Luís Miranda: “É preciso investigação, julgamento, algema e cela aos culpados”

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À queima-roupa // Deputado federal Luís Miranda (DEM-DF)

por Ana Maria Campos

O DEM sai rachado da eleição para a Presidência da Câmara?
Não. A maioria já manifestou seu apoio ao Arthur Lira, e temos maturidade para entender que, depois deste processo, precisaremos nos manter unidos para enfrentar os desafios. Reforma tributária, programas de recuperação da economia, auxílio emergencial e outras pautas que precisam ser tocadas.

Com sequelas para 2022?
Acredito que não. O Democratas passou por tempos muito difíceis, em que falavam até em extinção. Hoje, somos uma bancada forte e atuante. As diferenças precisam ser entendidas e superadas. O país vive um momento difícil. Birras e picuinhas só atrapalham. A vaidade não pode se sobrepor ao trabalho e ao papel que temos.

O partido apoiaria uma candidatura de Rodrigo Maia à Presidência da República?
Isso precisaria ser amplamente discutido, mas não acredito nessa possibilidade. As pessoas estão querendo antecipar a disputa pelo Planalto, mas o governo ainda está na metade. Ainda há muito por ser entregue. Subestimar é um erro político recorrente. É cedo para essas articulações. O momento seria de mostrar a importância do Congresso, da Câmara, mas o individualismo tem se imposto.

Onde Maia falhou para perder apoio dentro do partido?
O governador Roriz sempre ressaltava a importância de ouvir. Acho que faltou isso. Não adianta tentar impor suas preferências e pensamentos. Nós representamos a vontade popular e, se não estivermos abertos ao diálogo, estaremos perdidos. Outro ponto foi ter se aliado à esquerda. Compor com o PT é inaceitável a quem nos colocou no mandato. É trair a confiança que nos foi depositada.

Foi arrogância?
Essa é uma avaliação que ele deve fazer. Sei que não foi uma boa escolha, e a posição da grande maioria do partido mostra isso.

Arthur Lira vai arquivar todos os pedidos de impeachment de Bolsonaro?
Os pedidos que surgiram até agora são completamente descabidos. Não há nenhum motivo que justifique o impedimento do presidente. Há erros e acertos, mas longe de algo dessa natureza. Ou o próprio Maia teria pautado. Na minha visão, o que não for justificado deve ser arquivado. Espero que ele também pense assim.

Somos o país com pior gestão da crise na pandemia. Onde está o erro?
Discordo dessa afirmação. Como disse, há erros e acertos, mas não julgo que seja o pior. Houve um grande volume de recursos liberados e que não chegaram onde precisava. É preciso investigação, julgamento, algema e cela aos culpados. Em alguns momentos, os discursos foram mais valorizados do que as ações. Decisões equivocadas e que custaram vidas. É lamentável que estejamos vivendo tudo isso, e as pessoas pensando em mitar ou lacrar. Essa política enoja quem está fora dos polos e prejudica toda a população.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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