Precisamos Falar Sobre Violência de Gênero

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Cosette Castro

Brasília – Começou março, mês em que são intensificadas as campanhas pelo fim dos feminicídios e em defesa da vida em segurança das mulheres.

Com o aumento da violência física e virtual contra as mulheres de todas as idades, as campanhas seguem sendo essenciais. Em março e nos demais meses do ano.

Não existe segurança em um país onde as mulheres têm medo de sair às ruas. Onde caminham olhando para os lados e para trás. Onde há receio de utilizar transporte público pelo risco de assédio. Ainda assim, para milhões de mulheres, esta é a única forma de deslocamento possível.

Como se fosse pouco, para muitas mulheres ainda há o medo de estar ou de voltar para casa porque o lar que deveria proteger, abriga familiares agressores e abusivos.

Em março também são ampliadas as campanhas em defesa da igualdade entre homens e mulheres. Apesar das leis, isso até hoje não ocorreu.

Não existe igualdade em um país onde os salários seguem diferentes para as mesmas funções. Nem onde a questão racial define processos seletivos, cargos e salários. No Brasil, homens brancos, seguidos das mulheres brancas, ganham mais do que os homens e as mulheres negras. E, entre os homens e mulheres negras, os homens  ganham mais.

Não é possível pensar em igualdade onde o racismo, o idadismo (preconceito por idade), a misoginia (ódio, preconceito, desprezo pelas mulheres) e o capacitismo   (preconceito contra pessoas com deficiência) permeiam todas as esferas do Estado. Inclusive um judiciário onde magistrados de diferentes estados absolvem abusadores de meninas e punem mulheres que denunciam maridos agressores.

O caso do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, cujos magistrados já tinham inocentado outros 40 estrupadores, foi apenas a ponta do iceberg da violência estrutural judiciária contra as mulheres. Mas o que esperar de um poder onde as mulheres são minoria e com isso, o olhar de decisão e poder sobre o mundo é masculino?

Não existe igualdade, respeito nem cuidado em uma sociedade que diariamente apaga as mulheres em processo de envelhecimento. Nem onde os orçamentos destinados para pessoas idosas em todos os âmbitos do Estado (municipal, estadual e federal) são irrisórios.

Não há igualdade quando as pessoas que trabalham nos órgãos públicos colocam a sua religião a frente das decisões coletivas e das políticas públicas. Mesmo que o Brasil, segundo a Constituição Federal, tenha um Estado laico.

Tampouco existe paridade de gênero quando há apenas 1/5 de mulheres eleitas para o Congresso Nacional. E quando a representação é ainda menor nas assembléias legislativas, câmaras de vereadores e prefeituras.

Há uma maioria de homens brancos eleitos que, a cada mandato, tentam reduzir ainda mais os direitos das mulheres. Somos 108, 5 milhões de mulheres e representamos 51% da população, mas o Congresso Nacional destina apenas 30% das suas cadeiras para mulheres.

Está mais do que na hora de mudar essa situação, mas mudanças não caem do céu. Em ano de eleições, precisamos eleger mulheres. Mas não qualquer mulher.

Precisamos eleger mulheres que façam a diferença e defendam a vida em segurança e o direito das mulheres serem o que quiserem durante toda a vida. Inclusive depois dos 60.

PS: O Coletivo Filhas da Mãe lançou neste domingo, 01/03,  campanha contra o feminicídio nas redes sociais digitais a partir das obras do artista plástico Fernando Lopes cedidas para o Coletivo. No domingo estaremos na rua participando das atividades do 08 de ma

PS: Gênero não se refere apenas ao sexo biológico, mas inclui mulheres lésbicas, mulheres trans e travestis que também sofrem violências diárias no Brasil.

PS 1: O Coletivo Filhas da Mãe lançou neste domingo, 01/03,  campanha contra o feminicídio nas redes sociais digitais a partir das obras do artista plástico Fernando Lopes cedidas para o Coletivo. No próximo domingo estaremos na rua participando das atividades do 08 de março (08M) em Brasília.

Cosette Castro

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