Sem capitalização, o BRB para de funcionar, afirma presidente do banco

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ANA MARIA CAMPOS

Foto: Ed Alves/CB

Sem a capitalização prevista em projeto de lei que tramita na Câmara Legislativa, o BRB para de funcionar. O cenário foi apresentado nesta manhã (02/03) pelo presidente do banco, Nelson Antonio de Souza, em reunião com deputados distritais.

O projeto de lei estabelece autorização parlamentar para que o BRB possa realizar uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões, dando como garantia nove imóveis de empresas públicas do DF.

Segundo o diretor de comercialização da Terracap, Júlio César Reis, que participa dos debates, os imóveis valem R$ 6,6 bilhões no mercado.

O clima é de tensão. O impacto da paralisação do BRB, seria imenso: imediata interrupção de transferência de renda dos programas sociais operados pelo banco, impactando mais de 400 mil beneficiários; caos imediato do transporte público no DF, pela paralisação do sistema de bilhetagem operado pelo banco; interrupção da entrega dos medicamentos da farmácia de Alto Custo; suspensão do suporte técnico e ao atendimento nos postos do Na Hora; suspensão das operações de crédito imobiliário, afetando mais de 650 mil trabalhadores diretos.


O presidente citou ainda interrupção de operações de crédito rural e para micro e pequenas empresas, paralisação das operações de crédito para servidores do GDF; e 6.800 empregos afetados.

Ainda segundo o presidente do BRB, aposentados poderão perder seus sustentos.

Souza afirmou que o fim do BRB pode gerar risco em todo sistema financeiro. “Temos quase 60 anos de história dedicada ao desenvolvimento da economia do DF. Não podemos colocar isso em xeque. Caso haja descontinuidade do Banco, décadas serão perdidas. Em aproximadamente 10 anos, bilhões deixarão de ser injetados na economia local”.

Ele acrescentou: “Estados que perderam seus bancos estaduais perderam instrumento de política econômica regional, perderam autonomia e perderam capacidade de direcionamento de crédito”.

Nelson Antônio de Souza ressaltou: “Não fui eu quem causou esse problema e nem vocês. Mas eu gostaria que um dia, lá no futuro, olhássemos para esse momento e lembrássemos que fomos nós que mudamos e salvamos o BRB. A história vai nos cobrar esse momento”.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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