Deputados que viraram réus da Operação Drácon discursam no plenário da Câmara

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Ana Viriato

Um dia após o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) aceitar a denúncia por corrupção passiva contra os denunciados na Operação Drácon, os distritais envolvidos subiram à tribuna para comentar a decisão da Corte. Os parlamentares ainda desqualificaram a movimentação de manifestantes que pediam a aceitação da acusação, ontem, em frente à Justiça local.

Celina Leão (PPS) foi a primeira a utilizar o microfone. A distrital designou ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB) a responsabilidade pelas pessoas que protestavam de forma contrária a ela. “É útil para demonstrar as armações que são feitas por aqueles que acreditam estar acima do bem e do mal”, cutucou. “Já enfrentei oposição no passado. A grande diferença entre Agnelo e Rollemberg é que o ex-governador fazia oposição na política, enquanto o Rollemberg realmente trabalha com instrumentos nada republicanos”, finalizou.

Cristiano Araújo (PSD), da base governista, a interrompeu para comentar o episódio. O parlamentar alegou que, dentre os manifestantes, havia uma subsecretária da Secretaria de Saúde. “Ela estava em horário de trabalho. Então, o que fazia lá, incitando outras pessoas?”, alfinetou. O parlamentar ainda declarou que um homem que discursava em cima do trio de som seria réu em ações penais por crimes como grilagem e estupro. “Esse é o nível das pessoas que protestaram contra nós: um estuprador e grileiro”, completou.

Ao retomar o pronunciamento, Celina Leão lembrou que o condutor do veículo havia dito a testemunhas que recebera dinheiro para estar lá. “Vamos averiguar a situação junto à Polícia Civil. Esse governador quer tirar do mandato as únicas pessoas que tem a coragem de falar a verdade para ele”, atacou.

“Motivo para comemoração”

Os distritais relembraram momentos do julgamento e disseram “comemorar” a decisão da Justiça. “Agora começa, realmente, a investigação. Teremos condições de apresentar nossa defesa e esclarecer o caso”, disse Cristiano Araújo. Celina Leão completou: “O recebimento da denúncia é uma oportunidade de mostrarmos a verdade à população”. Os distritais Bispo Renato Andrade (PR), Júlio Cesar (PRB) e Raimundo Ribeiro (PPS), apesar de presentes, não comentaram a decisão do Conselho Especial.

Em um julgamento de pouco mais de sete horas, nesta terça-feira, o Conselho Especial aceitou, por unanimidade, as denúncias contra Celina Leão, Bispo Renato Andrade, Cristiano Araújo e Julio Cesar. No caso de Raimundo Ribeiro, o resultado foi de 12 votos a 5, em desfavor do distrital.

Também ontem, por 16 votos a 1, os desembargadores decidiram manter os parlamentares nos cargos, contrariando o pedido do Ministério Público, que demandava, até mesmo, a proibição da entrada deles na Câmara Legislativa.

Drácon

O relator do processo da Drácon, desembargador José Divino, indeferiu, nesta quarta-feira (22/3), a devolução ao deputado Julio Cesar de bens como celulares e pen drives, apreendidos pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) durante a operação.

O magistrado acatou o posicionamento do MPDFT, segundo o qual “as coisas apreendidas não podem ser devolvidas, enquanto interessarem à persecução penal”. O órgão ressaltou a necessidade de manter os objetos “a fim de que sejam examinadas as mídias óticas, com o resultado da extração de dados de tais suportes físicos (telefones celulares e pen drives), para verificar se o material apreendido ainda poderá ser útil à instrução criminal”.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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