Cosette Castro
Brasília – A euforia coletiva em torno de um futuro Brasil campeão em 2026 caiu por terra na tarde de domingo, 05/07.
Como não escrever então sobre futebol? A derrota de ontem faz pensar em quantas vezes somos derrubadas, precisamos levantar, sacudir a poeira e começar de novo.
De um lado, estava a Noruega, presente no jogo, que marcou e explorou as possibilidades a seu favor.
De outro estava o Brasil, carregando a fama de ter sido uma grande equipe. Talvez seja isso que tenha impedido os jogadores brasileiros de correrem no campo, de mostrarem garra, disposição e espírito de equipe.
Não dá pra sobreviver apenas com soluções individuais. Ainda mais quando vivemos em grupo. Isso vale para a vida cotidiana e também para os jogos de futebol. E vale para jogadores de alta performance participando de competições como a Copa do Mundo, em jogos onde apenas uma equipe passa para a próxima etapa.
Os jogos anteriores haviam mostrado apenas um espectro do que já foi o futebol brasileiro. A vitória contra a Escócia rapidamente nos fez esquecer a mediocridade das partidas iniciais. E rapidamente a maior parte de nós passou a acreditar que fazia parte do aquecimento e do entrosamento do que deveria ser uma equipe unida e solidária.
No imaginário social acreditamos que o nosso amor ao futebol e o calor da torcida brasileira ajudariam a animar e fazer com que o Brasil jogasse um futebol suficientemente bom para sobreviver. Não foi.
Faltou futebol, faltou equipe e, principalmente, faltou garra, vontade de vencer.
Morremos todos um pouco ontem, mesmo quem não é fanático por futebol.
Morreu a esperança de estar na Copa até o final e levantar a taça. De parar de trabalhar para assistir os jogos em meio a jornadas exaustivas.
Desapareceu a possibilidade de ter o direito a gritar, xingar, rir e chorar em grupo durante os jogos da Seleção.
E terminou a chance de nos tornarmos técnico/as temporário/as. Ao menos durante o transcorrer do jogo.
Caiu por terra o hábito de ir para a banca de revistas com filhos e filhas para comprar e trocar figurinhas dos melhores jogadores.
O luto que se esparramou pelo Brasil tem muitos motivos de acontecer. Vai além de perder o jogo e ser eliminado da Copa.
O time brasileiro de 2026 é mais uma promessa que não se concretiza.
É um luto pelo que poderíamos ser e não fomos. Já vimos esse filme outras vezes. A cena volta em looping, onde passam os anos e o time não sai do lugar. Só se repete.
A cada campeonato há outras equipes do mundo para mostrar, quase como uma sacudida, “Acorda Brasil!”. Elas mostram o que temos deixado de ser no futebol.
Nesta Copa, vale a pena citar o Paraguai e Cabo Verde.
Foi o vizinho Paraguai que, ao vencer a Alemanha na semana passada “vingou” os 7×1 que levamos da equipe alemã em 2014. O pequeno Paraguai foi heróico e quase passou a França com uma defesa forte, contra ataques rápidos e muita garra. Algo que faltou ao Brasil.
E o que dizer da corajosa equipe de Cabo Verde?
Deu gosto assistir a sua última partida. Mesmo eles sendo mais inocentes frente a experiente equipe da Argentina, mostraram garra, criatividade e rapidez dentro do campo. Características que faltaram e seguem faltando ao Brasil.
Não é por acaso que Cabo Verde foi considerada a “campeã moral” da Copa do Mundo 2026. Voltar para casa assim é motivo de orgulho e esperança.
Já o time do Brasil volta para casa de cabeça baixa, como uma pálida mostra do que já foi. Com um Neymar que nem deveria ter entrado em campo, revelando nossa submissão aos patrocinadores da seleção. E com jogadores com soluções individuais. Mais uma vez, faltou espírito de equipe, criatividade e garra.
Como vencer com jogadores que apenas andavam no campo?
Até parece que eles esqueceram o que representa defender a bandeira do Brasil.
PS: Não perdemos o jogo por causa do pênalti de Bruno Guimarães. Perdemos porque não chegamos a ser uma equipe. Mas é sempre mais fácil encontrar um culpado…
PS 2: Enquanto isso, outra Seleção Brasileira brasileira estreia na Copa Mundial de Futebol Unificado na terça-feira, em Paris. Juntos, atletas com e sem deficiência intelectual trocam experiências em campo em nome da inclusão, do trabalho em equipe e do respeito.

