Ex-deputado João de Deus é preso por fraude em Água Fria

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ANA MARIA CAMPOS

O ex-deputado distrital João de Deus foi preso nesta manhã (21/02) na “Operação Cheque-Mate”, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de Goiás. Segundo a investigação, ele é suspeito de integrar uma quadrilha que desviava recursos da prefeitura de Água Fria de Goiás em 2015, quando era prefeito do município do Entorno, localizado a 150 quilômetros de Brasília.

João de Deus, dois ex-secretários de Finanças e um contador do município tiveram a prisão temporária decretada pelo juiz Carlos Gustavo Fernandes de Moraes, da 1ª Vara Criminal de Planaltina. Por determinação da justiça, os investigadores cumpriram mandado de busca e apreensão na prefeitura de Água Fria.

Iniciadas em 2015, as investigações apontam que a Secretaria de Finanças de Água Fria estava sendo utilizada pelos ex-secretários da pasta para a prática de fraudes. Eles emitiam cheques em nome de um servidor, sem o seu conhecimento, com recursos do município.

A suspeita é de que a quadrilha forjava contratos de prestação de serviços e emitia cheques com base nos valores dos contratos, utilizando, para isso, um servidor da prefeitura como “laranja”, o que possibilitava que os valores obtidos com a compensação dos cheques fossem apropriados por eles.

As investigações indicam que, além das fraudes na emissão dos contratos, diversos cheques foram adulterados antes de serem enviados ao Ministério Público de Goiás, com a intenção de legitimar a ação da quadrilha e justificar os valores pagos ao servidor.

De acordo com o Ministério Público de Goiás, os documentos fraudados eram emitidos com a assinatura e ciência do ex-prefeito e a fraude contava com o auxílio do contador.

Os ex-secretários, conforme apurado pelos investigadores, atuavam diretamente nos crimes, assinando os cheques juntamente com o ex-prefeito e cuidando de todo procedimento para que os valores dos cheques descontados chegassem até eles.

A “Operação Cheque-Mate”foi coordenada pelo Ministério Público de Goiás, por meio da 4ª Promotoria de Justiça de Planaltina, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Entorno do Distrito Federal e do Centro de Inteligência (CI), com o apoio da Polícia Civil de Goiás.

Candidato

Depois de dois mandatos consecutivos como prefeito de Água Fria, João de Deus voltou para Brasília, reassumiu a presidência da Associação dos Praças da Polícia Militar do DF e se prepara para concorrer novamente à Câmara Legislativa.

Expulso da Polícia Militar por conta de sua mobilização em defesa de reivindicações da categoria, João de Deus foi deputado durante duas legislaturas e atuou como presidente da CPI da Grilagem na Câmara Legislativa, em 1995. Atualmente lidera um programa de rádio em que faz críticas ao governo Rollemberg.

Em nota, o advogado Wellington Medeiros, advogado de João de Deus, sustenta que a denúncia feita pelo ex-prestador de serviços tem indícios de conotação política. Ele ressalta que a prefeitura instaurou um procedimento de investigação para apurar eventuais irregularidades nos pagamentos desses prestadores de serviço, todos trabalhadores temporários e sem vínculo empregatício com o município.
O advogado ressalta que o ex-prefeito sempre se colocou à disposição das autoridades, inclusive do Ministério Público de Goiás, para esclarecer todos os fatos relacionados ao caso. “O ex-prefeito João de Deus lamenta o fato ocorrido nesta manhã e, em respeito à decisão judicial não se furtará em momento algum de prestar todos os esclarecimentos necessários na busca da vontade real”, afirma Medeiros.
Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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