Polícia cumpre novo mandado de busca contra suspeito de integrar a Máfia dos Concursos

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Ana Viriato

Em complemento à primeira fase da Operação Panoptes, que investiga fraudes em concursos e vestibulares ao longo dos últimos cinco anos, a Delegacia Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco), cumpriu um novo mandado de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (12/09). Alvo da ação, Charlie Rangel é suspeito de falsificar diplomas para a organização criminosa encabeçada por Hélio Ortiz, presa em 21 de setembro.

Ele é investigado, ainda, na Operação Golpe de Mestre, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (GO) em 11 de julho. Há indícios da participação de Charlie em uma associação criminosa que falsificava documentos acadêmicos que pudessem ser utilizados para a obtenção de gratificações ou progressões funcionais por servidores da Secretaria Municipal de Educação de Niquelândia e de outros órgãos.

No âmbito da investigação goiana, a pedido do MPGO e com autorização judicial, a Deco tentou cumprir, na última quarta-feira (6), um mandado de prisão preventiva contra Charlie. Entretanto, ele apresentou um habeas corpus preventivo, emitido no dia anterior pela 1ª Vara da Comarca de Niquelândia (GO). O suspeito havia sido preso temporariamente em julho deste ano também em meio às diligências da Golpe de Mestre.

A suspeita da Polícia Civil é que, em Brasília, Charlie Rangel atuava da mesma forma: com a falsificação de documentos acadêmicos. Na casa dele, em Taguatinga, os policiais apreenderam computadores e documentos. Segundo a Deco, a Máfia dos Concursos, investigada na Operação Panoptes, fornecia diplomas fraudulentos aos concorrentes abordados que pleiteavam vagas em certames cujo edital exigia certificações específicas.

Golpe de Mestre

De acordo com o MPGO, Charlie atuava como consultor direto e intermediário de negócios de uma instituição de ensino superior com oferta de cursos de pós-graduação. O instituto não observava os requisitos legais necessários ao funcionamento e poderia fornecer certificações que, em sua maior parte, não tinham validade, por inidoneidade ou falta do prévio credenciamento perante o Ministério da Educação.

Para validar os certificados ao ponto que fossem aceitos em órgãos públicos, a instituição de ensino superior articulou parcerias com um advogado. Ele seria responsável por representar universidades de reconhecimento nacional e garantir a emissão dos documentos válidos, por parte desses centros de ensino. Porém, segundo as investigações, o vínculo nunca chegou a existir, o que indica a falsidade dos certificados, como diplomas, históricos escolares e similares. Com base nas irregularidades, o MPGO denunciou, em 18 de agosto, oito pessoas. Entre elas, Charlie Rangel, acusado de organização criminosa e falsidade de documento público e particular.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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