Ministério Público denuncia Hélio Ortiz e mais três envolvidos na Máfia dos Concursos

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ANA VIRIATO

Nove dias após a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) indiciar o núcleo da Máfia dos Concursos, investigada na Operação Panoptes, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) denunciou, nesta sexta-feira (08/09), Helio Ortiz, Bruno Ortiz, Johann Gutemberg e Rafael Rodrigues pelos crimes de organização criminosa, fraude em certame de interesse público e falsificação de documento público.

O promotor de Justiça Demerval Farias Gomes Filho encaminhou a ação penal à Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras. As investigações continuam e possíveis fatos referentes a outros envolvidos poderão resultar em novas ações penais.

A denúncia é embasada pelo relatório final relativo à 1ª fase da Operação. O documento reúne denúncias anônimas e de pessoas que chegaram a aderir à fraude; oitivas das 19 pessoas conduzidas à Deco para prestar esclarecimentos; e a listagem de objetos apreendidos. O Correio mostrou com exclusividade, parte desses documentos. Entre eles, as declarações de três pessoas que confirmaram o funcionamento da organização criminosa. A acusação formal também conta com o conteúdo das interceptações telefônicas realizadas durante as investigações.

Parte dessas evidências decorre da troca de informações com polícias de várias unidades da Federação, como as corporações da Paraíba e de Goiás. No estado goiano, deve ser deflagrada uma operação para desmantelar uma organização criminosa similar à quadrilha presa na capital.

A Deco deve realizar em breve a segunda fase da Operação Panoptes. Serão alvos os “pilotos” — especialistas que realizavam as provas e repassavam os gabaritos a concurseiros —, funcionários de bancas examinadoras e concorrentes que aderiram ao golpe. Segundo a corporação, mais de 100 fraudadores foram identificados e serão intimados a prestar depoimento. Responsável pelo indiciamento, a Deco também oficiará os órgãos públicos nos quais estão lotadas as pessoas que se beneficiaram do esquema.

Como atuava a máfia

Com a promessa da aprovação em concursos, integrantes do esquema fraudulento abordavam estudantes, na maioria das vezes, em portas de cursos preparatórios e universidades. Há relatos, porém, de aliciamentos também via WhatsApp, em hospitais e portarias de edifícios. Todas as oportunidades eram aproveitadas.

A falta do certificado de curso superior ou de outras especializações não era um problema. Quando necessário, a organização criminosa fraudava os diplomas.

Para aderir ao conluio, os concurseiros tinham de desembolsar uma entrada, cujo valor variava entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, a depender do cargo desejado.

O modus operandi da fraude ocorria em quatro formatos diferentes: o candidato usava um ponto eletrônico e recebia o gabarito durante a aplicação do exame; o concorrente utilizava aparelhos celulares deixados em alguma parte do local de prova, geralmente em banheiros, para a obtenção de respostas; pessoas alheias ao concurso usavam identidades falsas para realizar a prova no lugar dos verdadeiros concorrentes; ou funcionários das bancas examinadoras participavam da fraude.

Após a aprovação, o candidato pagava o valor equivalente a 20 vezes a remuneração  inicial prevista no edital. Os delegados detalham que, na maioria das vezes, os concorrentes adotaram sistemas de crédito consignado para arcar com os custos.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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