, na massa e na força muscular, nos ossos, no metabolismo. Também há mudanças no sono, na saúde cardiovascular, na saúde emocional, na sexualidade. E, para algumas mulheres, na cognição.

Isso não significa que a Transição Menopausal e a menopausa sejam doenças.  Nem que todas as mulheres tenham os mesmos sintomas. Muito menos que todos os problemas do envelhecimento feminino sejam provocados pela queda dos hormônios.

Significa, porém, que existe uma importante janela da vida da mulher que ainda precisa ser mais estudada.  Sobretudo, precisa ser mais valorizada pelas políticas públicas de saúde para garantir qualidade de vida para as mulheres.

A vantagem da longevidade feminina nem sempre é acompanhada pela mesma vantagem em  termos de saúde e funcionalidade. Também chama atenção a maior carga de doenças que comprometem a independência de muitas mulheres na velhice. Nas demências, por exemplo, aproximadamente duas em cada três pessoas afetadas são mulheres.

Por isso, a pergunta que a ciência precisa responder não é apenas “como fazer as mulheres viverem mais?”. Mas, principalmente é: “como garantir que esses anos adicionais sejam vividos com capacidade física, cognitiva e funcional?”

A ciência não tem conseguido acompanhar as necessidades emergentes das mulheres. E elas têm atravessado a menopausa sem assistência adequada.

É preciso ampliar os estudos sobre climatério, menopausa e envelhecimento feminino, incluindo as mulheres com diversas  condições sociais, raciais, com diferentes deficiências e  que vivem nas cinco regiões do país.

É preciso compreender melhor os fatores hormonais, metabólicos, cardiovasculares, musculares, ósseos, nutricionais, cognitivos, psicológicos e sociais que determinam como uma mulher envelhece. E isso precisa começar a ser feito antes da menopausa e da velhice.

A Transição Menopausal,  ou seja, os anos que antecedem a parada definitiva das menstruações, podem representar uma oportunidade estratégica para construir um envelhecimento com saúde e dignidade para as mulheres.

É importante avaliar riscos, estimular mudanças no estilo de vida, ter acesso a bons profissionais e tratamentos na rede SUS e realizar a terapia hormonal de forma individualizada e quando indicada.

Mas é igualmente importante motivar a participação social, com a criação de uma rede de proteção e de  direitos.  Não se trata só do cuidado individual, mas discutir o cuidado coletivo e as diferentes formas de envelhecer.

Não basta acrescentar anos à vida das mulheres. O verdadeiro avanço será acrescentar saúde, autonomia e independência aos anos conquistados.”

No Coletivo Filhas da Mãe queremos mulheres vivas, em segurança e com qualidade de vida também na fase do envelhecimento. E que sejam incentivadas as pesquisas sobre as transformações do corpo das mulheres a partir dos 40 anos.

Prevenção é Cuidado Coletivo!

PS: Este fim de semana não haverá caminhada. Estamos organizando a 5a. Caminhada da Memória que vai acontecer no domingo, dia 20/09, às 9h, no Eixão Norte. Saída: quadra 205 Norte, em frente a delegacia da criança e do adolescente. Caminhada simbólica até a quadra 208 Norte. Das 10 ao meio dia haverá atividades Pós-Caminhada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *