Frejat: “Sou pré-candidato. Apareço melhor nas pesquisas. Meu nome se destacou”

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O ex-deputado federal e ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) revela, em entrevista à coluna Eixo Capital, que será mesmo candidato ao Palácio do Buriti. Para não esbarrar na legislação eleitoral, Frejat se intitula como pré-candidato, mas reforça que, por acordo em seu grupo político, ele é o nome para a disputa porque aparece melhor em todas as pesquisas de opinião do que os demais aliados.

Mas Frejat ressalta que ainda há algumas questões a serem definidas sobre quem poderá ou não concorrer em outubro. Ele cita o caso do julgamento sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e questiona se, na eventualidade de ele conseguir ser candidato em situação sub judice, se outros políticos enquadrados na Lei da Ficha Limpa também serão beneficiados. Um dos que está nesta situação é o ex-governador José Roberto Arruda (PR).

Veja a íntegra da entrevista:

O senhor será candidato ao Governo do DF?

Na última quarta-feira, o presidente local do meu partido anunciou que serei pré-candidato a governador. Vamos ver se a gente consegue uma composição. Quero a união de todos contra o atual governo.

É pré-candidato ou candidato?

A legislação não me permite ser candidato agora. Estou atento às regras. Evito até reuniões fora do partido. Não quero infringir a lei.

Como o seu grupo vai se unir se há tantos candidatos?

Vamos fechar isso no maior equilíbrio. Quero trabalhar o nome de um vice na chapa que some. Temos ainda as duas vagas ao Senado, as suplências, candidaturas à Câmara. Já há uma desunião hoje no atual governo. Esse tipo de procedimento não leva Brasília a uma boa situação. Nossa cidade precisa mudar. Fiquei triste que o Departamento de Justiça Americana tenha alertado os seus compatriotas a não frequentar certos lugares do DF.

O senhor aceitaria disputar outro cargo que não fosse o de governador?

Na eleição de 2014, o Arruda convidou a Liliane Roriz e a Eliana Pedrosa para serem vice e não deu certo. Só topei porque não sou de criar dificuldade e havia um compromisso de que, como vice, eu seria responsável pela criação da universidade pública do DF. Seria o coroamento da minha carreira. Depois, Arruda saiu e fiquei 30 e poucos dias na campanha como candidato. Agora é diferente.

Por quê?

Fizemos uma reunião entre varias pessoas, entre as quais Fraga, Filippelli, Eliana Pedrosa, Paulo Octávio, Izalci, Alírio. Ficou definido que quem estivesse melhor nas pesquisas seria o candidato e teria o apoio dos demais. Acontece que apareço melhor nas pesquisas. Meu nome se destacou. Primeiro, por causa do recall da última eleição, segundo pelo meu trabalho na saúde e por não estar incluído nas irregularidades que surgem por aí. Há ainda os que se arrependeram por não terem votado em mim. A partir disso, não tenho como fugir ao compromisso da palavra dada. Mantenho a minha palavra de apoiar quem estiver mais bem colocado. Neste caso, sou eu. Temos uma dívida com Brasília. Nossos filhos nasceram aqui. Quero ajudar a recuperar a cidade.

Muitos dizem que abrem mão da candidatura se o senhor topar concorrer. Acha que isso é verdade?

Eles me dizem isso e acredito. Se nos dividirmos, vamos perder a eleição. Quem ganha é o atual governador. Como a aprovação desse crédito de R$ 1,3 bilhão, ele vai ter muito dinheiro neste ano. Por isso, temos que nos unir. O campo está aberto. Há muito espaço na chapa para uma composição.

Qual vai ser o papel de José Roberto Arruda na eleição?

O Arruda pretende ajudar a eleger a mulher dele deputada federal. Não vejo nenhum problema nisso. Sou das pessoas que reconhecem tudo o que foi feito de bom em qualquer governo. As coisas erradas, cada um responde por si.

Quando será a data para as definições da chapa? Somente nas convenções?

Há um ponto importante: o dia 24 de janeiro. É o julgamento do. Lula. Se ele conseguir um voto divergente no TRF da 4ª Região (durante o julgamento sobre a manutenção da condenação), poderá apelar. Poderá ser candidato subjudice. Não sei quantos candidatos podem seguir esse entendimento. Se ele pode, por que só ele?

O senhor acha que essa posição pode valer, por exemplo, em benefício de Arruda?

Eventualmente, poderá. Não sei qual é o pensamento dele. Mas o que pode beneficiar um pode beneficiar outro. Pau que dá em Chico dá em Francisco.

E o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle? Acha que tem espaço na sua chapa?

Claro que tem, vamos somar. Mas ele esta diante de um problema. O (Carlos) Lupi, presidente do PDT, quer um palanque para Ciro Gomes no DF. Ele precisa decidir se será candidato ou entrar numa composição que não crie dificuldade para a candidatura do PDT à Presidência É preciso ele saber até onde tem densidade eleitoral, para ser governador. Quem vai decidir é o povo.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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