Em investigação sobre regalias a Luiz Estevão, Polícia Civil vasculha sindicato

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Em um desdobramento da Operação Bastilha, que investiga a suposta concessão de regalias ao ex-senador Luiz Estevão, preso no Complexo Penitenciário da Papuda, policiais civis vasculharam, hoje, a sede do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Distrito Federal (Sindpen). Por meio dos itens apreendidos, entre computadores e documentos, os investigadores verificarão o possível envolvimento de profissionais da categoria com a permissão das benesses ao empresário. Pela segunda vez, a ação policial acontece na data de um jogo do Brasil na Copa do Mundo — há 10 dias, na estreia da Seleção Brasileira contra a Suíça, os agentes realizaram a devassa no Centro de Detenção Provisória (CDP), onde está encarcerado Estevão.

Houve, ainda, cumprimento de mandados de busca e apreensão em outros endereços hoje. A reportagem buscou informações adicionais junto à assessoria do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), responsável pela autorização às medidas, mas teve o pedido negado, pois o juiz da Vara de São Sebastião, Carlos Alberto Silva, decretou o sigilo do inquérito.

Em 17 de junho, investigadores encontraram, na sala de Luiz Estevão, remédios, uma tesoura e pen-drives, que o senador cassado tentou descartar quando percebeu a movimentação. A ideia é descobrir se, para ter acesso ao conteúdo dos dispositivos, o empresário dispunha de um computador. Naquele dia, também chamou a atenção dos delegados a quantidade de documentos que ele guardava na biblioteca do Bloco 5. O local, segundo a Polícia Civil, funcionava como uma espécie de escritório pessoal. A ação aconteceu sob o comando da Divisão de Repressão a Facções (Difac), ligada à Coordenação de Combate ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e à Ordem Tributária (Cecor).

Devido à suspeita de benesses ao empresário, a cúpula do CDP caiu. No dia seguinte à primeira ação da Operação Bastilha, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) exonerou o subsecretário do Sistema Penitenciário, o delegado aposentado Osmar Mendonça de Souza, e assumiu, no lugar dele, o delegado Celso Wagner de Lima.

Ao Correio, o presidente do Sindpen, Leandro Allan, afirmou que “as suspeitas são vazias e infundadas”. Para o comandante da categoria, “ações como esta podem cercear a atuação dos profissionais em suas áreas de trabalho”. “O que não podemos aceitar é o argumento de que o presidente do sindicato visitou um ex-senador. Vou a todos os locais que um agente penitenciário frequenta, pois represento uma categoria. No dia a que se referem, não fui ao CDP conversar com apenados. Cheguei ao local para tratar do seminário relacionado a uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de interesse da categoria. Posteriormente, conheci o Bloco 5, porque, até então, não tínhamos permissão”, explicou. A Polícia Civil do DF não deu detalhes sobre as suspeitas a que se refere Leandro Allan.

Outras regalias a Luiz Estevão

Essas não são as primeiras regalias concedidas a Luiz Estevão sob investigação. Diante da lentidão do sistema em penalizar os acusados de beneficiá-lo, as benesses ao preso ilustre se repetem há dois anos. Uma das acusações surgiu em janeiro do ano passado, quando o ex-senador foi flagrado com produtos proibidos. Na ocasião, ele desacatou um diretor do presídio ao ser questionado sobre a situação. Entre os itens ilegais encontrados, estavam chocolate, cafeteira elétrica, cápsulas de café e massa importada.

Outro episódio, ainda mais antigo, também segue sem desfecho na esfera administrativa. Em agosto de 2016, Estevão foi acusado pelo Ministério Público do Distrito Federal de pagar pela reforma do Bloco 5 do CDP da Papuda, onde cumpre pena de 26 anos por desvios na obra do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. A defesa do empresário nega que ele disponha de quaisquer benefícios no presídio.

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