MPF denuncia 17 acusados de envolvimento em fraudes do BRB

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Duas semanas depois da deflagração da Operação Circus Maximus, o Ministério Público Federal denunciou 17 pessoas acusadas de irregularidades no Banco de Brasília (BRB). A operação, deflagrada por procuradores ligados à força tarefa Greenfield e pela Polícia Federal, investigou denúncias de supostas fraudes envolvendo fundos de investimentos, com a atuação de ex-diretores do banco e empresários. Os acusados vão responder por crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e gestão temerária. O MPF aponta um prejuízo de R$ 348 milhões com a atuação do grupo.

Os procuradores pediram ainda o confisco de bens e recursos dos acusados, além de uma indenização por danos morais e materiais equivalente ao triplo do valor supostamente desviado por cada um. Os servidores do BRB são acusados de receber R$ 40 milhões em propina para liberar investimentos em empreendimentos imobiliários. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), as fraudes teriam ocorrido na construção de pelo menos duas empreitadas: o antigo Trump Hotel, no Rio de Janeiro, rebatizado de LSH Lifestyle, e o Praça Capital, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).

De acordo com o MPF, o BRB tinha “um clima informal, típico de empresa familiar, que substituiu a gestão profissional esperada de uma instituição financeira pública. Essa desestruturação, operada de forma proposital, permitiu que os agentes atuassem de forma criminosa”. A denúncia indica ainda um “reiterado desatendimento de regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”.

Os procuradores apontam que as irregularidades na gestão do BRB teriam começado em 2014. À denúncia enviada à 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, o MPF anexou documentos como notas fiscais frias, que teriam sido usadas para “branquear dinheiro em espécie acumulado, que não poderia entrar novamente no sistema legítimo sem uma base negocial com aparência de legitimidade”.

A denúncia do MPF menciona a possibilidade de o grupo ter atuado em outras áreas do BRB, como cartões, seguros e financiamentos, e cita outros investimentos do BRB com características semelhantes, como a emissão de debêntures do Correio Braziliense, em que pode ter havido irregularidades. O Correio esclarece que a emissão de debêntures mencionada na decisão judicial foi uma operação estruturada, que seguiu todas as regras do mercado financeiro. Ressalta ainda que toda a operação foi balizada em garantias reais e que a empresa não foi alvo de nenhuma medida investigativa relativa à operação. O Correio continua em contato com as autoridades. Em seis décadas de atuação, o jornal sempre se pautou pela transparência e pela defesa dos interesses da sociedade.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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