Eric Seba PCDF 02/01/2015. Crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press. Eric Seba

“Os policiais estão chateados e não estão blefando”, diz Eric Seba, diretor-geral da Polícia Civil

Publicado em CB.Poder

ISA STACCIARINI

No dia em que delegados e policiais civis prometem entregar cargos de chefia, o diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba, confirmou que, embora boa parte da categoria esteja insatisfeita e ameace abrir mão das funções de chefia, a cúpula da corporação tenta conduzir o processo com responsabilidade para não comprometer a Polícia Civil. “As palavras que eu tenho mais ouvido ultimamente são humilhação, indignação, desprezo. Os policiais estão chateados e não estão blefando. Ao mesmo tempo, a entrega de chefia não oferece um resultado final. Denota insatisfação. Mas os servidores buscam sentido em dar solução para o impasse que atenda a categoria”, destacou.

 

Seba evitou falar sobre a declaração do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de que até o diretor-geral estaria disposto a entregar o cargo. “Foi dito, em assembleia no sindicato, que havendo uma entrega de chefia das seções e de delegados chefes, os diretores de divisão acabariam ficando inviabilizados. E, se houvesse uma entrega por parte dos diretores de departamentos, inviabilizaria a direção. Não daria”, esclareceu.

 

Preocupado com o cenário que se desenha, o diretor-geral confirmou que existe um compromisso profissional de todos os diretores. “Existe uma responsabilidade de gestão da instituição da qual não se pode abrir mão. Se tiver que haver troca ou mudança na cúpula da Polícia Civil, começando pelo próprio diretor, que seja feito com responsabilidade. Nossa função é estritamente técnica e não de ficar apegada a status de cargo ou valores de gratificação. Por enquanto algo a força é na preservação da instituição”, alegou.

 

Na noite de segunda-feira (15/8) o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) chamou o diretor-geral da Polícia Civil para uma reunião a portas fechadas. Segundo Seba, o chefe do Executivo local manifestou intenção de procurar equacionar o impasse. “Mais uma vez, ele comprometeu sanar os problemas financeiros por vários caminhos, para que possa dar um atendimento (ao pleito). Não o ideal, mas o razoável. Talvez com os mesmos percentuais (oferecido à Polícia Federal), mas mudando as datas. Acredito que seja verdadeiro e quero acreditar no alcance do resultado, mas, às vezes, o tempo que precisa não é o que o servidor gostaria que acontecesse”, ressaltou. “O governador está empenhado para equacionar o atendimento do pleito, mas não estipulou data.”

 

Segundo ele, não existe, até o momento, tendência em movimento de paralisação dos servidores. No entanto, caso seja deflagrada uma greve em assembleia na tarde desta terça-feira (16/8), Seba reforçou a necessidade de conversa com a categoria. “Vamos pedir bom senso para manter certa tranquilidade dos servidores para conduzir o processo de forma mais tranquila, sem maiores desgastes e sempre respeitando a sociedade sem trazer prejuízos”, garantiu.

 

Seba reforçou, ainda, que a direção está empenhada para buscar soluções, inclusive, se for preciso, junto ao governo federal em algumas interlocuções. “É uma forma equivocada de pensar que, se houver entrega de cargo, ninguém vai ocupar. É uma inverdade, porque alguém vai ocupar. A despesa precisa ser ordenada, a máquina tem de andar. Existe uma situação que precisa ser medida com muita cautela e a gente tem de manter a sociedade preservada”, reforçou.

 

Em relação à mobilização de policiais militares para pressionar o Governo do Distrito Federal (GDF) em conseguir o mesmo reajuste salarial que for oferecido a policiais civis, Seba ressaltou que teria ouvido manifestações neste sentido. “Escutei que isso poderia ter causado algum tipo de postergação do processo, mas, efetivamente, não tenho como confirmar, pois não tenho nada que comprove. A dificuldade financeira afeta o país inteiro e acaba interferindo nos processos”, esclareceu.

4 thoughts on ““Os policiais estão chateados e não estão blefando”, diz Eric Seba, diretor-geral da Polícia Civil

  1. um agente ganha R$ 13,751,51 e um Delegado ganha R$ 22.500,00 depois de 13 anos de carreira chegam ao topo. A PCDF está em 17ª colocação na resolução de crimes no Brasil (plano meta 2). Um PM depois de 15 anos vira cabo e tem R$ 180,00 de aumento. A PM vai parar dia 17 de agosto. O fundo constitucional não é exclusivo da PC!

  2. Que dó dos coitadinhos! Não está feliz, estuda pra ser Promotor ou Analista do Senado. Policial tem que ter abnegação, sangue na veia. Não é igual qualquer servidor administrativo não. As benesses dadas pelo GDF (feriados, licença prêmio, quinquenios) que os Federais não tem vocês não reclamam, né?

  3. A greve de um serviço público é uma greve contra o povo, afinal, o povo é que é o patrão. Como pode uma categoria achar que pode ganhar mais do que os outros e fazer chantagem, com toda a garantia de que jamais perderá seu emprego, para exigir vantagens para os seus? Eles querem arbitrar quanto devem ganhar? Isto é ridículo!

  4. Se todas as categorias tivessem o salário de inicio de carreira que os da civil tem…e eles estão chateados? Poderiam ter um pouquinho de pé no chão e ver que essa crise está afetando a todos, concursados e não concursados. É um absurdo darem aumentos para A e B e os demais serem deixados de lado já que estes não tem como ficar chateados, bater o pé e milhares serem prejudicados. Infantilidade, falta de coerência e desrespeito com a população. Policia civil do DF é bem remunerada e choraminga sempre.

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