Cosette Castro
Brasília – Queridos homens,
Desde o dia 1º de dezembro, o Coletivo Filhas da Mãe tem convidado vocês a participarem da campanha de vídeo “Homens que Apoiam e Defendem as Mulheres”.
A proposta é simples e muito necessária. Convidamos homens a conversarem com outros homens, em vídeos de até um minuto, sobre a importância de garantir que mulheres de todas as idades vivam com segurança, respeito e igualdade.
Historicamente, homens escutam mais os outros homens. Por isso, buscamos ampliar essa conversa e chamar atenção para situações que atravessam a vida de tantas mulheres no Brasil.
Os vídeos estão sendo compartilhados nas redes sociais digitais do Coletivo, inclusive em mais de 50 grupos de WhatsApp. Eles começaram a circular pouco antes do pronunciamento do Presidente Lula, que também incentivou os homens a se posicionarem publicamente. Enquanto figuras públicas passaram a se manifestar, optamos por convidar cidadãos comuns, pessoas que fazem parte do cotidiano de tantas mulheres.
Para participar da campanha, há alguns critérios básicos:
• não ter histórico de violência contra mulheres;
• não adotar comportamentos misóginos, seja presencialmente ou online;
• não ser candidato nas próximas eleições;
• não ser figura pública nacionalmente conhecida;
• enviar um vídeo de até um minuto já editado e pronto para publicação.
O convite parte da ideia de que qualquer pessoa, em especial os homens, pode, e deve, se sensibilizar com a realidade vivida pelas mulheres no país. Muitas vezes, essa violência atinge diretamente filhas, companheiras, irmãs, mães, colegas e vizinhas, ainda que nem sempre isso seja percebido pelos homens. E, por medo, vergonha ou trauma, grande parte delas não fale sobre o que vive.
Em seguida começamos a receber vídeos de diferentes regiões: Distrito Federal, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Bahia e São Paulo. Ficamos felizes com cada participação. Entre mais de 70 homens convidados, 34 já enviaram seus vídeos. Alguns precisaram ser refeitos por questões técnicas e estamos aguardando as novas versões.
Compreendemos que muitos homens ainda não enviaram seus vídeos por diferentes razões. Alguns elogiaram a iniciativa, mas não chegaram a gravar. Uns disseram não se sentir à vontade para falar sobre o tema. Outros disseram não saber o que dizer aos homens. E houve quem não se sentisse seguro diante da câmera.
Essas dificuldades são compreensíveis. Falar sobre violência de gênero não é simples, particularmente porque os homens (heteros) não sofrem violência doméstica nem são assassinados apenas pelo fato de serem homens. Mas é importante. E justamente por isso, cada gesto de apoio faz diferença.
Para quem não sabe por onde começar, algumas ideias podem ajudar:
• Reconhecer publicamente que nenhuma forma de violência contra mulheres é aceitável;
• Reforçar que respeito e cuidado são responsabilidades de todos, em especial dos homens;
• Lembrar que o silêncio diante da violência contribui para que ela continue acontecendo.
Essas mensagens em defesa da vida das mulheres têm grande impacto.
Enquanto isso, as mulheres seguem caminhando, construindo redes de apoio e criando espaços de acolhimento às mulheres. Entre elas, há iniciativas como a do Coletivo Filhas da Mãe, que há seis anos atua ao lado de pessoas cuidadoras familiares e denuncia a invisibilidade e a sobrecarga física e emocional do cuidado gratuito.
PS: Nesta segunda-feira a tarde começa a Oficina de Samba no pé no Centro Longeviver (quadra 601 da Asa Sul, 20. andar, Ed. Providência). Inscrições gratuitas aqui. E no sábado, dia 31, haverá Oficina de Adereços. Inscrições gratuitas pelo WhatsApp 61-999895808. Apesar da sobrecarga diária e dos desafios do cuidado, quem cuida tem o direito ao encontro, ao riso, à alegria e a novas aprendizagens.
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