Ana Viriato
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público contra os supostos líderes da Máfia dos Concursos, investigada na Operação Panoptes. Helio e Bruno Ortiz, Rafael Rodrigues e Johann Gutemberg tornaram-se réus pelos crimes de organização criminosa, fraude a certame de interesse público e falsificação de documento público. A decisão, desta segunda-feira (11/09), é do juiz da Vara Criminal e Tribunal do Júri de Águas Claras, Gilmar Rodrigues da Silva.
Deflagrada em 21 de agosto, a Operação Panoptes investiga a atuação de uma associação criminosa, com a venda de vagas em certames públicos e vestibulares. Para aderir ao esquema, os concorrentes tinham de desembolsar uma entrada, cujo valor variava entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, a depender do cargo desejado. Após a aprovação, o candidato pagava o valor equivalente a 20 vezes a remuneração inicial prevista no edital.
A denúncia havia sido apresentada pelo MP na última sexta-feira. O documento reúne denúncias anônimas e de pessoas que chegaram a aderir à fraude; oitivas das 19 pessoas conduzidas à Deco para prestar esclarecimentos; e a listagem de objetos apreendidos. O Correio mostrou com exclusividade parte desses documentos. Entre eles, as declarações de três pessoas que confirmaram o funcionamento da organização criminosa. A acusação formal também conta com o conteúdo das interceptações telefônicas realizadas durante as investigações.
O papel de cada um
Segundo as investigações da Delegacia Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco), Helio e Bruno Ortiz comandavam a associação criminosa, escolhendo os aliciadores e os “pilotos” — especialistas que realizavam as provas e repassavam os gabaritos a concurseiros. Pai e filho também criavam os métodos de ação, compravam os equipamentos necessários às fraudes, realizavam os pagamentos aos integrantes da máfia, além de aliciarem estudantes.
Rafael Rodrigues, por sua vez, era braço direito de Bruno Ortiz, e contribuía com a cooptação de concurseiros. Procurado pelo CB.Poder, o advogado dos três, Rubens Pires, afirmou que não teve acesso à decisão e, portanto, não poderia se manifestar.
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