Cosette Castro
Brasília – No domingo, 19, o Brasil celebrou o dia dos povos indígenas. Uma comemoração que deveria ocorrer todos os dias para homenagear e agradecer aos nossos povos originários, guardiões das florestas e do meio ambiente.
Apesar de todas as tentativas de extermínio e invisibilidade, a população indígena segue resistindo, reinvindicando o que lhe é de direito: a demarcação e proteção dos territórios, pois eles já viviam nessas terras muito antes dos portugueses chegarem (Saiba mais). No Brasil há 1,6 milhão de indígenas divididos em 391 etnias (IBGE, 2022). Eles falam 295 línguas, entre elas a tikúna, a guarani kaiowá e a guajajara.
E na terça-feira, Brasília estará em festa para comemorar 66 anos. Toda uma senhora, orgulhosa de envelhecer com as ruas arborizadas do Plano Piloto, com o lago Paranoá e suas belezas arquitetônicas. Elas estão espalhadas pela Capital Federal, situada na Região Administrativa 01, a primeira entre as 35 existentes no Distrito Federal.
Há atividades gratuitas para todos os gostos. Para os cidadãos e cidadãs que nasceram na Capital. Para outras pessoas, como eu, que vieram trabalhar e fixaram residência. Para representantes de embaixadas e organismos internacionais. E para turistas. Tudo junto e misturado.
Entre as atividades gratuitas, está a visita especial com acesso às cúpulas, teatro e cinema 3D sobre Darcy Ribeiro no Senado Federal. O Museu Nacional, ali perto, oferece visitação da exposição “O Brasil das Florestas” e o Cine Brasília terá programação com mostras de cinema brasileiro ao longo do dia. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) também terá programação especial para população. E haverá shows na Esplanada a partir das 10h.
No entanto, na Esplanada faltam bancos públicos e com sombra para sentar, apreciar a arquitetura e as pessoas. Mesmo no planejadíssimo Plano Piloto. As poucas iniciativas de bancos públicos estão em algumas quadras residenciais.
A diversidade de opções e atividades estimulam quem pode caminhar. Os espetáculos em geral são pensados para pessoas sem nenhum problema físico ou mental, que não sofrem com música em alto volume. Em sua maioria, eles são pensados para pessoas “normais”, que não enfrentam dificuldades cotidianas. Mas vá levar um cadeirante… Uma pessoa com algum nível de deficiência física ou mental, uma pessoa idosa com fragilidade. Aí começam as complicações.
Aliás, a Capital Federal não foi pensada para quem anda a pé. Basta ficar esperando em uma sinaleira para cruzar a rua. A espera é, em média, 5 minutos. Ou mais. A preferência é sempre dos carros. Os transeuntes podem esperar. E esperar… A exceção são as faixas de pedestres, orgulho de Brasília.
Quem caminha pelo Plano PIloto sabe que, na cidade patrimônio da humanidade, quase não há calçadas sem buracos. A maioria das calçadas ainda não obedece ao tamanho padrão para caber duas pessoas com sobrepeso nem para o uso de mais de uma cadeira de rodas.
Outro ponto de fragilidade para pedestres são as passagens subterrâneas. Muitas pessoas, em especial as mulheres, têm medo de usar pela insegurança que representam. Não há policiamento pensado para essas áreas em nenhum momento do dia. Nem câmeras de segurança.
Brasília, a cidade que deveria ser modelo de boas práticas para o país, tampouco oferece banheiros públicos, como ocorre em capitais como Tóquio, Paris ou Pequim. Aqui eles são temporários. Só estão disponíveis em grandes eventos. No entanto, não são pensados para pessoas com deficiencia nem com níveis de dependencia, o que, muitas vezes, exige espaço para duas pessoas em um mesmo banheiro químico.
Quanto às filas dos banheiros das mulheres, elas seguem enormes em Brasília e em todo o país, porque quem organiza eventos de forma pública ou privada, não leva em consideração a diferença de corpos e necessidades.
Em tempos de festas e comemorações, fica aqui a mesma pergunta feita neste Blog em momentos anteriores: “Quais as atividades pensadas para pessoas idosas, algumas com mobilidade restrita, e para pessoas com deficiência, independente da idade?”
Como uma cidade em processo de envelhecimento, a Capital Federal deveria servir de modelo ao país e aproveitar para colocar em prática as obrigações que o certificado de Cidade Amiga da Pessoa Idosa, suas famílias e comunidades impõe. Amanhã na Esplanada dos Ministérios será um bom dia para observar as atividades voltadas para o público 60+ e o acolhimento da diversidade de velhices existentes.

