Pernas Finas? Cuidado com a Sarcopenia

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Ana Castro, Cosette Castro & Convidado

Brasília – Vida sedentária e falta de exercícios podem trazer muitos problemas para o envelhecimento saudável, entre eles a perda de massa muscular.

E a perda de massa muscular, pode levar à quedas, a problemas cardiorespiratórios e à sarcopenia. Para falar sobre o tema, convidamos o fisioterapeuta da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Hudson Pinheiro, que também é Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia/DF (SBGG).

Hudson Pinheiro – “Nos últimos anos o estilo de vida tem ganhado um papel importante e determinante no modo como envelhecemos. Mas o processo de envelhecer é dinâmico e envolve mudanças orgânicas que interferem na função de diversos órgãos e partes do corpo. Por isso, a importância de praticar exercícios.

O comportamento sedentário, por outro lado, é um fator de risco importante e modificável, que pode evitar o adoecimento. Ele se correlaciona ao risco de quedas e às complicações cardiorrespiratórias. Está presente em pessoas com deficiência e em pessoas idosas longevas.

A massa muscular necessita de estímulo diário para se desenvolver, além da presença de fontes de proteína nas principais refeições do dia (café da manhã, almoço e jantar). Estes estímulos são os exercícios físicos, principalmente aqueles que acrescentamos carga ou resistência (musculação, pilates, hidroginástica).

Eles são necessários principalmente nas mulheres após a menopausa por conta do declínio hormonal e pelo déficit da produção do estrogênio. Esses dois fatores aumentam o risco de desenvolver  sarcopenia.

Sarcopenia (sarco=músculo e penia= perda) é uma síndrome caracterizada pela baixa força muscular, baixa massa muscular e baixo desempenho para realizar tarefas antes corriqueiras. Isso contribui para queixas comuns que aparecem nos ambulatórios: dores difusas, cansaço, caminhar lento e mudanças da composição corporal, acumulando maior porcentagem de gordura e menor quantidade de músculo.

A sarcopenia é reversível desde que seja reconhecida e tratada com alimentação saudável e prática de exercícios físicos semanais. Segundo recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) são necessários, no mínimo,  150 minutos de exercícios por semana.

Para quem tem 60 anos ou mais é possível ir gradativamente mudando hábitos e tratando a sarcopenia. Um sinal bem simples e prático de sarcopenia é a medida da circunferência da panturrilha (batata da perna).

Com a pessoa sentada, pés apoiados no chão e relaxados, é possível medir a circunferência da panturrilha em sua porção mais volumosa. Caso a medida seja menor que 33 cm para as mulheres ou 34 cm para os homens, sugiro buscar orientação de um profissional de saúde para realizar exames clínicos e confirmar a perda da força, da massa e do desempenho musculares.

Lembro-me que, durante o processo de doutoramento estudando a sarcopenia, eu andava pelo ambulatório em busca das “pernas finas”. Uma vez encontradas, convidava as pessoas idosas para a avaliação e para participar do protocolo de tratamento desenvolvido à época.

Nessa busca, muitas vezes encontrava “pernas finas” em pessoas com menos de 60 anos. Mostrar para essas pessoas que as medidas inferiores aos indicadores (33 cm para mulheres e 34 cm para homens) revelavam baixa reserva muscular era um diferencial para que muitas “pernas finas” mudassem de hábitos evitando o comportamento sedentário, passando a se exercitar mais e frequentemente.

Outro fato interessante para reconhecer a sarcopenia é observar como a pessoa caminha. E, neste caso,  preciso discordar dos músicos Almir Sater e Renato Teixeira porque “se ando de vagar é porque sou sarcopênico, vou arrastando os pés e posso até cair cada vez mais…”

Reconhecer os sinais da sarcopenia, como as pernas finas e o andar devagar, pode auxiliar as famílias a buscarem tratamento. Assim, além de evitar complicações de saúde,  ajudam a manter independência funcional do familiar e garantem qualidade de vida para o envelhecer saudável”.

E você, já mediu a batata da perna?

Ana e Cosette que caminham semanalmente tem a mesma medida: 37 cm.

PS: Neste domingo, 09/07, a partir das 8h30, o grupo  Caminhantes do Coletivo Filhas da Mãe fará mais uma caminhada. Desta vez pelas ruas da Asa  Norte, em Brasília, para conhecer as obras públicas do artista Athos Bulcão. Se estivesse vivo, o artista carioca teria completado 105 anos no dia 02 de julho. Quer participar? Envie uma mensagem para o Instagram @blocofilhasdamãe.

Cosette Castro

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